A DISCUSSÃO SOBRE O(A) ATLETA TRANSGÊNERO (*)

Publicado em: 31/08/2026 às 12:59

Atualizado em: 31/08/2026 às 12:59

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Renée Richards - Getty Images Lia Thomas - Getty Images

Em 1977, Renée Richards chegou à final de duplas femininas do torneio de tênis US Open. Ela e sua parceira perderam a partida, mas Richards causou um grande impacto — tanto nos fãs de tênis quanto no público americano. Havia vários aspectos incomuns nela. Ela exercia a profissão de oftalmologista e era mais alta (1,85 metro) e mais velha (43 anos) do que as outras jogadoras. Mas o fato mais incomum a seu respeito era este: Richards havia sido homem anteriormente.

    Ela nasceu como Richard Raskind e cresceu tornando-se um jogador de tênis amador de destaque. Em 1973, passou por uma cirurgia de redesignação sexual e, três anos depois, tentou inscrever-se na chave feminina do US Open. Após protestos de algumas jogadoras, a Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA) exigiu que todas as competidoras se submetessem a um exame de gênero cromossômico conhecido como teste do corpúsculo de Barr. Richards recusou-se. Ela foi proibida de participar da competição feminina, mas não desistiu. Processou a USTA por discriminação de gênero, com base nas leis de direitos humanos do estado de Nova York. O processo acabou chegando à Suprema Corte estadual e, em 1977, um juiz decidiu que Richards era legalmente mulher e que a USTA não tinha o direito de impedi-la de participar de torneios femininos ou de exigir que ela fizesse um teste cromossômico.

    Richards foi uma das primeiras atletas profissionais abertamente trans e causou grande repercussão. A revista *Sports Illustrated*, onde trabalhei, relatou que as reações a ela variavam “do espanto à desconfiança, simpatia, ressentimento e, na maioria das vezes, total confusão”. Ela contava com numerosos apoiadores entre os fãs de tênis e até mesmo entre as jogadoras. Graças à decisão judicial, ela pôde jogar tênis profissional feminino por quatro anos, derrotando várias jogadoras bem ranqueadas em simples e chegando não apenas à final de duplas do US Open de 1977, mas também a duas semifinais de duplas mistas. (Seu parceiro masculino era o excêntrico e polêmico astro romeno Ilie Nastase.) Em 1979, Richards alcançou sua melhor posição no ranking de simples: a 20ª colocação mundial. Após se aposentar das competições em 1981, ela permaneceu no esporte como treinadora e conduziu Martina Navratilova à conquista de dois títulos de simples em Wimbledon.

Não houve outra jogadora trans de elite no tênis; portanto, não podemos responder a algumas questões levantadas pela carreira de Richards: e se ela tivesse feito a transição 20 anos antes, quando estava no auge de sua forma atlética? E se ela fosse uma jogadora melhor? (Richard Raskind era um amador talentoso, mas não fazia frente aos profissionais homens.) No tênis, os homens têm tamanha vantagem sobre as mulheres em força, velocidade e resistência que um homem classificado apenas na 100ª posição do circuito profissional poderia facilmente derrotar Serena Williams, a maior jogadora da história. (Não precisa acreditar apenas em mim; a própria Serena diz isso.) É possível que Richards não tenha despertado mais oposição porque já era de meia-idade e suas habilidades eram relativamente modestas.

    Consideremos, então, uma atleta trans mais jovem. Lia Thomas estava na casa dos 20 anos em 2022, quando venceu o campeonato universitário de natação dos EUA na prova de 500 jardas nado livre. Antes da transição, ela havia competido pela equipe masculina da Universidade da Pensilvânia como William Thomas. Ela só teve permissão para competir pela equipe feminina após passar por terapias de supressão de testosterona e reposição hormonal, conforme exigido pela NCAA, a autoridade do esporte universitário dos EUA. Isso reduziu a força e a massa muscular de Thomas, tornando seus melhores tempos de prova mais lentos em mais de 15 segundos. No entanto, ela melhorou gradualmente seus tempos, aproximando-os de suas melhores marcas pessoais anteriores à transição. Ela dominou muitas provas contra mulheres cisgênero e estabeleceu quatro recordes da universidade em uma única competição. Quando conquistou o título dos 500 jardas nado livre, a segunda colocada foi Emma Weyant, medalhista de prata nas Olimpíadas de 2020.

