EDITORIAL Maio 2026

Publicado em: 29/05/2026 às 06:17

Atualizado em: 29/05/2026 às 06:18

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Se a bela  Sofia von Atzingen, com  seu talento,  compusesse  uma peça comemorativa ao primeiro ano do relançamento do Echo da Matta, a edição de maio como libreto, a Sonata em Ré Menor  – opus 109, da sua lavra, poderia acompanhar o roteiro abaixo:

A Overture, com naipe de metais,  anuncia o furo de reportagem que nos orgulha: conversa que tivemos com Liliane França – a viúva do Laudemir –  gari assassinado covardemente, que expôs sem medo as questões que precisavam ser contadas e que Odette Castro reproduz com a competência de sempre.

Logo a seguir, o barítono Aluísio Rassilan Braga, em sustenido, que se mantém o tempo todo, faz uma viagem épica pela história das gerações. Que capacidade de compreensão da História! E que pulmão…

Priscila Varela convida: “Vai pra Cuba”, dançando Habanera, como a nova Carmen. Ela já foi e contou a viagem para Wilson  Oliveira. Uma rica aventura. 

Em ritmo  de um allegro ma non troppo, próprio para as emoções, reproduzimos os relatos que as mães de bebês prematuros fazem no vídeo produzido pela Dra. Glaucia Galvão, médica pediatra incomparável. Odette Castro enfatiza como seria bom se houvesse uma Dra. Glaucia em cada maternidade. 

No mesmo movimento, Bebel Soares conta um pouco da sua história e do Padecendo no Paraíso, @pag.ae/81KTFi3hN, rede de apoio às mães. Vale a pena acompanhar o relato sincero e bem humorado dos perrengues das mães. 

E, então, João Alberto Vizzotto entra no palco entoando “Nel Blu Dipinto di Blu”. Bom descendente, explica que a canção famosa não se chama “Volare”, como muitos pensam. E aproveita para  transmitir outros aspectos da cultura italiana, tomando vinho e comendo polenta. Un altro bicchiere, per favore. 

No andante,  Francisco França discorre sobre o caminho que percorremos pela  vida afora, sem noção de onde estamos indo. Como disse Clarice Lispector, “a gente vive de ouvido”.

Aí já passamos para o  rhythm and blues, a música de lamento que os escravos americanos usavam para enganar a dor, muito bem interpretada no Brasil  por Elza Soares e sua vida difícil, conforme o relato de  Odette Castro. E, ainda no tema, Juarez Vieira apresenta Rory Gallagher, o blues man irlandês cujo enorme talento não é conhecido como deveria.  

Inspirado pela Copa do Mundo, o super craque – Chris Hunt – entra na cantoria com “You’ll Never Walk Alone” em um  allegro con brio intenso e  frenético, como o hino do seu time: “ Liverpool, é obvio…”. Ainda no tema,  Victor Cordeiro faz uma análise oportuna sobre a seleção e a obsessão por Neymar. 

No intervalo, haverá a apresentação do novo colaborador, motivo de orgulho – Thomaz Furtado Tavares Ferreira – Chef e Gourmand – Personne qui apprécie le raffinement en matière de boire et de manger. Falando evidentemente sobre ….Gastronomie. 

Voltando ao espetáculo, em tom  mezzo forte, Luísa França, comenta o livro “Atos Humanos”, avisando desde logo que os atos não têm nada de humanos. 

E  Thiago Leão descobre as várias camadas do filme “O Diabo Veste Prada 2” muito além da moda e do glamour. 

De primeira, Marcilio Godoi, autor de vários livros, nos oferece a poesia do mês – Viuvez, retrato tão verdadeiro quanto triste. 

No final da obra, percebemos que um tema recorrente  na partitura foi a nossa homenagem às mulheres, nas pessoas de  Liliane França, Dra. Glaucia Galvão, Bebel Soares, Priscila Varella, e às autoras e personagens referidas nas  matérias.

Não foi por acaso: o mês de maio, que termina, é dedicado às mães.

Link da entrevista da Sofia ao Echo (https://oechodamatta.com.br/sofia-von-atzingen-uma-violista-brasileira-na-alemanha/)

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

Odette Castro

Artista, escritora, ativista da inclusão e palestrante. Criadora dos projetos Uma Flor por Uma Dor e Letramento de Comunicação Inclusiva Mãe e Vó.

Wilson Oliveira

Wilson Oliveira - Mestre em Artes pela UFMG. Professor aposentado da UFOP onde ocupou o cargo de Pró Reitor Adjunto de Extensão. Diretor do Grupo Teatral Encena com o qual desenvolve pesquisas na área de Artes Cênicas. É torcedor do América Futebol Clube.

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