No mês em que comemoramos o dia internacional das mulheres, fica aqui um convite à reflexão: você anda lendo livros escritos por mulheres?
A literatura é um poderoso instrumento de transformação – afinal, existe maneira melhor de combater a desigualdade do que convidar o leitor a sentir a dor do outro? Mas, para tanto, é preciso que as mulheres tenham a oportunidade da publicação e que seus livros (e seus olhares, suas lutas, suas dores) cheguem de fato aos leitores. E ainda há muita desigualdade também aí, no mercado editorial: segundo estudo da professora e pesquisadora Regina Dalcastagnè, entre 2005 e 2014 apenas 29,4% das publicações feitas pelas grandes editoras brasileiras foram escritas por mulheres, enquanto os livros escritos por autores homens representam 70,6% das publicações do período.
É claro que desde então temos visto escritoras incríveis aparecerem no cenário literário, tanto nacional como internacional, e os livros delas vendem: segundo o jornal O Globo, durante a Bienal do Livro de 2022, 90% dos títulos mais vendidos por duas grandes editoras foram escritos por mulheres. Mas para que o cenário de fato mude a transformação começa por nós, leitores.
Leia mulheres, compre livros escritos por mulheres, recomende livros escritos por mulheres. Para contribuir com esse movimento, as colunas anteriores do Echo celebram diversas obras, todas assinadas por escritoras. Nesta edição, vamos celebrar autoras por trás de clássicos e os desafios que enfrentaram para que suas obras se tornassem o que são hoje.
Jane Austen

Uma das escritoras mais importantes do século XIX, a inglesa Jane Austen criou histórias que são um desenho preciso – carregado de ironia e crítica – da sociedade. Apesar de hoje seus livros, com destaque para Orgulho e Preconceito, serem reconhecidos pela sua genialidade, na época eles foram publicados anonimamente, porque não era aceitável que uma mulher de posição como a sua fosse escritora.
Charlotte, Emily e Anne Brontë

As irmãs Brontë foram responsáveis por dar vida a clássicos como Jane Eyre, O Morro dos Ventos Uivantes e A Inquilina de Wildfell Hall. Seus livros foram inicialmente publicados com pseudônimos masculinos, em uma tentativa de driblar o preconceito no ramo editorial, sobretudo porque as obras eram consideradas impróprias para mulheres na época. O reconhecimento das autoras só aconteceu de fato após a morte.
Lucy Maud Montgomery

Canadense, autora da série de grande sucesso Anne de Green Gables, enfrentou grandes embates com a sua editora. Com pouco controle financeiro sobre o seu próprio trabalho, ela entrou em uma longa batalha judicial para reivindicar seus direitos. Lidando ainda com um casamento infeliz, sofreu com a depressão por muito tempo, registrando em seus diários a frustração pela falta de reconhecimento.
Harper Lee

Autora de O Sol é para Todos, clássico da literatura estadunidense, ganhou o Prêmio Pulitzer com a obra – feito incrível, ainda mais levando-se em conta que foi seu primeiro livro publicado. O sucesso pelo seu feito se traduziu em uma pressão enorme, que a levou a viver de forma reclusa em uma tentativa de evitar a exposição. Ela só voltou a publicar mais de 50 anos depois, um ano antes de sua morte, quando sua saúde já estava fragilizada.





