GRUPO “70 E UNS” REVIVE MEMÓRIAS E REENCONTRA A PRÓPRIA HISTÓRIA EM PEÇANHA

Publicado em: 30/06/2026 às 07:50

Atualizado em: 30/06/2026 às 11:08

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Nascidos entre 1950 e 1955, os integrantes retomaram vínculos de infância e juventude e resgataram tradições, lembranças e a identidade afetiva construídas na cidade de Peçanha, Minas Gerais.

Depois de mais de 50 anos de distanciamento, homens e mulheres nascidos entre 1950 e 1955 encontraram na tecnologia um caminho para retomar vínculos interrompidos pelo tempo. Reunidos no grupo “70 e uns”, transformaram o reencontro em uma experiência de valorização da memória, da amizade e da trajetória compartilhada em Peçanha. Mais do que aproximar antigos colegas e amigos, a iniciativa recuperou laços construídos na infância e na juventude, sobretudo nas escolas públicas da cidade e na convivência comunitária que marcou diferentes gerações. Criado no ambiente digital, o grupo também passou a funcionar como espaço de preservação da memória.

Ao longo das décadas, cada integrante seguiu seu próprio caminho, em trajetórias pessoais e profissionais diversas. O reencontro, no entanto, reafirmou a força de uma origem comum e mostrou que as lembranças compartilhadas continuam sendo um elo vivo entre aqueles que cresceram sob as mesmas referências afetivas, culturais e religiosas. Para os participantes, o reencontro se sustenta menos em títulos ou conquistas materiais e mais na permanência dos vínculos e na força de experiências compartilhadas que voltaram a ganhar espaço com a retomada da convivência.

A reconexão ganhou impulso com a criação do grupo de WhatsApp “70 e uns”, idealizado por Antônio Victor de Souza Filho, o Vivite. A iniciativa contou com o apoio de outros integrantes e rapidamente se transformou em espaço de organização, troca de recordações e mobilização para encontros presenciais. Além de aproximar antigos colegas, a ferramenta digital passou a desempenhar papel central na divulgação das ações do grupo e no fortalecimento do sentimento de pertencimento entre os participantes.

O objetivo inicial era organizar o Primeiro Encontro dos “70 e uns” e celebrar a chegada aos 70 anos de alguns de seus integrantes durante a tradicional Festa de Santo Antônio, realizada em Peçanha, em junho de 2022. A proposta reuniu comemoração pessoal, memória coletiva e valorização das tradições da cidade, em um encontro marcado pela emoção e pela retomada de vínculos interrompidos ao longo do tempo. Para viabilizar o encontro, o grupo promoveu ações de arrecadação pelo WhatsApp. A organização contou ainda com o apoio de membros do grupo e de comissões formadas em Belo Horizonte e em Peçanha. O encontro mobilizou os participantes e reforçou o vínculo com a cidade e com a experiência comum vivida em Peçanha, fatores que ajudam a explicar a permanência e a força simbólica do grupo.

ESCOLA E CIDADE MOLDARAM OS VÍNCULOS DO GRUPO

Os vínculos que hoje sustentam o grupo foram construídos, em grande parte, nas escolas públicas estaduais de Peçanha. Foi nesse ambiente que moradores da cidade e estudantes vindos das fazendas da região, além de outras localidades, passaram a conviver de forma intensa, criando amizades, rotinas e referências em comum. Além da formação escolar, Peçanha oferecia um ambiente familiar, cultural e festivo, lembrado pelos integrantes como decisivo na construção dessa identidade coletiva. O cotidiano da cidade, aliado às tradições religiosas e folclóricas, tornou-se parte central da memória do grupo e uma das principais razões para o reencontro realizado décadas depois.

FESTAS POPULARES PRESERVAM A MEMÓRIA DA INFÂNCIA

Entre as lembranças mais fortes da infância estão as festas populares e religiosas que ajudavam a organizar o calendário afetivo da cidade. Entre os destaques citados pelos participantes estão as festas religiosas com a participação dos marujos, caboclinhos, bonecos gigantes, desfiles escolares nas datas cívicas, carnaval e seus desfiles imponentes e outras expressões culturais que marcaram diferentes gerações.

RELIGIOSIDADE OCUPA LUGAR CENTRAL NAS RECORDAÇÕES

A Semana Santa também ocupa lugar central nas recordações do grupo. Os rituais religiosos, o jejum, os cortejos e a participação de crianças, famílias e lideranças católicas compunham um cenário de forte expressão coletiva, vivido com solenidade e respeito.

Entre essas manifestações, a Procissão do Enterro de Jesus é lembrada como uma das mais intensas expressões da religiosidade local. A encenação, as imagens sacras, a presença dos guardas romanos, o canto da dor de Maria e a ampla participação popular deixaram marcas profundas em quem viveu a tradição ainda na infância.

CALENDÁRIO FESTIVO ATRAVESSA GERAÇÕES

O mês de maio é lembrado pelas coroações de Nossa Senhora, pela música, pelos fogos e pela intensa participação das famílias nas celebrações religiosas. As cerimônias mobilizavam a cidade e combinavam devoção, beleza e convivência comunitária em um ambiente festivo que permanece vivo na memória dos participantes.

A primeira comunhão também aparece como marco importante nas lembranças da infância, associada ao catecismo, à preparação religiosa e ao simbolismo das celebrações vividas pelas crianças e suas famílias.

Em junho, a Festa de Santo Antônio se consolidava como um dos maiores acontecimentos do calendário local. Leilões, brincadeiras, personagens folclóricos, bonecos gigantes e a figura do festeiro davam à celebração um papel central na vida social da cidade. Ainda no âmbito religioso destaca-se a Caminhada para Jesus, que faz parte do calendário religioso dos evangélicos da região. 

As comemorações de 7 de Setembro e os desfiles também integram esse repertório afetivo, marcando a presença da juventude em eventos cívicos que reforçavam a convivência e o senso de pertencimento.

O Carnaval marcou época com desfiles de rara beleza, comandados por Dion Magalhães Jr. – Dionzinho, responsável pela implantação do modelo que ainda persiste em alguns detalhes. Dion foi grande incentivador do Carnaval e movimentos culturais da cidade. 

Já se tornaram  tradição:  o Reveillon com programação intensa de bandas; a Festa do Peão e o Moto Rock, todas elas recebem número significativo de turistas de todo país.  

VÍNCULOS PERMANENTES

A relação intensa dos antigos e novos moradores com a cidade demonstra o poder de aglutinação movida por intensa troca emocional. É gratificante perceber como a cidade se mantém atrativa de forma  constante e perene. 

Por isso, nada mais necessário que propagar esta qualidade, pedindo à autora: Bate o Bumbo Celeste!

Maria Celeste Cardoso Pires

Maria Celeste Cardoso Pires, natural de Peçanha (MG), é economista formada pela UFMG, especializada em gestão pública e empresarial. Trabalhou no Banco Mineiro do Oeste S/A, na Itaminas Comércio de Minérios S/A e no Instituto Julia Maria e em vários órgãos da administração pública, como Pró-reitora de Planejamento, Gestão e Finanças da UEMG, Diretora de Gestão Empresarial da PRODEMGE, Assessora-chefe de Planejamento e Coordenação Geral da SEPLAN/MG, Diretora da SCAM - Superintendência Central de Compras da Secretaria de Administração e Ouvidora da OGE - Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais. Palestrante em congressos do CLAD - Centro Latino Americano de Desenvolvimento em diversos países da América Latina. Proprietária da MCCP Celeste Pires Consultoria Pública e Empresarial Eireli.

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