Vivite é nota 10
Antônio Victor de Sousa Júnior tem 74 anos. É publicitário e pecuarista.
Adora ter nascido em Peçanha, mais precisamente na Rua do Quenta Sol. Caçula, numa família de cinco irmãs, mudou-se para a capital em 1966, aos 14 anos.
“Eu sou satisfeito com Belo Horizonte, desde o início.”
Com o apoio dos primos procurou integrar-se à vida no novo contexto, podendo ser encontrado em serenatas, jogos de futebol e nos conjuntos de rock. Com este objetivo, às vezes, “arranjava um dinheiro, entrava num táxi e pedia ao motorista para dar uma volta de 40 reais”. Queria conhecer a cidade. Concluiu o segundo grau no Colégio Santo Agostinho, “o colégio top da época”, e transferiu-se para o Colégio Arquidiocesano, onde fez o curso científico.
Serviu ao Exército, em 1971, no 12º DI.
Trabalhou no Banco Mineiro do Oeste. Lembra-se bem de haver atrapalhado na prova do concurso para ingresso no Banco, preocupado em chegar a tempo numa partida de futebol com os roqueiros dos Novos Baianos. A lembrança principal do jogo não foi algum gol de placa, mas o fato da Baby Consuelo, com toda naturalidade, visitar o banheiro masculino logo após a finalização, para parabenizar os atletas.
Foi admitido numa função inferior, mas contemplado com a mostra criativa que Baby, agora Baby do Brasil, saudava os tempos libertários que os jovens de então pleiteavam.
Formou-se em Comunicação (Publicidade/ Relações Públicas/ Jornalismo), na Newton Paiva. Mesmo com tantos títulos prefere ser identificado como publicitário.
Trabalhou também no Banco Bradesco e para uma multinacional que se dedicava à importação de componentes eletrônicos.
Na década de 1980, criou a empresa de publicidade Fator 1, dentre os clientes, influentes políticos como o Deputado Estadual/Federal Ziza Valadares. Ainda foi proprietário da Mensagem e Propaganda, especializada em outdoors.
Homem de viés conservador na política e nos costumes, sempre foi observador atento às políticas implementadas em Minas Gerais nos governos de Tancredo Neves, Newton Cardoso, Hélio Garcia, Eduardo Azeredo, Itamar Franco e Aécio Neves.
Começou carreira no Serviço Público em 1985, onde exerceu vários cargos, dentre os quais o de Assessor político nas Secretarias de Estado da Administração, da Saúde e da Casa Civil de Minas Gerais. Foi Diretor da CODEVALE – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Norte, Mucuri e Rio Doce. Superintendente da LBA – Legião Brasileira de Assistência do Ministério da Ação Social em Minas Gerais, assessorando a senadora Júnia Marise – “foi importantíssima na minha vida”.
Na Assembleia Legislativa ocupou cargos de assessoria parlamentar e chefia de gabinete de vários parlamentares. Nestas funções e em várias outras, nas áreas federal e estadual, teve oportunidade de levar para Peçanha muitos projetos de governo, amparado na Lei dos Consórcios Intermunicipais (11.107/05) criada pelo deputado federal José Rafael Guerra (PSDB). “O Guerra havia se inspirado na experiência de um consórcio de saúde implementado em Cuba com sucesso”. Participou da criação de associações comunitárias que propiciaram a reforma do Asilo São Francisco de Paula, instalação de uma creche e da APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, organização social sem fins lucrativos para promover assistência às pessoas com vários tipos de deficiência.
Usou seu capital político para conseguir, há 30 anos, que a população da Comunidade de Água Branca – 17 km de Peçanha – tivesse acesso a um telefone (“orelhão”).
Contribuiu para inúmeros melhoramentos, priorizando sempre os mais desassistidos.
A música sempre foi paixão da família do pai. As irmãs sempre cantaram. O seu interesse se manifestou por volta dos sete anos, quando o pai perguntou que presente gostaria de ganhar na festa de aniversário. – “Uma banda de música”, respondeu! Foi brindado com um concerto inesquecível, como podemos constatar.
Aos 14 anos compôs sua primeira música e, desde então, seu estilo se inspira na tradição. Pode-se dizer que provêm da mesma estirpe dos marujos dos Vieira; dos caboclinhos com suas penas e reco-recos. Toca violão, é cantor bissexto, repentista, participou da fundação da Banda Mole. Orgulha-se de ter composto, em 2010, o hino da cidade de Divino, com versos inspirados nos sons das águas, mostrando as riquezas culturais e materiais daquela bela cidade.
