Durante as décadas de 1940 e 1950, o blues consolidou-se como uma das expressões musicais mais autênticas da cultura afro-americana. Proveniente do sul dos Estados Unidos, o gênero evoluiu com a migração de músicos negros para centros urbanos como Chicago, onde nomes como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, B.B. King, John Lee Hooker e Willie Dixon desenvolveram o blues elétrico. Apesar da relevância artística, esses artistas permaneceram marginalizados no contexto norte-americano, com pouca difusão fora das comunidades negras. A sociedade estadunidense, ainda marcada pela segregação racial, não reconhecia plenamente o valor cultural do blues (GURALNICK, 1986).
Nos anos 1960, entretanto, um fenômeno inverso começou a ocorrer na Grã-Bretanha. Jovens músicos britânicos, influenciados por discos importados e programas de rádio que transmitiam gravações de selos como Chess Records e Vee-Jay, passaram a se fascinar pela sonoridade e pela expressividade emocional dos bluesmen norte-americanos. Figuras como Alexis Korner e Cyril Davies, considerados pioneiros do movimento, foram fundamentais para difundir o blues em clubes londrinos e inspirar grupos emergentes como The Rolling Stones, The Yardbirds, The Animals e John Mayall & The Bluesbreakers (PALMER, 1981).
Esse processo, conhecido como British Blues Boom, teve importância dupla: de um lado, promoveu a valorização estética e cultural do blues, reinterpretando-o com uma nova roupagem elétrica e agressiva; de outro, possibilitou o reconhecimento internacional dos artistas afro-americanos que haviam sido negligenciados em seu próprio país. Gravações como “Little Red Rooster” (Howlin’ Wolf), regravada pelos Rolling Stones em 1964, e “Crossroads” (Robert Johnson), reinterpretada por Eric Clapton com o Cream em 1968, exemplificam como o repertório do blues foi incorporado à linguagem do rock britânico, servindo de base para a formação do rock moderno (MILLER, 2013).
A repercussão desse movimento foi tamanha que muitos bluesmen americanos passaram a excursionar pela Europa e pelos Estados Unidos com o apoio de bandas britânicas. O caso emblemático é o de Muddy Waters, que, após ser reverenciado por músicos ingleses, experimentou uma revitalização em sua carreira e maior visibilidade junto ao público branco americano. Essa revalorização levou críticos e historiadores a reconhecerem o blues como uma das matrizes fundamentais da música popular do século XX, com impacto decisivo na formação do rock, do soul e de outros gêneros contemporâneos.
Assim, pode-se afirmar que a valorização dos bluesmen americanos pelos músicos britânicos na década de 1960 representou um movimento transatlântico de ressignificação cultural. O blues, que havia nascido como expressão do sofrimento e da resistência negra nos Estados Unidos, tornou-se, por meio da mediação britânica, um símbolo universal de autenticidade artística e liberdade criativa. Paradoxalmente, foi necessário que o blues cruzasse o Atlântico para ser devidamente reconhecido em sua terra natal.
GERALDO MAGELA É NOTA 10


Querido leitor, Querida leitora,
Numa quebra de protocolo literário, Odette toma a liberdade de transcrever a entrevista do músico Geraldo Magela Eleto de Sousa, 96 anos, de pura lucidez, como seu relato ao Juarezito.
“Comecei a tocar violão aos 18 anos, só de olhar as pessoas que iam tocar na nossa casa. Aí me juntei com o Leonel e com o Bené e formamos um trio. Fazíamos muitas serenatas, sempre regadas a uma bebidinha… e também animamos muitas festas na cidade.
Depois criamos um conjunto com oito componentes, entre eles Tiburcinho, grande saxofonista; Zé Rodrigues, da Prefeitura; Agostinho, de Santa Maria do Suaçuí; Milton Perpétuo, no contrabaixo; e Wilson, na bateria. Tocamos no Clube Cacique, que tinha como diretor o Zé Melo, e também em muitas cidades, como São João Evangelista, Guanhães, Santa Maria do Suaçuí, Governador Valadares, Diamantina e tantas outras.
Toquei muito também no Clube do Zé Cavaquinho e, abaixando a voz com um sorriso maroto, digo que toquei também na região boêmia da cidade. Fiz serenata para Ciganinha…
Da nova geração de músicos da cidade, tive o orgulho de ensinar um pouquinho do que sei para João Nunes, Washington e o Tim, que já faleceu. Considero o músico de Guanhães, Rivadavia — pai do também músico Juarez Moreira — um craque!
Até hoje me arrisco a tocar um pouquinho por dia e prefiro as músicas antigas: bolero, samba-canção, valsa. Depois desse tal de ‘ié-ié-ié’ a coisa piorou muito…
Guardo com carinho o violão que ganhei do Auzier e sou sempre grato ao prefeito Zé do Altino, que me contratou para trabalhar como fiscal da Prefeitura, onde me aposentei depois de 36 anos de trabalho.
Para mim, o melhor time do Brasil é o Fluminense. E também joguei nos times de futebol de Peçanha, de 1948 a 1950.”
Este é o Magela. Admirável figura humana, representa magistralmente a nossa cultura, com sabedoria e competência.










Respostas de 8
Grande Magela!
O Echo tem essa feliz mania: proporcionar aos pecanhenses ausentes, como eu, a alegria de rever amigos inesquecidos. No número anterior li sobre o Braguinha, grande companheiro, neste a gente vendo e ouvindo esta ilustre figura, amigo de velha data, nosso Baden Powell paneleiro.. Magela é e sempre foi quase impecável: hoje escorregou dizendo sobre o Florminense… Nós somos do Clube Atlético Mineiro, saudoso violonista… Um abraço forte..
Obrigado, Rubens.
Nessa trilha, acho que o próximo passo seria o Echo ter a alegria de rever amigos como você.
Obrigado a vc, Amigo roqueiro como eu. A gente sai do Peçanha, mas o Peçanha nao sai da gente. Um abraço, extensivo a Aline e o Coló…
Obrigado a vc, Amigo roqueiro como eu. A gente sai do Peçanha, mas o Peçanha nao sai da gente. Um abraço, extensivo a Aline e o Coló…
Magela e Juarezito, meus ídolos.
Quando morei em Peçanha frequentava os ensaios dos dois conjuntos da época(entre 1970 e 1972).
Nadinho, meu amigo, era um dos guitarristas nos dois. No que era liderado pelo pedrinho do bar ele tocava com o Magela.
Uma fato que não me esqueço ocorreu na varanda da casa do Zé Murreta, a Música “Menina da Ladeira, composta por João Só, era o sucesso da época, pedí ao magela pra tocá-la e eu a cantei. Em seguida ele me ensinou os acordes.
Guardo esta lembrança com muito carinho.
Salve Mestre Magela, sempre.A minha eterna gratidão,por todos os ensinamentos,pela paciência com este aprendiz,que sou até hoje. Tocando sozinho, ou em grupo,sempre aquela aula,pra todos que prestaram atenção.Músico, que sempre me emociono ao falar dele.Os
sinceros parabéns pelo registro !
Abraço à todos !!!
Rapaz, esse jornal é muito bom. Amei o conteúdo! Grande e admirável Magela; também o Ausier Vinícius, nosso conterrâneo magistral no cavaquinho de Valdir Azevedo…