Pílulas de Vida do Dr. Enoc

Publicado em: 30/09/2025 às 08:30

Atualizado em: 03/10/2025 às 12:05

Compartilhe

O Pensador - Rodin

SABEDORIA

Cada um carrega o seu DESERTO. (Álvaro Moreyra)

A ABSTINÊNCIA é uma boa coisa, desde que praticada com moderação.

Certa vez fiquei tantos minutos SEM BEBER me senti como se alguém tivesse pisado em minha língua com o pé sujo de barro. (W. C. Fields)

Um JURI  é um grupo de ministros escolhidos para decidir quem tem o melhor advogado. (R. Frost)

A COVID é um vírus. Vírus são organismos vivos. Como, para a Igreja Católica, todos os vírus são criaturas de Deus, isto coloca os da Covid na mesma categoria dos esquilos, rouxinois e ursinhos panda. (Bárbara Gancia)

As pessoas andavam tão em pânico por causa da COVID que começaram a ver riscos de contaminação até numa galinha ao molho pardo. O que, naturalmente, é ridículo – a não ser que a galinha estivesse com COVID. (Perry White)

Meu pai era ALFAIATE. Podia não ser grande coisa na profissão, mas numa coisa era único: tinha horror à fita métrica. Dizia que a fita métrica era coisa de papa-defuntos. Era fácil reconhecer os fregueses de papai na rua. Todos tinham uma perna mais curta ou um braço mais comprido do que o outro. (Groucho Marx)

Molière tinha um AVÔ que gostava de comédias. Isso explica o mundo inteiro. Havia um avô. O resto é consequência. (Álvaro Moreyra)

Ninguém até hoje perdeu dinheiro por subestimar a inteligência do POVO AMERICANO. (H. L. Mencken)

AMA o teu próximo. E, se ele for alto, moreno e bonitão, será muito mais fácil. (Mae West)

O mais nobre de todos os CACHORROS  é o cachorro-quente: ele alimenta a mão que o morde. (L. J. Peter)

Não frequento clube que me aceita como SÓCIO. (Groucho Marx)

É muito fácil CONFORMAR com o que tem. Difícil é conformar com o que não tem (Millôr Fernandes)

DÚVIDAS

Vereador ditava o texto para a secretária datilografar. Diante de uma incerteza, ela pergunta: – “Sexta feira é com x ou com s? “ Ele pensou, pensou e respondeu: – “Muda prá sábado”.

A esposa do Homem Público é Mulher Pública?

Os espelhos de hoje não têm a mesma qualidade dos antigos. Esta dúvida aumenta, à medida que ficamos mais velhos.

Quando uma mulher diz: – “Meu bem, podemos ir”, quer dizer que ela já vai? (Millôr Fernandes)

1 – DO COMÉRCIO

 Ele também não viu o meu relógio

Alberto Vizzotto

Meu avô era um sujeito conhecido na minha terra por ser o dono do moinho de fubá e quirela (milho triturado grosso para dar de alimento à galinhas) e por ser uma pessoa que gostava de fazer “rolo”

Naquela época, a conotação de “rolo” era diferente dos dias  atuais. Rolista era o indivíduo que fazia negócio com tudo que aparecia pela frente. Comprava, vendia, mas principalmente, fazia trocas. Trocava um par de sapatos sem ou com pouco uso, por umas boas caçarolas ou por uma espingarda velha.

Nós, eu e meus irmãos, gostávamos quando entrava no negócio, uma égua ou um cavalo, pois era a certeza de que poderíamos andar pela cidade imitando os mocinhos do velho oeste ou poder ir nadar no córrego do Giradi.

Meu avô era mestre nisso. Ele se gabava aos quatro cantos de nunca ter sido enrolado. Era o Rei da Esperteza.

Nas noites quentes, ele costumava sentar-se com minha avó e seu inseparável rádio de pilhas (que também era objeto de “rolo“), em frente à sua casa, para apreciar o movimento. Era praticamente cego, em virtude de uma catarata que insistia a cada dia, tirar-lhe a visão (naquela época não existia cirurgia). Tinha tanta vontade de voltar a enxergar, que certa vez fez meu pai viajar com ele, de Colina até Congonhas – MG  – quase 700 km – para fazer uma consulta com o Zé Arigó, na esperança de ser “operado” pelo espírito do Dr. Fritz. Voltou frustrado.  

Numa dessas noites, apareceu um rapaz em uma bicicleta e lançou -lhe  um desafio: queria fazer um rolo. O velho Vizzotto, como era chamado, logo se interessou pela bicicleta do rapaz, e assim por um bom tempo foram fazendo propostas um ao outro e, por fim, chegaram num acordo: o rapaz trocaria a sua bicicleta por um relógio de pulso.

Feliz pela troca, lá foi o rapaz com o relógio no pulso, deixando a bicicleta. Assim que o rapaz virou a esquina, minha avó, atrás de sua sisudez, questionou-o :

– Alberto (ela o chamava assim) você fica fazendo rolo no escuro, nem  viu a bicicleta do rapaz!

