Dezembro marca aquela típica correria de fim de ano: são as últimas pendências que precisam ser resolvidas, férias escolares, recesso, e, claro, as festas e os presentes de Natal. Enquanto você organiza os últimos preparativos para as festividades, já pensou em dar livros de presente neste Natal?
Com a correria crescente dos dias e a onipresença das telas, que parecem capturar cada vez mais a atenção, os livros e a leitura estão ficando para trás: a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada no final de 2024, indicou que pela primeira vez o número de não leitores superou o de leitores no país – 53% dos brasileiros não tinham lido um livro sequer (ou mesmo partes de um livro) nos três meses anteriores à pesquisa.
E esse cenário não é exclusivo do Brasil. Pesquisadores da Universidade da Flórida e da University College London analisaram dados que indicaram que apenas 16% dos americanos afirmaram ler por prazer em 2023 – uma queda de 40% em relação aos dados de 2003.
Nesse contexto, parece que a leitura, sobretudo de literatura, está virando um ato de resistência. Com tantos conteúdos ao alcance das pontas dos dedos, com estímulos que te incentivam a todo momento a assistir ao próximo episódio ou a pular para o próximo, com algoritmos programados para mostrar só o que nos interessa e que nos vicia, com uma mentalidade de que o tempo precisa ser absolutamente útil o tempo todo e que precisamos sempre aprender algo, produzir algo, evoluir em algum aspecto, quem é que vai parar para ler páginas que não podem ser resumidas com um clique? Quem vai arriscar se aventurar por uma história que não sabe bem o que vai acontecer, ou quando vai se desenvolver, ou que não dá pra acelerar?
Parece que estamos tão viciados nessa lógica que esquecemos que é possível sim encontrar prazer nos livros, navegar por histórias e tempos distantes que nos provocam a sentir, a olhar para a vida pelas lentes do outro. É possível sim parar e não se render a uma tela, mas se deixar levar pelas palavras, respeitando um ritmo de narrativa que às vezes vai ser diferente do que gostamos ou do que estamos acostumados, mas que traz um jeito novo de olhar para o mundo.
Então nesse Natal – ou em qualquer oportunidade -, que tal dar um livro de presente? Para ajudar nessa escolha, a seguir você encontra cinco títulos bem diferentes, que agradam a todos os gostos. Livros contemporâneos, mesclando literatura nacional e internacional, obras premiadas e algumas joias menos conhecidas. Para presentear uma pessoa querida ou para se dar de presente, afinal, por que não? Sejamos resistência.
Para quem precisa retomar o hábito da leitura: A cabeça do santo
Começando a lista com a indicação mais democrática, o livro A cabeça do santo, de Socorro Acioli, já apareceu em uma edição anterior do Echo. Esse é um livro fluido, leve e divertido, com linguagem simples e acessível que se tornou um grande sucesso no cenário literário nacional. Nessa obra acompanhamos Samuel, que parte em peregrinação para realizar os últimos desejos da sua mãe, e acaba encontrando uma estátua de santo em que a cabeça vai parar longe do restante do corpo. Uma história com toques de realismo mágico que foi desenvolvida em uma oficina literária com Gabriel García Márquez e que é a cara do Brasil.
Para quem gosta de história do Brasil: A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas
Outro livro que também foi pauta do Echo, A mãe da mãe da sua mãe e suas filhas é a escolha perfeita para quem se interessa por história, sobretudo do Brasil, ou para quem adora tramas que se passam ao longo de diferentes gerações. Nessa obra, escrita por Maria José Silveira, acompanhamos uma linhagem de mulheres desde 1500 até os dias atuais, em um desenrolar de vivências que vão se emaranhando com a própria história do Brasil. Essa é mais uma opção de linguagem muito fluida e cativante, fácil e ainda assim muito bem trabalhada, que tem tudo para agradar.
Para quem gosta de política e história internacional: Atos Humanos
Essa indicação vem com um aviso: Atos Humanos, de Han Kang, é um livro pesado, triste e que não é para todo mundo! Mas com certeza vai impressionar muito se você quiser presentear alguém que gosta de história e política internacional. A obra, vencedora do prêmio Nobel de literatura, se passa na Coreia do Sul, trazendo o ponto de vista de diferentes personagens das vivências do país em duas ditaduras seguidas, em um regime opressor e extremamente violento. Vale destacar que a edição brasileira do livro traz um grande diferencial: a tradução direta do coreano, garantindo maior fidelidade ao texto original.
Para quem gosta de moda: Os oito vestidos Dior
Se você quer presentear uma pessoa que gosta de um bom romance ou é apaixonada pelo mundo da moda, Os oito vestidos Dior, de Jade Beer, será uma opção certeira. Essa obra intercala presente e passado para contar uma história cujos acontecimentos giram em torno de oito vestidos da famosa Maison francesa. O mais interessante aqui é que os vestidos descritos de fato existem, e buscar as fotos dos modelos originais dá ainda mais cor ao livro. Uma leitura que prende, oferecendo romance e dramas bem construídos, com direito a surpresas no desenrolar dos fatos.
Para quem gosta de música: Daisy Jones & the Six
Para fechar a lista, Daisy Jones & the Six, de Taylor Jenkins Reid, é a opção certeira para quem ama o universo da música – ou se você simplesmente está procurando um livro viciante para dar de presente. Essa obra conta a história da banda do título do livro, acompanhando o seu sucesso enquanto roda os Estados Unidos em uma turnê nos anos 70. A história é contada por meio de entrevistas com os diferentes personagens, como se fosse um documentário, o que torna tudo muito real – e você termina a leitura querendo acreditar que a banda e suas músicas de fato existiram. Esse título ainda ganhou uma adaptação em minissérie pelo Prime, que inclusive rendeu um álbum com as músicas que dão tanta vida à história.