Thomas sonhava em competir nas Olimpíadas de 2024, mas, em 2022, a Federação Internacional de Natação (FINA) votou por impedir a participação de atletas trans em competições profissionais femininas. Nessa altura, Thomas havia se tornado um tema de grande repercussão política, oferecendo aos políticos conservadores um novo alvo de ataques nas guerras culturais do país. O governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, emitiu uma proclamação declarando Emma Weyant a “legítima vencedora” da prova em que ela havia perdido para Thomas. (Tratava-se de puro teatro político, visto que a proclamação não tinha qualquer peso no mundo da natação universitária.) O presidente Donald Trump foi além: ameaçou cortar US$ 175 milhões em verbas federais destinadas à Universidade da Pensilvânia por ela ter permitido que Thomas competisse em sua equipe feminina. A universidade cedeu à pressão e concordou em banir atletas trans de suas equipes femininas, bem como em apagar os títulos e recordes de Thomas de seus registros oficiais. Trump também emitiu uma ordem executiva proibindo a participação de mulheres transgênero em competições esportivas e o uso de vestiários destinados a meninas e mulheres; essa medida levou o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA a exigir que suas federações esportivas proibissem atletas trans de competir em eventos femininos. O título da ordem de Trump — “Manter Homens Fora dos Esportes Femininos” — parecia negar às mulheres trans o direito de se identificarem como mulheres.

Thomas, assim como Renée Richards antes dela, entrou na justiça pelo direito de continuar competindo em provas femininas, mas a Corte Arbitral do Esporte decidiu contra ela em 2024. Thomas contou com o apoio do National Women’s Law Center, que afirmou que ela era vítima de “misoginia e transfobia”, e da American Civil Liberties Union, que declarou que um esporte não é um esporte feminino “se não incluir TODAS as atletas mulheres”. No entanto, as opiniões no meio da natação feminina e no movimento olímpico estavam divididas. Thomas recebeu o apoio de algumas nadadoras, como Erica Sullivan, medalhista de prata nas Olimpíadas de 2020 nos 1500 metros nado livre. Por outro lado, Caitlyn Jenner — uma mulher trans que venceu o decatlo olímpico de 1976 como Bruce Jenner — chamou Thomas de “narcisista” que buscava apenas publicidade. (Isso era risível, considerando que Jenner é membro da família Kardashian — obcecada por si mesma e ávida por publicidade — e apareceu diversas vezes no reality show da família. Jenner também revelou seu novo nome e sua aparência pós-cirurgia em um especial de TV.) O maior nadador da história olímpica, Michael Phelps, apoiou o direito de Thomas de ser mulher, mas não o de competir como tal. “Acredito que todos devemos nos sentir confortáveis ​​com quem somos e em nossa própria pele”, disse ele, “mas acho que os esportes devem ser disputados em condições de igualdade.”

    A atleta trans mais conhecida do Brasil, Tifanny Abreu, tem pontos em comum tanto com Renée Richards quanto com Lia Thomas. Assim como Richards, Tifanny já havia passado do auge de sua carreira esportiva — aos 41 anos — quando conquistou seu maior feito no esporte, ajudando a levar o Osasco ao título da Superliga Feminina de vôlei em 2025. Mas, tal como Thomas, ela se submeteu a exames de testosterona, e seus níveis ficaram dentro dos parâmetros estabelecidos para jogadoras pela Confederação Brasileira de Voleibol, que autorizou sua participação em competições da entidade pela primeira vez em 2017.

No início deste mês, a CBV reverteu sua posição em relação a Tifanny, restringindo suas competições femininas a mulheres biológicas, conforme determinado pelo teste do gene SRY. A CBV afirmou que estava alterando sua regra para se adequar à política do Comitê Olímpico Internacional (COI). No entanto, a essa altura, a questão das mulheres trans no esporte já havia se tornado um tema de disputa política no Brasil, colocando a direita contra a esquerda e envolvendo também a religião. A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou um projeto de lei que permite aos organizadores banir atletas trans de competições femininas na cidade, e, na Câmara dos Deputados federal, foi apresentado um projeto para proibir atletas trans em esportes femininos em todo o país. Flávia Borja (Pode-MG), a vereadora cristã conservadora que promoveu o projeto em Belo Horizonte, declarou que não se tratava de ideologia ou exclusão, mas sim da “integridade do esporte feminino”. O deputado Manoel Isidório de Santana Júnior (Avante-BA) — pastor e policial militar da reserva que apresentou o projeto federal — chegou a invocar o Todo-Poderoso, afirmando que Deus criou os homens para serem mais fortes que as mulheres. Em uma linguagem crua, capaz de fazer corar até mesmo seus fiéis mais devotos, o Pastor Sargento Isidório disse que um homem, “mesmo vestido de mulher, com silicone no peito, querendo ter seios, que só mulheres possuem, castrando os seus instrumentos masculinos, querendo ter vagina, que só mulheres possuem, ainda assim possuirá organismo, força e capacidade física masculina”.

    Tudo o que posso dizer sobre isso é que a política nos EUA seria muito mais divertida se os congressistas se expressassem de forma tão pitoresca quanto o bom pastor.

    É provável que, devido à sua idade e aos níveis suprimidos de testosterona, Tifanny não tenha nenhuma vantagem competitiva sobre as demais jogadoras de vôlei. Existe um conjunto de pesquisas científicas — embora limitado e não conclusivo — indicando que, devido à terapia hormonal, as vantagens físicas de atletas trans sobre atletas cisgênero são, na melhor das hipóteses, pequenas. Há também diferenças relevantes entre as modalidades esportivas: algumas exigem atributos afetados pelo sexo de nascimento, como força, velocidade e potência explosiva, enquanto outras dependem mais de qualidades não ligadas ao sexo de nascimento, como técnica, equilíbrio e foco mental.

