Pílulas de vida do Dr. Enoc (*)

Publicado em: 28/12/2025 às 14:44

Atualizado em: 29/12/2025 às 12:22

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O Pensador - Rodin

SABEDORIA

– Somos observados por olhos atentos que se fingem distraídos. (Anônimo, citada por Glória Magalhães)

– Deus é injusto, pois criou sérios limites à inteligência dos homens, mas nenhum a sua burrice. (Adenauer)

– Observando a quantidade de mercadorias à venda, Sócrates dizia a si mesmo: De quantas coisas não tenho necessidade. (Diógenes, citado por Rafael Albernaz no livro palavras, palavras, palavras)

– A riqueza não traz felicidade. A pobreza muito menos. (Millor Fernandes, idem)

– Fui pobre e fui rica. Ser rica é melhor. (Sophie Tucker)

– Se você tem de perguntar quanto custa, é porque não pode comprar. (J. Pierpont)

– O mais desperdiçado dos dias é aquele em que não se riu. (Chamfort, por Rafael Albernaz)

– Eu faço objeção a uma série de coisas: loção após barba, adultos que andam de skate, pessoas com bronzeado artificial ou preenchimento labial. Mas não ando por aí desfraldando bandeiras ou tentando mudar a lei. (Fran Lebowitz)

– Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem. (Millor Fernandes)

– O principal problema de nosso tempo é o de que o futuro não é mais o que deveria ser. (Paul Valéry)

– Garfo, s. m. Um instrumento usado principalmente para se levar animais mortos à boca. (Ambroise Bierce)

– Infeliz é o povo que precisa de heróis. (Bertolt Brecht)

– Quando os fanáticos tomam o poder, não há limite para a opressão. (H. L. Mencken)

– Todo governo é dirigido por mentirosos e nada do que ele diz é digno de crédito. (I. F. Stone)

– Sucesso e fracasso são ambos difíceis de suportar. Com o sucesso vêm as brigas, o divórcio, as viagens, a meditação, a depressão, a neurose. Com o fracasso, vem o fracasso. (Joseph Heller)

– O fracasso lhe subiu à cabeça. ((Wilson Mizner)

– Só é realmente livre e independente quem conseguir não se ofender com o sucesso alheio. (Dante Pazanezi)

– As Malvinas foi uma guerra entre dois carecas por causa de um pente. (J. L. Borges)

– A guerra, a princípio, é a esperança de que a gente vais se dar bem; em seguida, é a expectativa de que o outro vai se ferrar; depois, a satisfação de ver que o outro não se deu bem; e, finalmente, a surpresa de ver que todo mundo se ferrou. (Karl Kraus)

– A esperança é um urubu pintado de verde. (Mário Quintana)

TRANSEUNTES NA MADRUGADA

Na mesma pracinha retratada com com doçura pela Kátia, na edição de novembro, reuniamos nas madrugadas para conversar fiado e presenciar situações inusitadas.

Como no dia em que um amigo nosso apareceu nu em pêlo, como Adão antes de comer a maçã. Ele explicou que  fizera uma aposta como o Raul Cu Chato de que poderia sair pelado às três horas e ninguém daria notícia. Aliviados pela explicação, informamos que infelizmente ele perdera a aposta, pois éramos 9 ou 10 testemunhas e não haveria tapetão.  

Em outra ocasião, aí sim, ninguém saía à noite devido ao boato do fantasma que andava pela cidade vindo do cemitério. Apareceu com chapéu, capa e guarda chuva usados pelos cavaleiros, cobrindo quase todo corpo, óculos escuros e vela dentro do invólucro que lhe mantinha acesa. Fomos atrás para conferir mas, como saiu correndo, concluímos que seria um fantasma de pau oco. Se é que existe esta categoria.

A GERAÇÃO Z NÃO CONHECE

PAPEL CARBONO

Tinha uma camada de tinta de um lado para reproduzir as imagens e sujar a roupa. Aluísio Rassilan jura que havia um funcionário da Prefeitura que trabalhou 35 anos sem manchar  a manga da camisa branca. Era guardado em caixinhas de papelão no armário de aço Fiel, junto aos demais apetrechos:  a mola de furar papel, grampeador, mata-borrão e a máquina de etiquetar Dymo, que fez sucesso quando apareceu. O papel ia enfraquecendo à medida que usava, mas o pessoal substituía somente  quando não conseguia ler mais nada e tínha de fazer muita força.

