Pílulas de Vida do Dr. Enoc*

Publicado em: 30/08/2025 às 14:05

Atualizado em: 31/10/2025 às 11:51

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SABEDORIA  

– Além de não ser fácil, ainda é difícil.

– Expectativa é igual paçoca, do nada esfarela.

– O segredo do negócio é o segredo.

– Não sabendo que era impossível, foi lá e soube.

– Quem não faz nada, não erra.

– Nada é ruim o bastante que não possa piorar.

– Manda quem pode. Obedece quem tem boletos pra pagar.

– Fácil é fazer miojo… Viver é complicado.

– Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades. (Barão de Itararé)

– Quem inventou o trabalho não tinha o que fazer. (Barão de Itararé)

-Dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a pagar as contas da terapia.

– Quando se trata de dinheiro, todo mundo é da mesma religião. (Voltaire)

– Dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, dos diamantes, da platina e das propriedades. (Tom Jobim)

– Dinheiro não nos traz necessariamente a felicidade. Uma pessoa que tem dez milhões de dólares não é mais feliz do que a que tem só nove milhões. (H. Brown)

– Dinheiro compra tudo. Até amor sincero. (Nelson Rodrigues, por Hélcio Zolini)

– Ou nos locupletemos todos ou instaure-se a moralidade. (Stanislaw Ponte Preta, por Hélcio Zolini)

– “Entre sem Bater” – aviso na porta da sala do Barão de Itararé no jornal “A Manha” para os agentes da DIP – Polícia Política do regime de Getúlio Vargas (por Antonio Augusto Soares).

– Tempo é uma grandeza relativa, segundo Eistein. Exemplo: o tempo a considerar depende de qual lado da porta trancada do sanitário você se encontra. (por Antonio Augusto Soares)

– Hipocondria é a única doença que eu não tenho. (Oscar Levant)

– Não frequento clube onde me aceitam como sócio. (Groucho Marx)

– O principal problema do nosso tempo é que o futuro não é mais o que costumava ser. (P. Valery)

– É uma pena que todas as pessoas que sabem governar o país estejam ocupadas dirigindo táxis ou cortando cabelo. (George Burns)

– Pelo amor de Deus, cale a boca e deixe-me amá-la. (John Donne)

– A melhor forma de ficar livre de uma tentação é ceder a ela. (Oscar Wilde)

POESIA DO MÊS

        SE EU PUDESSE TRINCAR A TERRA TODA

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,

Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.

É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…

Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies

Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,

E quando se vai morrer lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies

Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,

Se eu pudesse trincar a terra toda

E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…

Fernando Pessoa (13/6/1888 -30/11/1935) foi o maior poeta português do Século XX. Escreveu usando diversas personalidades denominadas heterônimos. Os principais foram Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. A poesia acima foi indicada como sendo de Alberto Caieiro.

Interessante entrevista da Odette pode ser vista pelo YouTube. Recomendamos. 

FOTOS DA CIDADE E FAMÍLIAS DE PEÇANHA

Jorge da Cunha Pereira Filho possui valioso arquivo, importante documento histórico que pode ser acessado pelo YouTube. 

Video excelente com fotos do período entre 1929 e 1939, link:  Peçanha MG 1929-1939 MP4.mp4

Fotografias cobrindo o periodo de 1902 a 1960:

Fotos dos integrantes dos Electo de Souza e um comentário geral sobre as características da coleção fotográfica

Fotos colorizadas – Fotografias em preto e branco, colorizadas.

Agora são reapresentadas com o realce das cores:

Fotografias principalmente do Século 

Integrantes de algumas famílias, principalmente os Cunha Pereira estão no acervo. 

CENAS DE LÁ

Chico Gangrena, dentista prático, viajava pelas roças com dois alforjes de dentaduras ajeitadas nas bocas pelo caminho. Voltando quase à noite, cansado, só restava uma peça, que não se encaixara em nenhuma boca. Uma senhora o esperava. Ansiosa para ter dentes, insistia em usar, mesmo com as ponderações de que poderia não servir. Sem descer do cavalo Chico encaixou-a como se fecha uma gaveta. Parecia ter servido. 

Recebeu o dinheiro, se despediram e continuou viagem.

 Dias depois um rábula – profissional sem diploma que tinha licença para advogar – lhe informou que fora procurado pela senhora, relatando que comprara uma prótese que parecia ajustada, mas era propaganda enganosa.

A primeira encrenca aconteceu no velório do compadre. A viúva ficou brava porque ela estava rindo.

Depois, chamando as galinhas – tico, tico – a peça caiu na poeira. Mas o pior foi espantar o cachorro:

– “Sai, Feroz”. Palavras com som das letras “s” ou “z” eram mais complicadas. Caiu, mas desta vez não foi perto das galinhas, e o Feroz mastigou pensando que era osso.