Para Donald Trump, o Pastor Sargento Isidório e inúmeros outros, a questão é simples: homens são homens e mulheres são mulheres, e uns não deveriam competir contra os outros em esportes organizados. Mas, para outros, a questão é mais complexa. Muitas pessoas trans acreditam que participar de esportes contra integrantes do gênero com o qual se identificam é uma parte necessária da inclusão. Nesse caso, a pergunta é: é possível tornar justa a competição entre mulheres trans e cisgênero? (Não estou abordando o caso de homens trans nos esportes, pois eles não despertaram um nível de interesse comparável — pelo menos não ainda.) E, já que estamos falando nisso, aqui vai outra pergunta: por que nos importamos tanto com atletas trans nos esportes femininos? Por que o assunto é debatido com tanta paixão em toda parte, de bares e da internet até os corredores do poder público?

    Vamos começar com algumas estatísticas. Segundo um relatório publicado no SF.gov, o site oficial da cidade de São Francisco, na Califórnia, pessoas trans representam cerca de 1% da população dos EUA. Dessas, apenas uma fração são mulheres trans competindo em esportes femininos: menos de 0,002% dos atletas universitários (10 em 500.000) e 0,001% dos atletas olímpicos recentes. São números ínfimos. No entanto, nos primeiros dois meses e meio de 2025, mais de 745 projetos de lei antitrans foram apresentados em legislativos estaduais dos EUA. A administração Trump está particularmente preocupada com os supostos perigos de permitir que mulheres trans acessem banheiros públicos e vestiários esportivos femininos — embora não haja relatos confirmados de agressões sexuais decorrentes desse acesso, nem evidências de que atletas trans queiram entrar em vestiários femininos porque, secretamente, ainda são homens e desejam observar garotas seminuas. Essa reação agressiva não parece desproporcional ao problema — como tentar matar uma mosca com um canhão? Certamente, nossa obsessão por uma questão que afeta tão poucas pessoas é alimentada, pelo menos em parte, pela máquina de indignação da política e das redes sociais.

Vamos considerar também alguns dados científicos. Segundo a Trans Health Research, uma equipe de investigação do Departamento de Medicina da Universidade de Melbourne, na Austrália, a maioria das mulheres trans faz terapia hormonal de afirmação de gênero (THAG), que normalmente consiste em estrogênio combinado com medicamentos para reduzir a testosterona. Isso provoca um aumento na massa gorda corporal (cerca de 30% em 12 meses) e uma diminuição na massa muscular (cerca de 5% no mesmo período). O tratamento não afeta a estrutura óssea, que não sofre alterações após a puberdade. Assim, a THAG “gera mudanças corporais substanciais”, de acordo com o site da Trans Health Research, mas “não apaga tudo o que se desenvolveu antes do tratamento, caso este tenha sido iniciado após a puberdade”.

    Como isso afeta o desempenho esportivo? Não existem muitos estudos de longo prazo específicos para o esporte envolvendo atletas trans, e há ainda menos pesquisas sobre atletas trans de elite (talvez devido ao número reduzido delas). Também não há estudos clínicos ou de desempenho sobre atletas trans que nunca passaram pela puberdade masculina — fase que confere aos homens sua força e velocidade superiores — por terem tido acesso a bloqueadores de puberdade. No entanto, a equipe de pesquisa de Melbourne divulgou uma síntese de 52 estudos com 6.485 participantes, publicada no *British Journal of Sports Medicine*, mostrando que mulheres trans submetidas à THAG por um a três anos apresentavam níveis comparáveis ​​aos de mulheres cisgênero em termos de força da parte superior do corpo, força da parte inferior do corpo e VO2 máx relativo — a quantidade máxima de oxigênio que o corpo consegue utilizar durante exercícios intensos, sendo esta a medida definitiva de aptidão cardiovascular e resistência. (Outro estudo com atletas trans na Grã-Bretanha mostrou que, após quatro a seis anos de terapia hormonal, elas apresentavam função pulmonar e altura de salto inferiores às de mulheres cisgênero, embora ainda superassem essas atletas na força de preensão manual.) A conclusão da equipe de pesquisa: qualquer vantagem que atletas trans possam ter sobre atletas cisgênero é “pequena, específica para o contexto e não universal”.

O Gabinete de Iniciativas para Pessoas Transgênero da Prefeitura de São Francisco citou conclusões semelhantes de outros estudos científicos sobre atletas transgênero e observou que, onde a participação de mulheres trans em esportes femininos é permitida, ela é “cuidadosamente regulamentada por normas nacionais e internacionais para garantir a equidade”. As diretrizes baseiam-se em pesquisas de periódicos médicos e órgãos dirigentes do esporte — incluindo, ironicamente, o COI. Uma vez atendidos os requisitos das organizações responsáveis ​​pelos testes, segundo um estudo publicado em 2021 pelo *Journal of Sports Medicine* (sediado nos EUA), não há evidências científicas de que mulheres trans tenham vantagem física em esportes femininos.