PIEDOSO DEMAIS, ATÉ!

Tivador Kosztka – O Velho Pescador (1902)
(Esta pintura assimétrica esconde duas imagens: olhando pelo lado esquerdo o homem  está orando com semblante místico; olhando do lado direito, há uma imagem do Diabo.)

Transcrevemos abaixo parte do livro fundamental do Oscar Vieira da Silva (“Peçanha – Breve Notícia Histórica da Fundação da Aldeia de Santo Antônio do Bom Sucesso do Descoberto do Peçanha” – Edições Traquitana – 2001, páginas 135 e 136 ). Percebemos que não é de hoje que pessoas que se dizem inspiradas em Deus praticam atrocidades para alcançar benefícios próprios.  

“Em carta não assinada, provavelmente datada de 30 de junho de 1827, atribuiu-se comportamento arredio aos indígenas da tribo dos Nacnenuque  em relação à aproximação dos brancos, porque:

‘tinham na memória as cuelidades praticadas para com eles por um ex-alferes que foi o primeiro comandante daquela Divisão chamado Januário Vieira Braga, um vil fanático, carregado de insígnias respeitáveis da religião, fazendo antes de atacar rezar uma longas ladainhas aos seus algozes, e depois de lhe trazerem imensos prisioneiros dos desgraçados índios, devotamente, e a sangue frio, lhes cortava as cabeças com um grande facão, que trazia à cintura.”

HISTÓRIA 1: ANTONIO GRAMSCI E  O INTERREGNO

Hieronymus Bosch – O Jardim das Delícias Terrenas (1490-1510?)

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho morre e o novo não pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem.” (Antonio Gramsci –  Cadernos do Cárcere).   

Ele denomina  interregno a fase em que uma velha ordem social está morrendo e uma nova ainda não tem força para nascer. Nela surgem os “sintomas mórbidos” e os “monstros”, fenômenos e pessoas inerentes à crise e desordem que ameaçam a estabilidade da sociedade.

As instituições que compõem a organização social perdem sua eficácia. Mas o novo ordenamento social ainda não tem força para prevalecer. Neste período há grande instabilidade que favorece o aparecimento de “monstros” que atuam com as forças políticas e sociais reacionárias e extremistas, tirando proveito da situação. Ele exemplifica com a ascensão do Fascismo na Itália da sua  época.

HISTÓRIA 2: O MITO DO SEBASTIANISMO

Dom Sebastião

Em Portugal, o “Sebastianismo”  era a crença de que o mito  Dom Sebastião, morto na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578 retornaria para salvar o país. A fé  no “mito salvador”  aparece nas mais diversas culturas, religiões e ideologias políticas, baseada na expectativa de que uma figura messiânica salvará um grupo de pessoas, nação ou a humanidade de ameaça criada artificialmente para difundir o medo. O mito salvador deve ser uma pessoa carismática que convence o grupo da sua capacidade para levá-lo à redenção. Ele geralmente aparece nas épocas de instabilidade social, como o nazismo e o comunismo, e embora nunca tenha funcionado, o mito sempre volta. Para desaparecer quando o povo entende que foi enganado.

*A  alfaiataria do Enoc, mais do que no  consultório médico, era onde cuidávamos da saúde. Não com remédio, mas com muitas risadas e seu humor irreverente e espirituoso. Segundo Fernando Simões, esta era sua agenda semanal: segunda-feira: receber o pano, terça-feira: molhar o pano, quarta-feira: o pano seca, quinta-feira: passar o pano, sexta-feira: riscar  o pano, sábado: “no sétimo dia, o homem descansou”,  domingo: ressaca e futebol.

Boêmio, gostava das coisas boas, incluindo as biritas. Preocupado com sua vida, certa vez o Monsenhor lhe disse que  deveria frequentar a igreja. Ele respondeu:

 – “Mas lá só o senhor é quem bebe!”

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

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