A meritocracia é um sistema social ou organizacional onde a ascensão, o poder e as recompensas são distribuídos com base no talento, esforço e desempenho individual. Foca em colocar os indivíduos mais qualificados nas posições corretas, o que costuma aumentar o desempenho e a produtividade.
A crítica mais contundente a essa afirmação seria que frequentemente, o sistema responsabiliza exclusivamente os indivíduos pelo seu fracasso, ignorando as barreiras sistêmicas e estruturais que impedem o avanço de determinados grupos.
PEDRO AUGUSTO MOREIRA, um jovem de 36 anos – nasceu em 1990 – optou por ignorar as críticas e se guiar por um espírito empreendedor, que o tem levado a um caminho de sucesso, evidentemente ancorado nas suas habilidades pessoais, senso de oportunidade e escuta atenta ao que dita as demandas de um mercado que enxerga no consumidor de produtos e serviços alguém que busca, além do serviço, uma experiência recompensadora e satisfatória.
“Então a gente vai vendo o que é bom, o que não é. Saber fazer boas escolhas e ver os exemplos a não seguir”.
Pedro idealizou então a Achado, barbearia localizada no Botânico Shopping, e a transformou num sucesso comercial. Com design arrojado, espaço amplo e muito conforto, recebe os clientes de uma agenda frequentemente lotada. Ele confidenciou:
“Eu não atrelo meu nome a nada que seja mediano. O cliente pode vir de olho fechado sabendo que é coisa boa, que ele pode comprar, que é uma coisa que ele vai usar”.
É uma megaloja, muito bem montada. Muito bem-feita. Conseguiu. O projeto é assinado pela arquiteta Tatiana, da MM Construtora. Com a proposta de criar conexões entre outros negócios e não se prender ao espaço físico. Achado Barbearia chega para atender homens empreendedores, modernos e elegantes.
Formação Pessoal
Pedro cursou até a oitava série e depois concluiu o segundo grau, formando-se pelo ENEM. Não teve oportunidade de estudar. O foco era só trabalhar e fazer dinheiro para sair da situação de necessidade quase extrema em que foi criado. Tem três irmãos e uma mãe que trabalha como diarista. Ninguém tem dinheiro em casa. Teve uma adolescência cheia de percalços, próxima a um cotidiano muito violento. Deu tudo de errado para depois dar certo. Amigos morreram, outros foram presos. Percebeu que não valia a pena e sabia, de um jeito ou de outro, que o seu lugar não era ali. Tinha um bom pressentimento: precisava sair dali. O aprendizado foi gradual nesse tipo de trabalho que exerço hoje. O jeito de tratar as pessoas, isso herdou da sua família. Vem de uma família muito humilde, muito simples. Assim, de ver a mãe nos trabalhos mais pesados… Então por que não tratar a todos bem? Orgulha-se de sua origem, mas entendeu desde muito cedo que “Quando não se tem o estudo, o que resta é empreender”. Com o sucesso em sua trajetória acredita que “Quebrei uma maldição de gerações na nossa família, de nunca ter nada”.
Deixemos que ele mesmo nos conte sua história:
Trajetória Profissional
No – ITC – Escola de Barbearia, na rua da Bahia aprendi a profissão num curso de um mês. O curso é igual à auto escola: você aprende a técnica e a ligar a máquina, mas aprender mesmo você vai penar na rua.
Na Barbearia Gonçalves – Quando comecei a trabalhar no Gonçalves, eu queria fazer o melhor corte. Eu fui pra lá para aprender. Quando cheguei lá, saindo dos cortes de 10 reais, a realidade era muito diferente. Vestimenta, comunicação, corte… Fui pegando tudo.
No primeiro mês ele falou: “Quanto você precisa pra pagar suas contas?”. Falei “1.200 reais“. E ele garantiu que se eu não fizesse esse valor, ele completaria. Acabou que eu fiz e deu tudo certo. Nos finais de semana, eu pegava minhas máquinas, os amigos do bairro e ficava horas cortando pra aprender. Pra mim, se eu não for o melhor, vou ser o segundo melhor, disputando com o primeiro. Isso está em mim. Fiquei lá quatro anos. Começamos a pensar na nossa loja. Os filhos dele encararam como concorrência. Vi o erro e o acerto de um e de outro. Mas aprendi muito lá.


Negócio Próprio
Aí, em julho de 2018, resolvemos abrir a barbearia na rua Sergipe, na Savassi. Quando fomos para o nosso espaço, levamos 55% do movimento da barbearia. E fomos amadurecendo. O projeto foi elaborado pelo arquiteto Júnior Piacesi, numa proposta que fugia do clichê do segmento, apostando em tons claros e mobiliário moderno.