    Até o momento, essas descobertas limitadas não convenceram a maioria das autoridades esportivas ao redor do mundo a permitir que atletas trans competissem contra mulheres cisgênero. Relatos pontuais sobre atletas trans, como Lia Thomas, dominando adversárias cisgênero também minam a credibilidade das pesquisas médicas aos olhos de algumas pessoas. No entanto, essas pesquisas ainda estão em um estágio inicial, e não é possível prever onde levarão. Enquanto isso, infelizmente, a questão é frequentemente objeto de debates políticos e religiosos. Na campanha presidencial dos EUA de 2024, Trump enfatizou repetidamente sua oposição à inclusão de atletas trans. Acredita-se que o forte apoio de Kamala Harris aos direitos de pessoas transgênero tenha contribuído para sua derrota na eleição, embora ela tenha expressado ressalvas quanto à participação de mulheres trans em esportes femininos.

    Dois anos depois, mais da metade dos estados dos EUA possuem leis ou regulamentos que proíbem estudantes transgênero — do ensino fundamental ao médio — de competir contra estudantes cisgênero em esportes escolares. (Segundo a Human Rights Campaign, citada pelo site Transathlete.com, 64% de todos os jovens nos EUA praticam esportes, mas apenas 12% das meninas trans o fazem — sendo que as meninas trans representam menos de 1% de todas as meninas.) Em junho passado, a Suprema Corte dos EUA validou essas restrições ao decidir que proibir mulheres transgênero de participar de esportes femininos não viola seus direitos previstos na Constituição ou no *Title IX*, a lei pioneira de 1972 que proíbe a discriminação baseada no sexo em instituições de ensino que recebem financiamento federal.

Como a população transgênero em todo o mundo é muito pequena, muitas pessoas jamais conheceram um homem ou uma mulher trans. (Diferentemente de uma *drag queen* ou de um travesti, que podem se vestir e imitar alguém do sexo oposto, mas não passam pela transição para viver permanentemente como tal.) Quem nunca conviveu com uma pessoa trans pode imaginar que existam segundas intenções na transição, como chamar a atenção ou obter vantagem em esportes. Mas ninguém em sã consciência escolheria voluntariamente a angústia da disforia de gênero, a discriminação e o ostracismo que acompanham a transição, ou os tratamentos médicos árduos e as cirurgias dolorosas envolvidos na redesignação sexual. Para uma pessoa trans de fato, a transição não é tanto uma escolha, mas sim uma necessidade.

    Muitas pessoas trans relatam histórias semelhantes, dizendo ter acreditado por anos — às vezes desde a primeira infância — que haviam nascido no corpo errado. Foi isso que a escritora britânica Jan Morris descreveu em seu livro de memórias pioneiro de 1974, *Conundrum*. Morris escreveu que, embora tivesse nascido homem, sabia desde cedo que, em espírito, era uma menina. Guardou esse segredo até os 46 anos, em 1972, quando viajou ao Marrocos para realizar a cirurgia de redesignação sexual. Antes disso, como James Morris, ela havia sido uma jornalista renomada, casara-se e tivera quatro filhos. James Morris foi quem noticiou em primeira mão a conquista do Monte Everest, em 1953, por Edmund Hillary e Tenzing Norgay. Para conseguir o furo de reportagem para o *The Times* de Londres, Morris subiu até a altitude de 6.700 metros — 2.100 metros abaixo do cume do Everest —, um feito impressionante para alguém sem treinamento de alpinismo. Apesar dessa e de outras aventuras consideradas tipicamente masculinas, Morris jamais duvidou de que era mulher.

    Antes de falecer em 2020, Morris escreveu mais de 50 livros, a maioria sobre história e viagens. No final da década de 1980, entrevistei-a em sua casa, no País de Gales. Ela estava na casa dos sessenta anos, com cabelos grisalhos e um ar de matrona. Se eu não conhecesse sua história pessoal, jamais teria imaginado que ela havia nascido homem. Não conversamos sobre gênero e identidade, em parte porque eu estava lá para obter suas impressões para uma matéria de viagem sobre o País de Gales e, em parte, porque ela já havia dito tudo o que queria dizer sobre a transição. Ela era uma mulher — sempre fora, em sua própria mente — e ponto final.

Minha esposa e eu somos amigos de um casal que mora perto de nós, no vale do rio Hudson, em Nova York. Um dos três filhos deles é um adolescente trans. Assim como Jan Morris, ele encara sua identidade de gênero com naturalidade: embora tenha nascido menina, ele se considera menino e se veste e age como tal. Seus professores e colegas de escola, na cidade de Nova York, o aceitam como menino, e ele tem namorada. Ele segue as leis estaduais sobre tratamentos médicos para pessoas transgênero adequados à sua faixa etária. Em 2026, nessa região dos EUA, isso não é nada demais. Mas pode ser um desafio para muitos americanos, especialmente os mais velhos. Temos dificuldade em nos adaptar às atitudes dos jovens em relação ao gênero — quem é não binário, quem é de gênero fluído, quem usa o pronome neutro em vez de “ele” ou “ela”. O mundo deles é diferente daquele em que crescemos. Eles tentam aceitar uns aos outros, independentemente de quão diferente cada um escolha ser.

