MINHA MELHOR AMIGA

Publicado em: 30/09/2026 às 06:15

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MINHA MELHOR AMIGA

Toda boa comédia trabalha com alguma premissa que talvez não seja exatamente verdadeira. 

Aqui duas belas amigas, na faixa de 50 anos, embarcam numa aventura, em viagem caótica a Portugal e Espanha. Buscam apoio mútuo para superar momentos de insatisfação ligados ao desgaste de um casamento de duas décadas e frustrações profissionais somadas ao receio de relacionamentos amorosos mais sérios, mediados pelo acaso. 

Ancorado num roteiro esperto, cheio de situações previsíveis, “Minha Melhor Amiga” lembra sempre aos espectadores e, particularmente, às mulheres que   podemos mudar nossas prioridades e nossos modos de viver, de que devemos nos dedicar ao que realmente é importante para nós. Só que essas mulheres têm recursos e possibilidades para reorganizar suas vidas. E o filme não tem pretensão de construir um retrato social amplo. 

A amizade entre as atrizes principais é conhecida, dentro e fora das telas, e é ela que evidencia a extrema habilidade das duas protagonistas em sustentar piadas e situações suavemente constrangedoras com improvisações hilárias. 

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli têm trabalho respeitável nas telas e palcos brasileiros. São acompanhadas aqui por duas jovens coadjuvantes Gabi Amaral e Giulia Benite que compõe com precisão e delicadeza as filhas adolescentes que equilibram as nuances levemente dramáticas do roteiro.   

Os homens são vistos como objetos a serem degustados, à exceção do marido músico, que é apontado como incapaz de compor um único verso razoável. Então os galãs portugueses Albano Jerónimo, Ângelo Rodrigues, Frederico Amaral, Ricardo Pereira, o espanhol Alejandro Albarracín e o brasileiro Gustavo Machado, compõe o cardápio.

A busca pelo amor romântico, felizmente, não é o motor das ações, mas há uma preocupação interessante em falar sobre amadurecimento, divórcio, menopausa, liberdade e sobre a necessidade de recuperar autoestima. Mas nenhum desses temas são aprofundados ou recebem bastante atenção da equipe de roteiristas. Nada é caricato, mas não existem propriamente personagens, mas situações cômicas que o público já reconhece e com as quais se identificam. E aplaudem durante e ao final da projeção. 

Susana Garcia, a diretora do filme, consolidou-se como um fenômeno comercial. É a cineasta brasileira de maior sucesso de bilheteria nos últimos trinta anos, acumulando dezenas de milhões de espectadores com filmes de grande apelo popular.  É a responsável por comédias como “Minha Vida em Marte” (2018) contemplado com o prêmio de Melhor Longa-Metragem Comédia no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, “Minha Mãe é uma Peça 3” (2019) e “Minha Irmã e Eu” (2023). 

“Minha Melhor Amiga”, segundo o jornal O Globo, ultrapassou 700 mil espectadores e acumulou R$ 17,3 milhões em menos de uma semana em cartaz, em setembro. Com isso, tornou-se o filme brasileiro mais visto de 2026 até o momento. Assim a produção já demonstra uma capacidade de mobilizar público que poucos lançamentos brasileiros conseguem alcançar.

                              Gabi Amaral e Giulia Benite                            foto Divulgação

Existe uma relação histórica entre o cinema brasileiro e a comédia. Considerando o público registrado na base histórica da Ancine, os dez filmes brasileiros mais vistos são Nada a Perder, Os Dez Mandamentos – O Filme, Tropa de Elite 2, Minha Mãe é uma Peça 3, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Minha Mãe é uma Peça 2, A Dama do Lotação, Nada a Perder 2, Se Eu Fosse Você 2 e O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão. A lista atravessa cinco décadas e mostra que o fenômeno da comédia não começou agora.

Temos todo o tempo do mundo, composição de Renato Russo, base da trilha sonora que acompanha as personagens diante das questões associadas à maturidade feminina é quase um gatilho para legitimar um verso famoso do guru Emicida: Quem tem amigo tem tudo. Boa diversão. Num cinema próximo de você.

Ficha Técnica: Minha Melhor Amiga /Elenco: Mônica Martelli, Ingrid Guimarães, Gabi Amaral, Giulia Benite /Direção: Susana Garcia /Roteiro: Andrea Batitucci, Ingrid Guimarães, Luisa Capri, Mônica Martelli, Patrícia Leme, Susana Garcia e Tati Bernardi /Produção: Paris Entretenimento (Marcio Fraccaroli, André Fraccaroli e Veronica Stumpf)

Wilson Oliveira

Wilson Oliveira - Mestre em Artes pela UFMG. Professor aposentado da UFOP onde ocupou o cargo de Pró Reitor Adjunto de Extensão. Diretor do Grupo Teatral Encena com o qual desenvolve pesquisas na área de Artes Cênicas. É torcedor do América Futebol Clube.

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