A palavra “curiosidade”, originária do latim curiositas, refere-se ao desejo de conhecer, aprender ou descobrir algo novo, um traço presente em seres humanos e outros animais. A curiosidade impulsiona a exploração, investigação e o aprendizado, sendo fundamental para o desenvolvimento de habilidades e o bem estar. Dizem que os maiores curiosos são encontrados entre os médicos e os juízes. Os médicos são famosos, perguntam tudo, querem saber de tudo e de todos e geralmente ficam sabendo de tudo. Certos juízes também, chegam a extrapolar sua função para dar azo à sua curiosidade, só que a estes a curiosidade pode não ser tão generosa e o sair dos “autos” para os fatos extra-autos pode não ser benéfica à causa em julgamento.
Um caso interessante, e engraçado, aconteceu numa Comarca destas Minas Gerais, onde numa cidade que a compõe apareceu um jovem que se apresentou como Médico. De fala mansa, gestos finos, modo educado, conquistou a todos logo de início, inclusive seus colegas médicos do Hospital da sede da Comarca. Contratado pela Prefeitura, começou a clinicar. Mas deu azar. Um representante de Laboratório, que visitava regularmente a sede do Município para levar Amostras de Remédios, o reconheceu como Enfermeiro de um Hospital da Capital, e a farsa veio a abaixo. Denunciado à Polícia, processado pela Justiça, foi preso e respondeu a processo criminal. Constituiu Advogado que o defendeu do indefensável enquanto pôde. Durante o processo algumas intercorrências, todas superadas. Designada a instrução criminal, realizou-se a Audiência de Instrução e Julgamento, onde acontece a formação da culpa do réu, em que são ouvidas testemunhas de acusação, arroladas pelo Promotor de Justiça, e as de defesa, arroladas pelo advogado defensor do réu.
Uma das testemunhas era uma senhora de “meia idade”, solteirona, boa filha e cuidadora da mãe, a quem sempre acompanhava. Assentada na frente do Juiz, este a “qualificou”, colheu o compromisso de dizer a verdade, apenas a verdade, nada além da verdade e iniciou o interrogatóri
– a senhora consultou com o Dr. João?
– eu não, Doutor, foi a minha mãe.
– a senhora acompanhou a sua mãe à consulta?
– acompanhei, respondeu.
– o Doutor João a examinou?
– sim, examinou.
– e receitou para a sua mãe?
– sim, Doutor, receitou.
– e foi remédio?
– sim, doutor, mais de um.
– e vocês compraram os remédios?
– sim, doutor, compramos todos os remédios.
– e sua mãe tomou os remédios?
– sim, doutor, tomou todos os remédios.
E aqui o Magistrado deu asas à sua curiosidade e continuou a perguntar, fazendo a última delas:
– e os remédios fizeram efeito?
E a Dama de Companhia respondeu:
– “Ah Doutor Juiz, é Deus no Céu e o Doutor João na Terra, foi o único médico que curou a minha mãe, ela passou por vários médicos, mas só o Doutor João conseguiu curá-la”!!!
O Defensor olhou de soslaio para o seu cliente e este, na pontinha dos lábios, externou um pequeno sorriso, imperceptível a outros olhos.