    Isso inclui, para um pequeno número deles — um número ínfimo —, o desejo de competir contra atletas do gênero com o qual se identificam. Muitos deles acreditam que, enquanto pessoas trans não puderem fazer isso, sua inclusão na sociedade não será completa. Assim como Michael Phelps, penso que as pessoas têm o direito de fazer a transição se isso as fizer sentir mais confortáveis ​​em sua própria pele. Quanto à questão de saber se atletas trans têm o direito de competir contra atletas cisgênero, acredito que isso deve ser decidido apenas pelas diversas autoridades esportivas, em consulta com médicos e cientistas. Atletas cisgênero também devem poder opinar sobre o assunto. Até agora, o consenso entre autoridades e atletas tem sido contrário a permitir que atletas trans compitam contra seus pares cisgênero. Mas, como tudo na vida, isso está sujeito a evoluções. A ciência fará novas descobertas, as opiniões mudarão e — com sorte — os ânimos se acalmarão. A esperança — para mim, pelo menos — é, com o tempo, garantir a inclusão de atletas trans e, simultaneamente, proteger a integridade do esporte. Pois, uma vez resolvida a questão da equidade, o único argumento contra a inclusão é ideológico, e isso não tem lugar no esporte.

Dito isso, não posso deixar de perguntar: quando é que o esporte foi justo? Victor Wembanyama, a estrela francesa do basquete que levou o San Antonio Spurs às Finais da NBA de 2026, tem 2,20 metros de altura. O quão justo é isso? Wembanyama é um atleta de talento imenso, mas sua estatura multiplica sua eficiência de forma exponencial. Roger Federer, Ronaldinho Gaúcho e Michael Jordan possuíam dons físicos extraordinários, negados a quase todos os outros mortais. Isso também não parece justo. Um dos atrativos do esporte é o mito de que, com medidas padronizadas para campos e quadras, tamanhos de equipe fixos, regras rígidas e árbitros para fazê-las cumprir, os resultados das competições serão justos. Mas você não acredita realmente nisso, acredita? Com ​​que frequência você protesta quando seu time vence uma partida porque o árbitro tomou uma decisão equivocada ou porque as estrelas do time adversário estavam lesionadas? Provavelmente com a mesma frequência com que um torcedor argentino de futebol vê o replay do gol da “Mão de Deus” de Maradona e diz: “Que feio, Diego! Não foi justo!”

(*) THE ISSUE REGARDING THE TRANSGENDER ATHLETE 

In 1977, Renée Richards reached the women’s doubles final of the U.S. Open tennis tournament. She and her partner lost the match, but Richards made a deep impression—on both tennis fans and the U.S. public. There were several unusual things about her. She was a practicing ophthalmologist, and she was taller (1.85 meters) and older (43 years) than the other women players. But the most unusual thing about her was this:Richards had once been a man. 

    She had been born Richard Raskind and had grown up to be a prominent amateur tennis player. In 1973 she underwent gender-reassignment surgery, and three years later she tried to enter the women’s draw of the U.S. Open. After some women players protested, the U.S. Tennis Association (USTA) demanded that all competitors take a chromosomal gender exam called the Barr Body Test. Richards refused. She was forbidden to enter the women’s competition, but she didn’t give up. She sued the USTA for gender discrimination under New York State’s human rights laws. Eventually the lawsuit reached the state Supreme Court, and in 1977 a judge ruled that Richards was legally a woman and that the USTA had no right to barher from women’s tournaments or to require her to takea chromosome test.

    Richards was one of the first openly trans professional athletes, and she caused a sensation. My old magazine, Sports Illustrated, reported that reactions to her varied “from astonishment to suspicion, sympathy, resentment, and more often than not, utter confusion.” She had numerous supporters among tennis fans and even among women players. Thanks to the judge’s ruling, she would play professional women’s tennis for four years, defeating several highly ranked players in singles and reaching not only the ’77 U.S. Open doubles final but also two mixed-doubles semifinals. (Her male partner was the wacky, disruptiveRomanian star Ilie Nastase.) In 1979 Richards achieved her highest singles ranking, 20in the world. After she retired from competition in 1981, she stayed in the game as a coach and guided Martina Navratilova to two Wimbledon singles titles.

    There has not been another elite trans player in tennis, so we can’t answer a couple of questions raised by Richards’ career: What if she had transitioned 20 years earlier, when she was in her athletic prime? And what if she had been a better player? (Richard Raskind was a gifted amateur, but he was no match for male pros.) In tennis, men have such an advantage over women in strength, speed and endurance that a man ranked as low as 100th on the pro tour could easily defeat Serena Williams, the greatest women’s player in history. (Don’t take my word for this. Serena herself says so.) It’s possible that Richards did not arouse more opposition because she was middle-aged and her skills were relatively modest.