Chico fez acordo, moldou outra peça e tudo se resolveu. Agora, o cachorro é que não tem mais sossego:

– “Sai Feroz”

HAI KAIS DO CIRINEU

Talvez sem saber, Cirineu continuou  a tradição dos Hai Kais, tipo de poema de origem japonesa conhecido por sua brevidade e foco na natureza, cujo maior representante foi o poeta Matsuo Bashô (1644-1694). Exemplo de hai kai:                                    

“A chuva fina cai,
Molhando as folhas do jardim,
vento traz paz.”

Preto, elegante, vigia noturno, Cirineu vestia terno cinza, camisa branca, chapéu de feltro, sapatos engraxados. Durante a vigília, criava  hai kais.Enquanto moramos em Peçanha sempre íamos  às obras para ouvir suas poesias, como eram denominadas. Atendia com atenção e paciência declamando as últimas criações. Lu Rassilan observa que Cirineu não apenas produziu  hai kais, mas foi além, acrescentando o non sense.

Abaixo, algumas que conseguimos lembrar:

Subi no pé de coco
pra ver meu bem passar
meu bem não passou 
desci do pé de coco.

Subi no pé de lírio, 
Pra apanhar lírio pra ela
A galha do lírio quebrou. 
E eu caí nos braços dela.

Eu de cá, você de lá,  
ribeirão passa no meio.
você de lá deu um suspiro
Eu de cá, tibum d’endágua

Eu de cá, você de lá,  
ribeirão passa no meio, 
quero lhe perguntar  
se traíra tem pescoço.

A lua já vem 
vermelha que nem goiaba.
Esperei você não veio 
Pus farinha e comi.

A lua vem nascendo  
redonda que nem quiabo, 
fizeram a cama curta 
dormi com os pés de fora.

A lua vem surgindo, 
redonda que nem um queijo, 
se não gostavas de mim, 
por que deixou vender minha égua?

Menina dos olhos verdes, 
da cor da pedra de anil,
por causa dos seus olhos, 
vai ter guerra no Brasil.

Lá atrás daquela serra 
passa boi
passa boiada.
Nossa, que movimento!

Plantei um pé de amendoim
no campo da Chapada  
para dar sombra
à assistência.

Meu amor,  de saudade
Não abotoo mais meu colete.
Vi descendo rio abaixo 
Um casal de pato macho.

POR ONDE ANDA GUILHERME MARQUES?

Nascido em Peçanha, cidadão do Mundo, é o idealizador da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – MIT. Um evento tão importante, que também foi realizada a Mostra em Lyon, na França e será realizada em Edimburgo, na Escócia, no mês de setembro. Como foi dito na edição de maio, “Guilherme Marques é Nota 10”

(*) A alfaiataria do Enoc, mais do que no consultório médico, era onde tratávamos da saúde. Não com remédio mas com muitas risadas vindas do seu humor irreverente e espirituoso. 

Uma vez o Monsenhor Amaral, preocupado com suas farras, chamou-o para confessar, dizendo que se continuasse levar aquela vida fatalmente iria para o inferno. Com o devido respeito, respondeu:

– Me perdoe, Monsenhor, mas já sofro muito aqui na Terra e não quero ir para o Céu. Passar a eternidade colhendo margaridas, andando pelos gramados enormes, levantando às 5 horas para ir à missa, comer biscoito do Rio e tomar Q-Suco. À noite, ouvir a Da. Lilita e Da. Candida tocar violão e bandolim. 

No inferno é farra todos os dias eternamente. Vou prá lá. 

Contrariando sua vontade certamente está no Céu, pois nunca fez mal a ninguém. Com suas asas soltando penas…

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

Odette Castro

Artista, escritora, ativista da inclusão e palestrante. Criadora dos projetos Uma Flor por Uma Dor e Letramento de Comunicação Inclusiva Mãe e Vó.

Wilson Oliveira

Wilson Oliveira - Mestre em Artes pela UFMG. Professor aposentado da UFOP onde ocupou o cargo de Pró Reitor Adjunto de Extensão. Diretor do Grupo Teatral Encena com o qual desenvolve pesquisas na área de Artes Cênicas. É torcedor do América Futebol Clube.

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Uma resposta

  1. Fala sério, ainda não sei como só agora tive acesso ao echo.
    Muito informativo, super agradável de ler e o melhor, resgata histórias, personagens e valores que não podem ser esquecidos de forma alguma.
    Meus parabéns as mentes brilhantes idealizadores e restauradores dessa pérola.

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