Se a bela Sofia von Atzingen, com seu talento, compusesse uma peça comemorativa ao primeiro ano do relançamento do Echo da Matta, a edição de maio como libreto, a Sonata em Ré Menor – opus 109, da sua lavra, poderia acompanhar o roteiro abaixo:
A Overture, com naipe de metais, anuncia o furo de reportagem que nos orgulha: conversa que tivemos com Liliane França – a viúva do Laudemir – gari assassinado covardemente, que expôs sem medo as questões que precisavam ser contadas e que Odette Castro reproduz com a competência de sempre.
Logo a seguir, o barítono Aluísio Rassilan Braga, em sustenido, que se mantém o tempo todo, faz uma viagem épica pela história das gerações. Que capacidade de compreensão da História! E que pulmão…
Priscila Varela convida: “Vai pra Cuba”, dançando Habanera, como a nova Carmen. Ela já foi e contou a viagem para Wilson Oliveira. Uma rica aventura.
Em ritmo de um allegro ma non troppo, próprio para as emoções, reproduzimos os relatos que as mães de bebês prematuros fazem no vídeo produzido pela Dra. Glaucia Galvão, médica pediatra incomparável. Odette Castro enfatiza como seria bom se houvesse uma Dra. Glaucia em cada maternidade.
No mesmo movimento, Bebel Soares conta um pouco da sua história e do Padecendo no Paraíso, @pag.ae/81KTFi3hN, rede de apoio às mães. Vale a pena acompanhar o relato sincero e bem humorado dos perrengues das mães.
E, então, João Alberto Vizzotto entra no palco entoando “Nel Blu Dipinto di Blu”. Bom descendente, explica que a canção famosa não se chama “Volare”, como muitos pensam. E aproveita para transmitir outros aspectos da cultura italiana, tomando vinho e comendo polenta. Un altro bicchiere, per favore.
No andante, Francisco França discorre sobre o caminho que percorremos pela vida afora, sem noção de onde estamos indo. Como disse Clarice Lispector, “a gente vive de ouvido”.
Aí já passamos para o rhythm and blues, a música de lamento que os escravos americanos usavam para enganar a dor, muito bem interpretada no Brasil por Elza Soares e sua vida difícil, conforme o relato de Odette Castro. E, ainda no tema, Juarez Vieira apresenta Rory Gallagher, o blues man irlandês cujo enorme talento não é conhecido como deveria.
Inspirado pela Copa do Mundo, o super craque – Chris Hunt – entra na cantoria com “You’ll Never Walk Alone” em um allegro con brio intenso e frenético, como o hino do seu time: “ Liverpool, é obvio…”. Ainda no tema, Victor Cordeiro faz uma análise oportuna sobre a seleção e a obsessão por Neymar.
No intervalo, haverá a apresentação do novo colaborador, motivo de orgulho – Thomaz Furtado Tavares Ferreira – Chef e Gourmand – Personne qui apprécie le raffinement en matière de boire et de manger. Falando evidentemente sobre ….Gastronomie.
Voltando ao espetáculo, em tom mezzo forte, Luísa França, comenta o livro “Atos Humanos”, avisando desde logo que os atos não têm nada de humanos.
E Thiago Leão descobre as várias camadas do filme “O Diabo Veste Prada 2” muito além da moda e do glamour.
De primeira, Marcilio Godoi, autor de vários livros, nos oferece a poesia do mês – Viuvez, retrato tão verdadeiro quanto triste.
No final da obra, percebemos que um tema recorrente na partitura foi a nossa homenagem às mulheres, nas pessoas de Liliane França, Dra. Glaucia Galvão, Bebel Soares, Priscila Varella, e às autoras e personagens referidas nas matérias.
Não foi por acaso: o mês de maio, que termina, é dedicado às mães.
Link da entrevista da Sofia ao Echo (https://oechodamatta.com.br/sofia-von-atzingen-uma-violista-brasileira-na-alemanha/)