    So let’s consider a younger trans athlete. Lia Thomas was in her early 20s in 2022, when she won the U.S. college swimming championship in the 500-yard freestyle. Before transitioning, she had swum for the University of Pennsylvania men’s team as William Thomas. She was allowed to swim for the women’s team only after undergoing testosterone-suppression and hormone-replacement therapies, as required by the NCAA, the U.S. college sports authority. That reduced Thomas’s strength and muscle mass, slowing her best race times by more than 15 seconds. But she gradually improved her times so they were near her pre-transition personal best. She dominated many races against cisgender women and set four school records in one competition. When she won the 500-freestyle title, the runner-up was a 2020 Olympic silver medalist, Emma Weyant. 

    Thomas had dreamed of competing in the 2024 Olympics, but in 2022 the International Swimming Federation (FINA) voted to bar trans athletes from women’s professional events. By then Thomas had become a political cause célèbre, giving conservative politicians a new target to attack in the nation’s culture wars. Florida’s Republican governor, Ron DeSantis, issued a proclamation naming Emma Weyant the “rightful winner” of the race she had lost to Thomas.(This was pure political theater, since the proclamation carried no weight in the world of college swimming.) President Donald Trump went further: He threatened to cut off $175 million in federal funding for the University of Pennsylvania because it allowed Thomas to swim on its women’s team. The university buckled under this pressure and agreed to ban trans athletes from its women’s teams and to erase Thomas’s titles and records from its record books. Trump also issued an executive order barring transgender females from girls’ and women’s sports competitions and locker rooms, which in turn led the U.S. Olympic and Paralympic Organization to require its sports federations to prohibit trans athletes from competing in their women’s events. The title of Trump’s order,“Keeping Men Out of Women’s Sports,” seemed to deny trans women the right to call themselves women.

    Thomas, like Renée Richards before her, sued for the right to continue competing in women’s events, but the Court of Arbitration for Sport ruled against her in 2024. Thomas was supported by the National Women’s Law Center, which said she was a victim of “misogyny and transphobia,” and by the American Civil Liberties Union, which declared that a sport is not a women’s sport “if it doesn’t include ALL women athletes.” But opinion within women’s swimming and within the Olympic movement was divided. Thomas was supported by some women swimmers, such as Erica Sullivan, the 2020 Olympic silver medalist in the 1500-meter freestyle. But Caitlyn Jenner, a trans woman who won the 1976 Olympic decathlon as Bruce Jenner, called Thomas “a narcissist” who was just out for publicity. (That was laughable, considering that Jenner is a member of the self-obsessed and publicity-hungryKardashian family and appeared many times on the Kardashians’ reality TV show. Jenner also revealed her new first name and her post-surgery look in a TV special.) The greatest swimmer in Olympic history,Michael Phelps, supported Thomas’s right to be a woman but not to compete as one. “I believe that we should all be comfortable with who we are in our own skin,” he said, “but I think sports should all be played on an even playing field.”

    The best-known trans athlete in Brazil, Tifanny Abreu, has things in common with both Renée Richards and Lia Thomas. Like Richards, Tifanny was past her athletic prime—41 years old—when she achieved her highest athletic distinction, helping to lead Osasco to the Superliga Feminina volleyball title in 2025. But, like Thomas, she had submitted to testosterone tests, and her level reportedly fell within the parameters set for women players by the Brazilian Volleyball Confederation, which first sanctioned her participation in its events in 2017.

    Earlier this month the CBV reversed its position on Tifanny, restricting its women’s competitions to biological females as determined by the SRY gene test.The CBV said it was changing its rule to conform with the policy of the International Olympic Committee(IOC). But by then the issue of trans women in sports had become a political football in Brazil, pitting the right against the left and throwing religion into the mix.The Chamber of Deputies of Belo Horizonte passed a bill that allows organizers to ban trans athletes from women’s competitions in the city, and in the federal Chamber of Deputies a bill was introduced to ban trans athletes in women’s sports throughout Brazil. Flávia Borja (Pode-MG), the conservative Christian councilwoman who promoted the bill in Belo Horizonte, declared that it wasn’t about ideology or exclusion but about “the integrity of women’s sports.”Deputy Manoel Isidório de Santana Júnior (Avante-BA), the pastor and retired military policeman who introduced the federal bill, went so far as to invoke the Almighty, saying that God created men to be stronger than women. In lurid language that might have made his most devout parishioners blush, Pastor Sargento Isidório said that a man, “mesmo vestido de mulher, com silicone no peito, querendo ter seios, que só mulheres possuem, castrando os seus instrumentos masculinos, querendo ter vagina, que só mulheres possuem, ainda assim possuirá organismo, força e capacidade fîsica masculina.”  

