O toque que cura: a ciência e a tradição por trás do shiatsu

Vivemos em uma época onde a pressa dita o ritmo dos nossos dias. Entre prazos, trânsito e a conexão digital constante, raramente paramos para “sentir” o nosso próprio corpo até que ele grite — seja através de uma dor nas costas, uma enxaqueca persistente ou aquela tensão nos ombros que parece nunca ir embora. E em meio a este cenário, encontramos o Shiatsu. Frequentemente confundido com uma simples massagem relaxante, esta técnica é, na verdade, uma terapia estruturada que combina sabedoria ancestral oriental com evidências clínicas modernas. Se você já se perguntou por que um toque firme em um ponto dolorido pode trazer um alívio quase imediato, a resposta reside em uma fascinante mistura de tradição oriental e neurociência.
A palavra Shiatsu (指圧) tem uma tradução literal e simples: “Shi” significa dedos e “Atsu” significa pressão. Embora tenha sido oficializado e reconhecido como uma prática de assistência à saúde pelo governo do Japão apenas em 1952, suas raízes são profundas. A técnica nasceu da evolução da massagem tradicional japonesa Anma, incorporando os princípios ancestrais da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e, mais tarde, conhecimentos da anatomia e fisiologia ocidentais.
Uma técnica: dois olhares
Sob a perspectiva oriental, em resumo, a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o livre fluxo da energia vital (para os chineses Qi, para os japoneses, Ki, para os hindus, Prana) através de canais chamados meridianos. Quando estamos estressados ou doentes, essa energia bloqueia ou desequilibra. O shiatsuterapeuta atua desbloqueando esses canais ao pressionar pontos específicos, os acupontos, ou estimulando os meridianos, permitindo que o Qi volte a fluir harmoniosamente seja tonificando as deficiências ou dispersando os excessos, restaurando o equilíbrio energético natural do corpo.
Do ponto de vista da fisiologia ocidental, existem teorias sólidas que justificam como a pressão dos dedos pode tratar dores e ansiedade:
Você já bateu o cotovelo e instintivamente esfregou o local para a dor passar? O Shiatsu utiliza um princípio semelhante, explicado pela Teoria das Comportas. De forma simplificada, nosso sistema nervoso só consegue processar uma quantidade limitada de sinais por vez. O estímulo tátil da pressão – o toque do Shiatsu – viaja mais rápido pelas fibras nervosas do que os impulsos dolorosos, “fechando a porta” para a sensação dolorosa no nível da medula espinhal antes que ela chegue ao cérebro.
A pressão exercida durante o Shiatsu estimula a liberação de opioides endógenos, que são analgésicos naturais produzidos pelo próprio organismo. Além disso, a técnica favorece a liberação de serotonina, neurotransmissor do humor e precursor da melatonina, regulador do sono.
Muitas vezes, aqueles “nós” doloridos nos músculos sofrem uma restrição de oxigênio devido à má circulação local, um estado chamado de hipóxia. A pressão mecânica do Shiatsu melhora a circulação sanguínea na região, trazendo oxigênio e nutrientes novos para os tecidos e removendo toxinas metabólicas. Isso ajuda a “destravar” a musculatura e aliviar a dor crônica. Além disso, na musculatura em geral, a pressão sustentada do Shiatsu provoca uma isquemia momentânea (falta de sangue temporária). Ao liberar a pressão, ocorre uma reação chamada hiperemia reativa: o corpo inunda a região com sangue novo, rico em oxigênio e nutrientes, acelerando a recuperação do tecido e a retirada das toxinas acumuladas.
O toque do Shiatsu estimula o nervo vago que responde a estímulos táteis e ajuda a reduzir a atividade do sistema simpático (responsável pela reação de estresse e “luta ou fuga”), induzindo o corpo a um estado de relaxamento profundo e reparador.
Benefícios Comprovados
A prática regular do Shiatsu oferece resultados que vão além do relaxamento momentâneo, atuando como um tratamento complementar muito eficaz. Evidências clínicas apontam eficácia para:
– Alívio da Dor: Redução significativa na intensidade da dor e aumento da resistência do corpo ao estímulo doloroso.
