John Mayall & The Blues Breakers e o Álbum Blues Breakers With Eric Clapton

Publicado em: 28/12/2025 às 14:48

Atualizado em: 29/12/2025 às 12:11

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O álbum Blues Breakers with Eric Clapton, lançado em 1966, é considerado um dos marcos fundadores do blues-rock britânico e uma das obras mais influentes da história da música popular do século XX. Liderado por John Mayall, figura central do blues na Grã-Bretanha, o disco simboliza o momento em que o blues afro-americano foi reinterpretado com intensidade, respeito às origens e inovação sonora, tornando-se base para o desenvolvimento do rock moderno.

John Mayall: o arquiteto do blues britânico

John Mayall (nascido em 1933, na Inglaterra) é frequentemente chamado de “pai do blues britânico”. Diferentemente de outros músicos de sua geração, Mayall não buscava apenas inspiração no blues americano, mas sim uma reprodução fiel de sua estrutura, estética e espírito. Profundo conhecedor da obra de artistas como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Freddie King, Otis Rush e Robert Johnson, Mayall via o blues como uma tradição viva que deveria ser estudada, preservada e difundida.

Com a criação dos Bluesbreakers, Mayall transformou sua banda em uma verdadeira escola musical, por onde passaram alguns dos maiores nomes do rock britânico, como Eric Clapton, Jack Bruce ,Peter Green, Mick Taylor, John McVie e Mick Fleetwood. Mais do que líder, Mayall atuava como mentor, educador musical e curador do repertório blues. O Lú sempre afirmou que John Mayall aperfeiçoou todos os músicos que tocaram com ele. Isso se confirma quando posteriormente Eric Clapton e Jack Bruce formaram o Cream, Peter Green, John Mcvie and Mick Fleetwood formaram o Fleetwood Mac e Mick Taylor vai para os Rolling Stones, para muitos a época do Mick Taylor é considerada a melhor fase da banda.

Eric Clapton e a busca pela autenticidade

Antes de integrar os Bluesbreakers, Eric Clapton havia deixado o grupo The Yardbirds, insatisfeito com a crescente orientação pop da banda. Clapton desejava tocar blues puro, inspirado diretamente nos mestres americanos. Sua entrada nos Bluesbreakers representou um encontro decisivo entre técnica, reverência histórica e inovação sonora.

No álbum, Clapton utilizou uma Gibson Les Paul ligada a amplificadores Marshall, criando um timbre encorpado, saturado e agressivo, que se tornaria o padrão do blues-rock e do hard rock nas décadas seguintes. Esse som contrastava radicalmente com a guitarra limpa predominante até então no Reino Unido. O disco ficou popularmente conhecido como “The Beano Álbum”, devido à capa em que Clapton aparece lendo a revista infantil The Beano. Musicalmente, trata-se de um álbum majoritariamente composto por releituras de clássicos do blues americano, executadas com intensidade inédita no contexto europeu.

Entre as faixas  estão:            

“All Your Love” (Otis Rush / Willie Dixon)
“Hideaway” (Freddie King)
“Ramblin’ on My Mind” (Robert Johnson)
“What d ISay” (Ray Charles)
“Key to Love”  (Little Walter)
“Steppin On Out” ( Memphis Slim)
“Parchman Farm” (Moss Allison)          

Essas interpretações mantêm a estrutura tradicional do blues, mas ampliam sua força por meio da distorção, do volume e da expressividade instrumental. O álbum não apenas homenageia os bluesmen americanos, mas reafirma sua centralidade histórica, apresentando seus nomes a um novo público jovem e branco.

Impacto cultural e legado

O impacto do álbum foi imediato. Ele alcançou o Top 10 das paradas britânicas e transformou Eric Clapton em um ícone cultural, culminando na famosa frase grafitada em Londres: “Clapton is God”. Mais importante, o disco consolidou o blues-rock como gênero legítimo e influenciou diretamente bandas como Cream, Led Zeppelin, Fleetwood Mac, Rolling Stones e Jimi Hendrix Experience. Para os bluesmen americanos, o álbum teve um efeito simbólico profundo. Ao serem reverenciados por músicos britânicos, artistas como Robert Johnson ,Freddie King, Muddy Waters e Otis Rush passaram a receber maior reconhecimento internacional, inclusive em seu próprio país. Assim, Blues Breakers with Eric Clapton funcionou como uma ponte transatlântica, devolvendo prestígio ao blues em suas raizes.

Blues Breakers with Eric Clapton não é apenas um álbum histórico; é um manifesto musical. Ele demonstra que o blues, embora nascido da experiência afro-americana, possui alcance universal, desde que tratado com respeito e profundidade. John Mayall, ao liderar esse projeto, assumiu o papel de guardião e difusor dessa tradição, enquanto Eric Clapton redefiniu o papel da guitarra elétrica na música popular.

O disco permanece, até hoje, como obra obrigatória para o estudo do blues, do rock e das relações culturais entre Estados Unidos e Grã-Bretanha no século XX.

JUAREZ VIEIRA

BOAS FESTAS

Anoiteceu
O sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.

Assis Valente

Assis Valente (1911-1958) foi um genial compositor brasileiro de sambas e marchinhas como “Camisa Listrada” e “E o Mundo Não se Acabou”, popularizados por gravações de Carmen Miranda. “Boas Festas” , escrita em 1932, há 93 anos, tornou-se um clássico da MPB, gravada por Carlos Galhardo, em 1933, e Maria Bethânia em 2006.

Juarez Vieira

Quando Juarezito nasceu no Hospital Santo Antônio de Peçanha, o rádio da enfermeira tocava “Rock Around the Clock”. Ouviu com atenção e nunca mais parou, incluindo o Blues nesta convivência. Vive intensamente, o bastante para se transformar em Enciclopédia, preparado para escrever artigos que irão deliciar. 

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