    All I can say to that is, politics in the U.S. would be a lot more fun if congressmen expressed themselves as colorfully as the good pastor.

    It’s likely that because of her age and suppressed testosterone levels, Tifanny does not have any competitive advantage over her fellow volleyball players. There’s a body of scientific research—though limited and not conclusive—indicating that because of hormone therapy, the physical advantages of trans women athletes over cisgender sportswomen are small at best. There are also relevant differences between sports: Some stress attributes affected by one’s birth sex, such as strength, speed and explosive power, while others rely more on qualities unconnected to birth sex, such as technique, balance and mental focus.

    For Donald Trump, Pastor Sargento Isidório and innumerable others, the issue is simple: Men are men and women are women, and one shouldn’t compete against the other in organized sports. But for yet others,the issue is more complicated. Many trans people believe that participating in sports against members of their chosen gender is a necessary part of inclusion. In that case the question is, can competition between trans and cisgender women be made fair? (I’m not addressing trans men in sports, because they haven’t aroused a comparable level of interest—at least not yet.) And while we’re at it, here’s another question: Why do we care so much about trans athletes in women’s sports? Why is the issue debated so passionately everywhere from bars to the internet to the halls of government?  

    Let’s start with a few statistics. According to a report that appeared on SF.gov, the official website of the city of San Francisco, California, trans people make up about 1% of the U.S. population. Of them, only a fraction are trans women competing in women’s sports:less than 0.002% of college athletes (10 out of 500,000) and 0.001% of recent Olympians. These are microscopic numbers. Yet in the first two and a half months of 2025, more than 745 anti-trans bills were introduced in U.S. state legislatures. The Trump Administration is particularly concerned about the alleged dangers of giving trans women access to women’s public bathrooms and sports locker rooms—even though there are no confirmed reports of sexual assaults resulting from this access, and there’s no evidence that trans athletes want to be admitted to women’s locker rooms because they are secretly still men and want to ogle half-naked girls. Doesn’t this aggressive response seem out of proportion to the problem—like trying to kill a fly with a cannon?Surely our obsession with an issue that affects so few people is aroused at least in part by the political and social-media outrage machine.

    Let’s also consider some science. According to Trans Health Research, an investigative team in the Department of Medicine at the University of Melbourne, Australia, most trans women are on gender-affirming hormone therapy (GAHT), which typically consists of estrogen plus testosterone-lowering medications. This causes an increase in body fat mass (about 30% over 12 months) and a decrease in muscle mass (about 5% over the same period). It does not affect bone structure, which does not change after puberty. Thus GAHT “brings substantial bodily changes,” according to the Trans Health Research website, but “it doesn’t erase everything that developed before treatment if treatment was started after puberty.”

    How does this affect athletic performance? There aren’t many long-term, sport-specific studies of trans athletes, and there’s even less research into elite trans athletes (perhaps because there are so few of them). There also is no clinical or performance study of trans women athletes who never underwent male puberty—which gives men their superior strength and speed—because they had access to puberty blockers. But the Melbourne research team reported a synthesis of 52 studies with 6,485 participants, published in the British Journal of Sports Medicine, showing that trans women on GAHT for one to three years were comparable to cisgender women in upper-body strength, lower-body strength and relative VO2 max—the maximum oxygen your body can use during intense exercise, which is the ultimate measure of cardiovascular fitness and endurance. (Another study of trans women athletes in Great Britain showed that after being on hormones from four to six years, they had worse lung function and jump height than cisgender women, although they were still superior in grip strength.) The research team’s conclusion: Any advantage held by trans women athletes over cisgender athletes is “small, context-specific, and not universal.”

    The Office of Transgender Initiatives of the mayor of San Francisco cited similar conclusions from other scientific studies of transgender athletes and noted that,where participation of trans women in women’s sports is allowed, it is “carefully regulated by national and international standards to ensure it is fair.” The guidelines are based on research by medical journals and sports governing bodies—including, ironically, the IOC. Once the testing organizations’ requirements are met, according to a study published in 2021 by the U.S.-based Journal of Sports Medicine, there is no scientific evidence that trans women have a physical advantage in women’s sports.

    So far, such limited findings have not persuaded most sports authorities around the world to allow trans women athletes to compete against cisgender women. Anecdotal accounts of trans athletes such as Lia Thomas dominating cisgender opponents also undermine the medical research in some people’s eyes. But this research is still in its relative infancy, and we can’t predict where it will lead. Meanwhile, unfortunately, the issue is too often a subject of political and religious debate. In the 2024 U.S.presidential campaign, Trump repeatedly stressed his opposition to inclusion for trans athletes. Kamala Harris’s strong support for transgender rights is thought to have contributed to her loss in the election, though she did express reservations about trans women competing in women’s sports.