– Melhora do Sono: Estudos mostram que o Shiatsu é eficaz para melhorar a qualidade do sono, combatendo a insônia que frequentemente acompanha quadros de dor crônica.
– Qualidade de Vida: Ao reduzir o impacto de sintomas físicos e emocionais, a técnica melhora significativamente a percepção geral de saúde e bem-estar.
Cuidados Importantes
Apesar de ser uma técnica natural e não invasiva, a segurança vem em primeiro lugar. O Shiatsu deve ser evitado ou adaptado em casos de infecções ativas, febre, fraturas recentes, trombose ou lesões de pele no local da aplicação. Gestantes, principalmente no primeiro trimestre, devem informar o terapeuta pois alguns pontos devem ser evitados. É fundamental que o terapeuta realize uma avaliação prévia para personalizar o atendimento.
Em suma, o Shiatsu é o encontro do toque que cura com a ciência que explica. Seja para aliviar uma dor nas costas, melhorar o sono ou simplesmente reencontrar o equilíbrio emocional, essa terapia oferece um caminho seguro e comprovado para uma vida mais saudável.
Autor: Rômulo Morelatto Colpani
O convite da pirata (*)

Meu primeiro contato com a angústia foi quando tinha de dezessete para dezoito anos. Não tinha uma palavra para descrever esse sentimento e me referia a ele como “a patologia” a um amigo que passava pelo mesmo problema. Desde então ela tem sido minha fiel escudeira. Pensando bem, talvez a escudeira não seja a melhor definição. Está mais para uma pirata empurrando o marinheiro pela prancha, deixando-o bem na beirada, mas nunca o derrubando de lá. O castigo é parar e olhar para a imensidão do mar, se encher de medos e questionamentos sem poder recuar e voltar para a rotina do navio.
Com o passar do tempo e a recorrência dessa companhia, fui tentando ressignificar nossa relação. Entendi que ela era como uma ligação direta entre o meu inconsciente e meu consciente, no maior estilo “Cucabol”. Era como se eu tivesse uma peneira o tempo todo na minha cabeça que retinha o que era necessário para que eu continuasse na minha rotina, mas não descartava os grãos que passam pela tela. Grãos estes que rapidamente se transformavam em um grande monte de areia que precisava de uma destinação. Era aí que a pirata aparecia mais rápido que imediatamente, era possível senti-la pelo estômago. Ela é fruto de um acúmulo de diversos elementos chegando a um estopim. Por isso, ficava difícil entender de onde vinha, qual era o motivo, o porquê de meu cérebro estar me traindo daquele jeito. O que foi custoso de compreender é que aquela sensação não retratava o agora. Aquele aperto no peito era um álbum de fotos do passado, necessário de investigação página a página, principalmente focando no que não estava no primeiro plano, bem como fazem os detetives de filmes policiais.
Enfim, parei de brigar comigo mesmo. Entendi a pirata como um convite para me escutar, me investigar, me conhecer melhor. Ela só queria que eu entendesse que a minha trajetória de navio só tem sentido se eu fizesse, com muito mais afinco, uma jornada para dentro. Tentar me distrair e fugir dessa odisseia foi a minha estratégia por tempo demais (com eficácia baixíssima por sinal), agora, mais do que nunca, vou tentar me mergulhar no que sinto.
Quem sabe o caminho não seja começar a escrever sobre isso. O fato de a minha saudosa patologia ter aliviado enquanto pensava esse texto é um indicativo. Hoje me sento na prancha e encaro o mar sem a pressão da pirata.
(*) Em caso de sofrimento mental, busque avaliação e acompanhamento profissional.
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Respostas de 2
Taí uma opção até mesmo aos homeopáticos.
Dor no pescoço não respeitava providência alguma. Acho que ria dos analgésicos, das fisioterapias, promessas para os Santos, por aí….
Até que encontrei o Romulo. Em duas ou três sessões começou a melhorar até terminar completamente. Como se diz em em certos ambientes, foi um livramento. Romulo tem de inventar nova religião.