Frankenstein

Publicado em: 27/11/2025 às 16:11

Atualizado em: 27/11/2025 às 16:11

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Frankenstein
2025 ‧ Terror/Ficção científica
Guillermo Del Toro

Será mesmo que Frankenstein de Guillermo Del Toro é um filme de terror? Prefiro chamá-lo de fábula gótica. O filme conta com a experiência visual do diretor, ganhador do Oscar por “A Forma da Água”. Na adaptação do clássico de Mary Shelley – fica óbvio o talento inegável de um mestre.

O filme é longo, mas como não se surpreender no caminho com a narrativa, a estética, e até mesmo com a beleza do horror? O texto, o figurino, a trilha sonora, os cenários – tudo é grandioso.

A fotografia é belíssima, assinada por Dan Laustsen, parceiro de longa data de del Toro, juntos eles criaram um filme que abraça a escuridão sem medo. Para ele, o filme é essencialmente uma história sobre amor e perdão, muito mais romântica do que aterrorizante, e isso está impresso visualmente, as referências não vieram de outras adaptações – mas de pinturas de Caravaggio, sombras profundas, e dramaticidade!

Sobre a trama especificamente – o clássico é reinventado, o monstro é transformado em símbolo de humanidade. O clássico do horror gótico ganha uma dimensão profundamente humana, a história de um homem incapaz de lidar com suas feridas emocionais e de uma criatura que nasce em busca de amor. A narrativa se torna, assim, um retrato pungente das relações entre pais e filhos, da dor do abandono e do poder do perdão.

Temos assim um embate entre criador e criatura, Oscar Isaac e Jacob Elordi tem bom desempenho para além da caricatura. Levam bravamente para as telas as questões em torno da infância, relações familiares, jogos de poder, dor, redenção, amor versus ódio e também perdão, tudo está ali no universo da obra. Alguns diálogos, mesmo quando diretos e simples, juntos ao contexto do filme, trazem pra nós, público – a complexidade humana.

A relação entre eles ultrapassa a ficção científica para tocar em algo universal: os abismos que surgem quando o amor e o compromisso falham na origem. Em sua essência, Frankenstein del Toro é sobre perdão. Perdão ao que fomos e ao que não conseguimos ser.

Guillermo del Toro (O Labirinto do Fauno) sempre foi atraído por monstros e por criaturas fantásticas. Esta versão de Frankenstein nos convida a contemplar a fragilidade da condição humana: a monstruosidade aqui não está só no monstro, mas também no criador; del Toro dá à história um romantismo gótico inconfundível, um deleite visual: as cores, as sombras, a poesia.

O clássico do horror, então se torna divino, uma fábula sobre o divino, sobre o brincar de Deus. Há redenção, sofrimento, amor e ira! Elizabeth, interpretada por Mia Goth, surge como contraponto simbólico: amor, acolhimento e presença.

Visualmente, Frankenstein é o que se espera do cineasta mexicano. Um espetáculo, opulência, tudo é grandioso e belo, mesmo quando é decadente e sombrio. Realmente o filme atravessa o tempo, as sombras e luzes pulsam vida e morte.

2h30 de duração, o filme cumpre seu papel poético, transformando terror e escuridão em combustível humano, mesmo as cenas de violência não me parecem gratuitas. Frankenstein tem certamente muito mais pontos positivos do que negativos, e vale ser visto com cuidado! Frankenstein é um deslumbre visual.

É possível que na temporada de premiações, o filme ganhe muito destaque – figurino, direção de arte, fotografia, caracterização – prêmios técnicos possivelmente levarão para casa – tudo isso o filme tem de sobra em excelência. Certamente os prêmios virão! A produção é tecnicamente impressionante.

O diretor reúne um elenco estrelado e pop: Oscar Isaac, Jacob Elordi, Mia Goth, Christoph Waltz. Uma curiosidade: Mia Goth é neta da atriz Maria Gladys, presença constante nas telas brasileiras desde a década de 1960.

Frankenstein está disponível na Netflix.

Thiago Rodrigues Leão

Thiago Leão, formado em Publicidade/UniBh. Formado em História da moda no Museo de la Historia del Traje, Buenos Aires. É um eterno curioso da Comunicação, ama cinema, séries e documentários. Atualmente trabalha na Comunicação da Prefeitura Municipal de Peçanha.

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Respostas de 5

  1. O filme plagia Moby Dick, a história da baleia branca que nada em direção ao Polo Norte perseguida pelo capitão Ahab. A argumentação é pouco criativa, a história é pobre. Computação gráfica é o de sempre, mostrando ações que só no computador se faz . O filme é válido como entretenimento, embora pouco ou nada traga de novo.

  2. O Thiago inicia comentando os aspectos técnicos e questões relacionadas ao filme para continuar com as metáforas da vida. Lembrei-me do Paulo Emílio Sales Gomes (1916/1977), um dos maiores criticos brasileiros, principal responsável pela criação da Cinemateca Brasileira, que fazia a mesma trajetória. Thiago Leão – nosso grande crítico.

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