Tanto que a galera passava e falava assim: “Nossa, mas aqui corta cabelo feminino?”. Não parecia que era uma barbearia. Só que ali continuamos com o relacionamento que já tínhamos e incorporamos outros do novo endereço.
No Botânico – Eu só consegui abrir portas para transferir meu negócio para o Botânico Shopping em abril de 2026. Graças a um amigo que trouxe a Jasper (que vende roupa de adventure, fitness) prá cá. Aí a gente conseguiu colocar o Achado Barbearia aqui, porque não é fácil entrar aqui, entendeu? As ideias sempre foram nossas.
A gente nunca quis tijolinho marrom, caveirinha… essas coisas que remetem à barbearia tradicional. A gente quis sempre fugir desse básico, do vintage. Falamos: “Vamos pro outro lado“, vamos expandir a marca, com um nome totalmente diferente de barbearia. Sempre quis fugir do estereótipo. Se ouvia que o costume era o uso de terno, eu ia de bermuda. Para mostrar o oposto.
Não usamos uniforme. A gente tem uma camisa descolada, bota uma calça legal. A gente usa preto, mas não é um uniforme rígido. Eu sempre trabalhei de regata, calça, bermuda. Não somos funcionários, somos formadores de opinião.
O Nome e Seu Significado
O termo “Achado” veio de pesquisas do arquiteto Júnior Piacesi acerca de locais especiais de encontro, que promovem a junção de pessoas com interesses diversos, que vão ao local para se cuidar e também para fazer networking. Queremos que se torne um lugar em que as pessoas tirem um tempo para si, criem contatos. Vamos formar uma rede! O nome enfatiza o fim dessa busca por um espaço nesse formato.
O Achado é um achado. Tem muito significado. Achado é um nome bíblico, tá na Bíblia várias vezes. Quem quer estar perdido? Ninguém. Você quer ser achado. Então a gente sempre quis fugir da modinha. É também uma forma de homenagem à Barbearia Seu Elias, que foi o pioneiro, que trouxe esse conceito novo de homem se cuidar.
Trabalho
Eu trabalho das 8 da manhã até às 7 da noite. Tem dia que a agenda está muito cheia, eu fico de 8 até as 22h. Só que agora nós estamos com um custo muito alto, a gente não tá nem podendo sair. Por isso que eu tô trabalhando, trabalhando… No final de semana eu trabalho sábado, das 8 às 16 hs. E no domingo atendemos também. Porque como o Shopping tem um movimento muito grande no domingo, a gente aproveita. E o cliente não vai faltar. Vamos revezando, cada domingo é um de nós.
Cada um aqui na barbearia é uma empresa, um microempreendedor individual (MEI). Então tem que se portar bem para vender o produto dele. Para ele entender que é comissionado, só ganha se fizer. Lá, na loja da Savassi, eu pagava 50% e aqui pago 45%. Eu sou a única barbearia que paga esse valor. Geralmente as outras pagam 30%, 25%. Quero ver meu colaborador prosperar, comprar as coisas dele. Trocar de moto, de casa… Ver o Rodrigo, que trabalha comigo, cuidando da filha, sendo o provedor, é um prazer. Você só consegue ser bem-sucedido se quem trabalha com você for também. Sou o cara que cumprimenta o porteiro, que ajuda o moço da limpeza. É melhor dar do que receber.
É tudo vitória. Se você acompanha a trajetória da pessoa e ela está vencendo, eu estou vencendo também. O lugar é um estímulo. O astral muda. A convivência melhorou.
Contabilidade:
A parte financeira não era muito boa porque eu nunca tive apego por dinheiro. Eu queria comprar tudo. Tudo se modificou porque agora a contabilidade é feita pela minha esposa. Ela é bancária e trabalha também comigo. Faz esse serviço para várias barbearias, de fechamento de caixa, fluxo de caixa. Ela me ajuda. Eu mando nota para todos os clientes, a gente emite nota. Ela já sabe no que investir. E aí as coisas começaram a andar mais ainda. Ela sabe o que paga em tal data, o que pode passar no crédito, o que não. Então assim, eu não tenho esse controle. Então deixei pra ela resolver.
É uma preocupação a menos, é de gente de confiança. E é fundamental, porque ela entendeu que é dela, né? Então tem que fazer prosperar. Eu falo que eu não faço nada sozinho.
É saudável, a mulher tá num lugar e o homem no outro. Ajuda, senão o casamento acaba.
Moramos no Buritis, compramos um apartamento, uma cobertura e estamos prosperando.