    Two years later, more than half of the states in the U.S. have laws or regulations prohibiting transgender students in all grades through high school from competing against cisgender students in school sports. (According to the Human Rights Campaign, cited by the website Transathlete.com, 64% of all youths in the U.S. participate in sports, but only 12% of trans girlsparticipate—and trans girls make up less than 1% of all girls.) This past June the U.S. Supreme Court sanctioned these restrictions by ruling that banning transgender females from women’s sports does not violate their rights under the Constitution or under Title IX, the groundbreaking 1972 law that prohibits sex-based discrimination in educational institutions that receive federal funding.

    Because the transgender population around the world is so tiny, many people have never met a trans man or woman. (As distinct from a drag queen or a transvestite, who might dress as and mimic a member of the opposite sex but does not transition to live as one permanently.) Those who haven’t made such an acquaintance might imagine ulterior motives for transitioning, such as drawing attention to oneself or gaining an advantage in sports. But no one in their right mind would willingly choose the misery of gender dysphoria, the discrimination and ostracism that comes with transitioning, or the difficult medical treatments and painful surgery involved in gender reassignment. For a true trans person, transitioning is not so much a choice as a necessity.

    Many trans people tell similar stories of having believed for years, sometimes since early childhood, that they were born into the wrong bodies. That’s what the British writer Jan Morris related in her pioneering1974 memoir, Conundrum. Morris wrote that although she was born male, she knew early on that she was spiritually a girl. It was a secret she carried until age 46, in 1972, when she traveled to Morocco to havegender-reassignment surgery. Before that, as James Morris, she had been a renowned journalist, had married and had fathered four children. James Morris broke the story of the first conquest of Mount Everest, in 1953, by Edmund Hillary and Tenzing Norgay. To get the scoop for The Times of London, Morris climbed as high as 6,700 meters, 2,100 meters below Everest’ssummit—an astonishing feat for an untrained climber.Despite that and other adventures considered typically masculine, Morris never doubted she was a woman.

    Before her death in 2020, Morris wrote more than 50 books, mostly about history and travel. In the late 1980s, I interviewed her at her home in Wales. She was in her sixties, gray-haired and matronly. Had I not known her personal history, I wouldn’t have imagined that she was born male. We didn’t talk about gender and identity, partly because I was there to get her insights for a travel story about Wales and partly because she had already said all she wanted to say about transitioning. She was a woman—always had been, in her mind—and that was that.

    My wife and I are friends with a couple who live near us in the Hudson River Valley of New York. One of their three children is a trans teenage boy. Like Jan Morris, he is matter-of-fact about his gender—though he was born a girl, he considers himself a boy and dresses and acts like one. His teachers and schoolmates in New York City accept him as a boy, and he has a girlfriend. He follows state laws about age-appropriate transgender medical treatment. In 2026, in this part of the U.S., it’s not a big deal. But it can be challenging for many Americans, especially older ones. We struggle to adapt to young people’s attitudes toward gender—who’s nonbinary, who’s gender-fluid, who uses the pronoun they instead of he or she. Their world is different from the one we grew up in. They try to accept one another no matter how different each of them chooses to be.

    That includes, for a small number of them—an infinitesimal number—wanting to compete against athletes of their chosen gender. Until trans people can do that, many of them believe, their inclusion in society won’t be complete. Like Michael Phelps, I think people have the right to transition if it will let them feel more comfortable in their own skin. As for whether trans athletes have the right to compete in sports against cisgender athletes, I believe that should be decided only by the various sports authorities in consultation with doctors and scientists. Cisgender athletes should also have their say on the subject. Until now, the consensus among both the authorities and the athletes has been against allowing trans athletes to compete against their cisgender peers. But, like everything in life, this is subject to evolution. Science will make new discoveries, opinions will change—and, with luck, passions will cool. The hope—for me, at least—is eventually to grant inclusion to trans athletes and simultaneously protect the integrity of sports.Because once you resolve the issue of fairness, the only argument against inclusion is ideological, and that hasno place in sports.

    Having said all that, I can’t help but ask: When were sports ever fair? Victor Wembanyama, the French basketball star who led the San Antonio Spurs to the 2026 NBA Finals, is 2.2 meters tall. How fair is that? Wembanyama is an enormously talented athlete, but his height multiplies his effectiveness exponentially. Roger Federer and Ronaldinho Gaúcho and Michael Jordan had extravagant physical gifts that are denied to almost all other mortals. That doesn’t seem fair either. One of the appeals of sport is the myth that with standard measurements for fields and courts, with fixed sizes for teams, with strict rules for games and with referees to enforce them, the outcomes of competitions will be fair. But you don’t really believe that, do you? How often do you object when your team wins a match because a referee made a bad call, or because the other team’s stars were injured? Probably about as often as an Argentine football fan sees a replay of Maradona’s “Hand of God” goal and says, “Bad Diego! Not fair

Chris Hunt

Chris Hunt nasceu em Dallas, Texas, e cresceu em Caracas, Venezuela. Depois de formado em História em Nova Iorque, ficou nesta cidade e trabalhou como editor nas revistas Travel & Leisure e Sports Illustrated do Grupo Time Warner. Casado com Andréa, mineira de BH, curte a vida de aposentado viajando, lendo e tocando violão.

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