Imediatamente, sem pestanejar, respondeu:

–  Ele também não viu o meu relógio!

Por essas e por outras, é que o velho Vizzotto consolidou-se como o maior Rolista que Colina já conheceu.

Autor: João Vizzotto

2 – DO COMÉRCIO

Casa da Careza

A CASA DA CAREZA, do Seu João Gomes, no início da rua da Fonte Grande concorria com A CASA DA BARATEZA, do Major Marcellino Baptista de Queirós, na rua Teophilo Ottoni n. 4.  Abaixo, a imagem restaurada  da primeira e um reclame da segunda, publicado pelo Echo da Matta de novembro de 1891.

 SERVICINHOS DO ALÉM

Havia grande expectativa do que poderia acontecer com Seu Didico, estimado por todos, lutava contra um câncer que, para tristeza geral, estava vencendo.

Ao chegar da repartição José não encontrou o canivete Corneta. Aflito, pediu ajuda à Maria, sua mulher.

– Maria, Maria! Perdi meu canivete. Me ajuda.  

– Estou fazendo almoço e não tenho tempo de ficar procurando canivete

 Pede para as almas lhe ajudarem.

– Ah, já sei quem vai me ajudar. Vou pegar com Seu Didico.

– José, você é doido? Seu Didico não morreu!

– Não morreu, mas esses servicinhos pequenos ele já anda fazendo.

(Os nomes foram alterados, por motivos óbvios.)

CARRO FANTASMA

Jeep com o José Macias ao volante

José Macias (o nome talvez tenha sido homenagem ao Pepe, ponta esquerda do Santos), era baixo e por não ser visto no seu Jeep Willys, este era conhecido como Carro Fantasma. Descendo o Morro da Gangorra à noite, um bezerro passou em sua frente, perdeu o controle e o carro tombou numa vala. Naquele breu, para ter idéia dos estragos, riscou um fósforo. Com a gasolina vazando, o fogo tomou conta e o carro mudou de fantasma para cinza. (Aluísio Rassilan Braga)

A GERAÇÃO Z NÃO CONHECE 

1 – ENCERADEIRA

Não havia piso de carpete, mármore ou laminado. Somente taco ou tábua corrida, religiosamente encerados na sexta-feira, logo após chegarmos da escola. Só  jogávamos bola depois de encerar o chão. Primeiro passava palha de aço, depois cera Parquetina e, finalmente, o escovão pesado. Para não sujar o chão estendiam-se jornais pela casa que rasgavam logo, logo.

Graças a Deus chegaram as enceradeiras e fomos liberados da função para não correr o risco de estragá-la. Nossas mães tratavam o aparelho com grande apreço e possuíam um lugar reservado no armário da copa. O progresso continuou, trazendo o Synteko, que não exigia mais  palha de aço e cera. Assim, até as enceradeiras passaram a trabalhar com mais folga.

2 – CATÁLOGO DE TELEFONE

Era grosso, dividido em ordem alfabética, por endereços e páginas amarelas. Chegava no final do ano, cheirando tinta e algumas páginas pregadas, que meu pai separava cuidadosamente com lâmina de cortar papel. A sua chegada parecia anunciar as festas e era colocado numa mesinha ao lado do telefone, junto ao cinzeiro. Toda vez nossas mães censuraram: “Vamos ver se neste ano vocês não arruinam este!” Com o tempo as pontas das páginas começavam a dobrar, alguém riscava endereço da oficina de brinquedos, a capa faltava pedaço, até chegar a duras penas no final do ano, arruinado. E a história se repetia: o Pedro Carteiro chegava com o novo, devolviamos  o arruinado, meu pai separava as páginas….

VIVA O POVO BRASILEIRO (**)

Bater palmas para o povo brasileiro!

itaucultural.org.br – atlas ambulante 2011

https://www.itaucultural.org.br/sites/cidadegrafica/atlas-ambulante.html

(**) Clique no link e role para cima até chegar nos vídeos. Ou, então, copie o link e cole no Google.

(*) A  alfaiataria do Enoc, mais do que no  consultório médico, era onde tratavamos da saúde. Não com remédio mas com muitas risadas vindas do seu humor irreverente e espirituoso. Era boêmio e gostava das coisas boas, incluindo as biritas. Preocupado com esta vida, certa vez o Monsenhor lhe disse que  deveria frequentar a igreja. Ele respondeu:

 – “Mas lá só o senhor é quem bebe!”

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

João Aberto Vizzotto

João Vizzotto nasceu em Colina, São Paulo. Depois de formado em Direito, um concurso público o levou para as Minas Gerais, ha mais de 40 anos. Casado com Ana Maria, têm 3 filhos. Curte a vida de aposentado viajando e lendo os livros dos meus amigos escritores.

Compartilhe

Uma resposta

  1. O Vizzotto traduz com maestria o jeito da cidade do interior naquele tempo. E seus personagens memoráveis.

Deixe um comentário para Francisco França Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *