Rua Saldanha Marinho ( Bairro da Bomba)
Dando continuidade à série sobre a origem dos nomes das ruas e bairros de Peçanha que guardam histórias afetivas, curiosas e reveladoras do imaginário coletivo e da vivência de seus moradores, hoje falamos sobre os bairros Bomba, Funda, um acontecimento romântico no Parque Mãe D’Água e uma visão mais ficcional da famosa Rua dos Cachorros.
Bairro da Bomba
O bairro Bomba, um dos mais tradicionais de Peçanha, guarda diferentes versões sobre a origem de seu nome, todas carregadas de memória e pertencimento.
Uma das hipóteses mais contadas é a de que a área onde hoje se localiza o bairro pertencia ao pai de João Bomba, morador conhecido na cidade. Segundo essa versão, a doação do terreno ao município teria dado origem ao nome da região, que cresceu e se desenvolveu ao longo dos anos.
Outra explicação bastante popular relaciona o nome à instalação da primeira bomba de gasolina de Peçanha, próxima ao antigo chafariz, nas proximidades da casa do senhor Juca Braga, figura muito lembrada pelos mais antigos.
Hoje, o bairro Bomba é símbolo de alegria e tradição. Famílias que emigraram em busca de melhores condições de vida, criaram ali os seus filhos exercendo variadas profissões como o carteiro Pedro Linhares, o alfaiate Tote Clementino, o militar Matuzalém Pereira de Oliveira e o comerciante Raimundo Nonato dos Santos. Seus moradores, conhecidos pelo espírito festivo, fazem do local um dos centros culturais da cidade, com instituições públicas educacionais de referência e uma Escola de Samba das mais animadas da cidade.
Autor: Raimundo Nonato Braga
Bairro Funda
A origem do nome “Funda” não é totalmente conhecida. A hipótese mais aceita é que a denominação esteja relacionada à topografia do local, situado em uma das partes mais baixas da cidade.
Outra versão, de caráter mais ancestral, sugere que “funda” venha de “cacunda”, indicando que o bairro teria sido um dos principais acessos ao primeiro vilarejo do Descoberto, caminho percorrido por antigas caravanas que subiam pelo Rio Suaçuí Grande.
Um antigo morador do Funda era o Sr. Quim Eleto, proprietário de uma fazenda onde terminava o bairro. O Funda também era famoso pela beleza de suas moradoras, com destaque para Marina, uma linda moça de cabelos cacheados, olhos verdes e ótima jogadora de vôlei e do Bar do Rafael e seu inconfundível pé de porco.
Autor: Raimundo Nonato Braga
Mãe d’Água
A primeira vez que estive em Peçanha era julho de 1977. Moça “de família” que era, só tive autorização dos meus pais para a viagem porque estaria acompanhada da família do Antônio Augusto. Conhecendo a cidade e as histórias natais do meu namorado, chegamos à Mãe d’Água. Completávamos dois anos de namoro naquela data e, como muitos casais apaixonados, ferimos uma árvore gravando nossas iniciais dentro de um coração. Era tempo de sonhos, planos, desejos e ilusões. Retornando por lá, no ano de 2022, visitamos a reserva, e tentei, em vão, encontrar a nossa árvore testemunha.
Passados 45 anos, seguimos lado a lado, e a vida continua sendo lugar de sonhos, ilusões, realizações, fatos e acasos. A quem for por aquelas bandas, recomendo apreciar aquele cantinho da natureza. E sonhar.
Autora: Pri Varella
Rua dos Cachorros
O hábito de uma cidade inteira não pode ser quebrado pelo silêncio. Houve uma rapariga que fez considerável progresso na vida alegre da cidade. De baixa estatura, quadris largos e busto cheio, simpática, embora feia de feições, viveu a vida excitante de Peçanha.
Não há exagero em dizer que várias gerações frequentaram a “escola de melão”. Reconheciam nela a única autoridade no assunto. introduziu profundos ensinamentos na vida dos jovens debutantes; aos quais manifestava especial atenção sem, contudo, deixar de agradar também, velhos respeitáveis.
Sua discrição era elogiável. Jamais deixou transparecer qualquer ato que comprometesse seus frequentadores.
A casa modesta e empoeirada ficava na rua dos Cachorros. Um pé de guiné plantado debaixo da janela familiarizava o ambiente. Na parede caiada da casa, um quadro retangular com inscrição bem legível conquistava um lugar de honra: “Deus esteja nesta casa”.
No quarto acanhado, um catre rangente fora do alinhamento. Na mesa tosca a luz mortiça da lamparina iluminando a tímida imagem de São Jorge dava à alcova uma aparência quase religiosa. Sobre a canastra amarela, uma bacia e um jarro esfolado, de ágate branco. Dois pregos fincados na parede, ladeando a folhinha Mariana. Apenas isto.
Enquanto dentro de casa os minutos se arrastavam lentamente, fora, uma grande ansiedade causava aos iniciantes sensações de medo e apreensões.
A casa não mais existe, mas a lembrança da pequena rua onde passavam seus frequentadores, faz ainda reviver as encantadas horas dos primeiros desejos e emoções.
Autora: Eneida Melo












Uma resposta
Incrível como um bairro, uma reserva e uma rua – Funda, Mãe D’Água, Cachorros – podem contar história e nos fazer alçar voos memoriais. Gostei!