Não existe festa no mundo como o Carnaval brasileiro, que lota as cidades de norte a sul, cobrindo as ruas e o sambódromo com um tapete de brilho, calor e alegria como apenas o Brasil consegue.
Mas não é só nos blocos que o Brasil festeja bonito: a literatura contemporânea nacional tem nos dado cada vez mais motivos para celebrar. Por isso, em meio às comemorações de festas tão brasileiras, vamos festejar com quatro obras nacionais que fazem tão bonito quanto o Carnaval.
Chuva de Papel, de Martha Batalha
A autora, dona de uma escrita impecável, pontuada de um humor que torna suas críticas ainda mais afiadas, já foi tema de outra coluna do Echo com seu livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão. Em sua obra mais recente, Chuva de Papel, livro semifinalista do Prêmio Jabuti, ela repete a narrativa irresistível e potente, com personagens pra lá de interessantes.
Nesse livro acompanhamos Joel, um repórter aposentado de um jornal sensacionalista, daqueles que escorre sangue se for amassado. Ele é rabugento e carrancudo, o típico personagem que amamos odiar – mas, apesar de ser o personagem central, no fim descobrimos que não é ele o real protagonista dessa história.
Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso
“Estou raptando uma criança.” Essa é a primeira frase de Suíte Tóquio, e é assim que a autora, Giovana Madalosso, te prende desde a primeira página. A raptora, Maju, é uma babá que decide fugir com a criança que cuida. No livro sua voz é intercalada com a de Fernanda, mãe da criança, em uma narrativa que traça fortes críticas sociais em um retrato que é o puro suco do Brasil.
A obra constrói uma tensão crescente que vai te prender até chegar ao final. Não à toa, o livro foi finalista do Prêmio Jabuti em 2021 e foi reconhecido como um dos 100 livros mais notáveis de 2025 pelo jornal The New York Times.
Oração para desaparecer, de Socorro Acioli
Se em A cabeça do santo, livro que já apareceu em uma coluna anterior do Echo, Socorro Acioli constrói uma história leve, que arranca risadas com seus personagens tão singulares, em Oração para desaparecer ela nos presenteia com uma história mais misteriosa, melancólica – e igualmente singular.
Nesse livro conhecemos Cida, uma mulher que acorda sem lembranças em Portugal e luta para encontrar e juntar as peças do seu passado. Mais uma obra da autora marcada pelo realismo mágico, bem como pelo absurdo inspirado em fatos reais. O livro ainda foi finalista do Prêmio Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura.
Véspera, de Carla Madeira
Quão diferentes podem ser dois irmãos gêmeos? E qual pode ser o peso de uma única ação? Carla Madeira é uma das principais autoras do cenário literário nacional e não por acaso: sua escrita é extremamente poética, partindo de histórias cotidianas, mas com personagens muito complexos.
Em Véspera, conhecemos os irmãos Caim e Abel e as amigas Vedina e Veneza. O livro, com capítulos que intercalam presente e passado, apresenta os personagens e suas relações enquanto revela ressentimentos e fragilidades que escalam a intensidade da obra, até culminar em um final arrebatador, do qual não se recupera facilmente.