Marketing
O mercado é promissor. Hoje com a Internet o negócio fica gigante com um marketing bem-feito. E eu não opero nada sozinho: tenho uma equipe, uma assessoria de marketing. São dois amigos meus que desenvolveram a marca. Colocaram o porquê do coelhinho, do Matrix. Quando você chega à barbearia, tem o lance de poder escolher a pílula vermelha (para ser um escolhido) ou a azul (para continuar a vida dormindo). A gente quer te jogar para cima.
(Matrix, na cultura pop, é uma franquia de ficção científica iniciada em 1999. É frequentemente utilizada para descrever o ambiente ou o meio onde algo se origina, cresce ou se desenvolve. No universo da obra é uma realidade simulada por computador.)
O grande lance do Achado é esse. Nosso último produto é o cabelo. Isso aqui para mim é o início. Vão ter outras coisas ali dentro, parcerias, marca de café… E o negócio é ter isso aqui como uma das rendas, não a única. Já temos um colaborador desenvolvendo uma linha de shampoos.
Redes sociais são fundamentais para o sucesso do empreendimento
Sou o cara que todo mundo conhece, tenho parceiros em BH inteiro, clientes, relacionamentos…
Estou totalmente ligado nas redes. Uso diariamente e posto diariamente. Exemplo:
Eu já vou fazer um videozinho agora, nosso, aqui. Fala galerinha! Nós vamos compartilhar a marca de vocês. Tem o nome do jornal direitinho?
Fala galerinha! Hoje vou contar um pouco da história do Achado para essas pessoas, com esses caras ilustres… Estamos aqui com o Francisco, Odette e o Wilson. O jornal é Echo da Matta. Daqui a pouco vou contar um pouco para vocês do que rolou hoje. Segue aí pra ver o que rolou, valeu!
A gente tem orientação da equipe, eu tenho um cronograma. Objetivo: limpar a rede social do Achado, profissionalizar, organizar.
Tipo de cliente
Cortar cabelo no Botânico é status. “Eu corto o cabelo lá no Botânico!” Eu ainda tô entendendo isso, é novo pra mim. Não tem um tipo específico de cliente. A região tem vários atrativos e muitos hotéis. O cara vem para o hotel, faz um evento e corta o cabelo.
Temos clientes de faixas etárias diversas. Eu tenho criança, eu tenho coroa, eu tenho a minha idade. Mas o que a gente mais domina é dos 20 até os 40, 45 anos. É a nossa cartela maior. Geralmente classe média alta. Ali a gente atrai muita gente com o lifestyle do Achado. A galera do carro importado, gente que gosta de tênis, tudo meio que se conectou lá.
(Jornal – Um dos clientes nos deu um exemplo do atendimento recebido:
Tem muito tempo que corto cabelo com o Pedro. Lá pelas tantas, ele começou a falar comigo que eu tinha que fazer musculação. Explicava como era a mecânica dos exercícios, o que produzia no organismo. Aí comecei a fazer Musculação, tomar whey… O atendimento oferece ao cliente um “algo mais”, além de cortar o cabelo).
Buscamos entender e exaltar a individualidade de cada um, a fim de alcançar a sua melhor versão. Não é só o cabelo, vai muito além.
Lazer / Política e Religião
Eu sou um cara viciado em academia. Ganhei um hobby, ir para a academia. Eu adoro, vou todo dia às 6 horas da manhã.
Eu faço na Bodytech. Eu venho cedão, saio de casa às 5 e meia. Treino às 6h, abre às 8h. Tomo um banho, tem todo um ritual, lá tem sauna, água gelada, dou um restart no corpo e tô pronto pra começar o dia.
De férias, eu viajo. Adoro praia. Adoro o Nordeste. Ponho o pé na areia. Eu falo com a minha mulher que o que me relaxa é a praia. Nunca fui pra neve, mas o que eu quero é ir pro calor. Eu quero é botar um chinelo. A última viagem que eu fiz foi para Trancoso, ano passado. Lugar maravilhoso. Passamos uma semaninha lá.
Sou liberal nos costumes e conservador em política. Diria, extremamente conservador.
Acredito em Deus, sou mais chegado na versão evangélica por focar mais no merecimento e na alegria. Fujo um pouco da culpa do catolicismo. Encontrei uma conexão espiritual muito forte, que me faz estar na frequência certa para que tudo de bom aconteça.
O que percebemos é que o público masculino tem se preocupado mais com a aparência e investido nessa área. Eles estão atualizados do que é tendência e querem sempre algo novo, fora do clichê, seja para cabelo ou barba. A Barbearia Achado promete virar ponto de encontro obrigatório para o público masculino de Belo Horizonte.
Endereços: Instagram
@achadobarbearia
@pedrombarber