É membro do Clube do Choro. Através da música tornou-se cronista, que percorre várias manifestações, compondo hinos de cavalgadas, músicas country, boleros, marchas que descrevem sua cidade natal e o cotidiano de Belo Horizonte.
É um imitador nato. Capta, como se fosse um chargista, a expressão inadequada de figuras conhecidas e transforma a imitação em fonte de criação e divertimento.
Considera muito importante cultuar a alegria. Há cerca de três anos, graças à internet, criou o “70 e Uns”, grupo de contemporâneos dos tempos escolares, familiares e agregados de idades aproximadas e interesses genuínos pelos costumes e tradições da terra natal, com aproximadamente 120 participantes. Já publicaram o livro “Revoada, Casos e Contos”, registro das lembranças comuns. Os encontros semanais, sempre no Barbazul, são regados a música e cerveja. Até recentemente, celebrava a sua cidade nas manhãs de domingo, junto com Acir Antão no programa A Hora do Coroa, na Rádio Itatiaia.
Não se sabe de onde vem o apelido Vivite. “Provavelmente surgiu como um diminutivo de Victor, Vitinho, e tornou-se um termo carinhoso conservado desde a infância”, esclarece sua irmã Heloisa. Mas as moças do internato sempre o chamaram de Giuliano Gemma. Ele nunca soube porque…
Odette Castro, escritora e ativista de inclusão, acredita que o jeito inquieto e empreendedor de Vivite o tornaria bem-vindo em qualquer lugar. E exemplifica:
– “Há 20 anos, ele recebeu o diagnóstico de diabetes, e desde então sua trajetória foi marcada por desafios, incluindo a perda quase total da visão. Mas sempre encarou essa realidade de forma prática, sem romantização, sem vitimismo e lamentações. Para ele, a vida segue com outras possibilidades e cada etapa é vivida com responsabilidade, mostrando que é possível se adaptar e continuar construindo caminhos, idealizando projetos com a alegria que é seu codinome. Casado com sua amada Eliana, ele costuma esclarecer que “seus olhos, são os meus olhos”.
Aline França, vice-prefeita de Peçanha, no final da saudação que fez na inauguração de uma placa em homenagem ao Vivite, no início da rua do Quenta Sol, disse:
“Termino pensando no espírito que move o Vivite, inspirada no lindo poema de Fernando Pessoa como Alberto Caeiro, “O Guardador de Rebanhos”.
Poucos sabem qual é o rio da minha aldeia.
E para onde ele vai
E de onde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Do mesmo modo,
O Rio Suaçuí Pequeno, o rio da nossa aldeia
Desce por entre pedras e troncos
Se junta ao Rio Doce e vai…
O rio da nossa terra,
A nossa infância.”
Para Vivite felicidade mesmo é estar na sua aldeia, de onde jamais partiu.










Respostas de 7
Viva o Vivite!
Boa tarde Chico Odete e Wilson. Quero informar a vocês que o coração do Victor está ótimo. Após a leitura da matéria, só pediu a substituição de um comprimidinho debaixo da língua por uma Corrego das Almas.
Está felicíssimo com a homenagem. Eliana
Agora sou eu:amanhã comemorarem lá na corte, em nossa aldeia.
Viva Santo Antônio!!
Na conexão entre o Quenta Sol e o Suaçuí Pequeno, Eliana do lado, Córrego das Almas no parapeito da varanda. Todas as dimensões que a felicidade pode ter.
Vivite e e será sempre o CARA. Nosso amigo, incentivador , e sobretudo nosso líder
Parabéns Vivite! Chico, Wilson e Odette traduziram com maestria este meu primo, meu amigo e companheiro no Grupo 70eUns, que conseguiu , ao lado da sua amada Eliane , agregar , depois de meio século , amigos de infância vivida na cidade de Peçanha. É sempre muito prazeroso estar ao seu lado. Aquele abraço.
ao seu lado e da sua amada Eliana.
Esse primo é demais da conta. Homenagem merecida!
Fui criada em Peçanha, na casa da minha irmã e cunhado, Du e Joãozinho Fróis. Tenho grande carinho pelo Vivite e lhe desejo muitas alegrias e saúde em seu novo ciclo!