THE ROLLING STONES – FOREIGN TONGUES (2026)

Publicado em: 31/07/2026 às 06:03

Compartilhe

O renascimento criativo dos Rolling Stones

Lançado em 10 de julho de 2026, Foreign Tongues é o 25º álbum de estúdio dos The Rolling Stones e sucede o aclamado Hackney Diamonds (2023). O disco confirma que a fase iniciada com o retorno às gravações inéditas não foi um episódio isolado, mas o começo de uma nova etapa criativa para a banda.

Ao contrário de Hackney Diamonds, que tinha o peso simbólico de ser o primeiro álbum de inéditas em dezoito anos, Foreign Tongues apresenta uma banda mais confiante e espontânea. Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood gravam sem a pressão de provar que ainda eram capazes de produzir um grande disco de rock. O resultado é um trabalho maduro, vibrante e cheio de referências às diferentes fases da carreira do grupo.

O nome Foreign Tongues (“Línguas Estrangeiras”) simboliza o caráter universal da música dos Rolling Stones. A ideia central é mostrar que o rock e o blues ultrapassam fronteiras culturais, sendo compreendidos em qualquer idioma.

A campanha de divulgação explorou esse conceito ao apresentar títulos de músicas e materiais promocionais em diversas línguas, reforçando a dimensão internacional da banda.

A produção ficou novamente sob responsabilidade de Andrew Watt, que já havia comandado Hackney Diamonds.

Watt buscou preservar a energia das gravações ao vivo em estúdio, reduzindo ao mínimo as intervenções digitais. Algumas faixas foram registradas praticamente em tempo real, enquanto outras receberam uma produção mais elaborada, sempre mantendo o som característico dos Stones.

O produtor também incentivou a utilização de equipamentos analógicos em algumas sessões, buscando aproximar o álbum da sonoridade clássica da banda.

Grande parte do material nasceu das sessões realizadas após Hackney Diamonds. Keith Richards revelou que muitas composições permaneceram inacabadas durante aquele projeto e acabaram sendo desenvolvidas para o novo álbum.

Essa continuidade explica a unidade artística entre os dois discos.

Embora tenha falecido em 2021, Charlie Watts continua exercendo forte influência sobre os Rolling Stones.

O álbum utiliza gravações realizadas antes de sua morte em determinadas faixas, enquanto Steve Jordan, escolhido pelo próprio Charlie para substituí-lo nas apresentações ao vivo, assume a bateria na maior parte do repertório.

A presença de Charlie confere ao disco um forte caráter emocional, funcionando como uma homenagem permanente ao lendário baterista.

Como ocorreu em Hackney Diamonds, vários convidados enriquecem o álbum.

Entre eles destacam-se:
-Paul McCartney
-Robert Smith
-Steve Winwood
-Chad Smith
As participações aparecem de forma discreta, valorizando sempre o protagonismo da banda.

O repertório reúne quinze faixas inéditas, incluindo:
-Rough and Twisted
-In the Stars
-Jealous Lover
-Mr. Charm
-Divine Intervention
-Ringing Hollow
-Never Wanna Lose You
-Covered in You
– You Know I’m No Good (cover de Amy Winehouse)
As composições alternam momentos de rock direto, blues tradicional, baladas e canções com influências de soul e rhythm and blues.
Os primeiros singles lançados foram:
-In the Stars
-Rough and Twisted
As duas canções apresentaram ao público a proposta sonora do novo álbum e receberam boa repercussão entre fãs e críticos.

Foreign Tongues percorre praticamente todos os estilos que marcaram a carreira dos Stones:-Rock clássico, Blues rock, Rhythm and blues, Soul, Country rock, Hard rock, Elementos de funk
Apesar da variedade, o disco mantém unidade sonora graças à produção de Andrew Watt e ao entrosamento entre Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood.
A recepção foi bastante positiva. Os principais elogios destacaram: a excelente forma vocal de Mick Jagger; os riffs inspirados de Keith Richards; a criatividade de Ronnie Wood; a produção moderna sem perder a identidade da banda; a consistência do repertório.
Muitos críticos observaram que o álbum demonstra uma banda renovada e artisticamente motivada, algo raro para um grupo com mais de sessenta anos de atividade.

Logo após o lançamento, Foreign Tongues alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas, tornando-se o 15º álbum número um dos Rolling Stones no Reino Unido, igualando um recorde histórico dos Beatles. O álbum também obteve forte desempenho em diversos países da Europa e da América do Norte.

Hackney Diamonds e Foreign Tongues formam uma espécie de sequência.
Enquanto Hackney Diamonds representa o grande retorno da banda ao estúdio após dezoito anos sem um álbum de inéditas, Foreign Tongues mostra um grupo trabalhando com maior liberdade criativa.
Se Hackney Diamonds simboliza o renascimento dos Rolling Stones, Foreign Tongues representa a consolidação dessa nova fase.
Mais do que um simples sucessor de Hackney Diamonds, Foreign Tongues demonstra que os Rolling Stones continuam relevantes mesmo após mais de seis décadas de carreira.
O álbum reafirma a essência da banda — profundamente enraizada no blues e no rhythm and blues — ao mesmo tempo em que incorpora uma produção contemporânea e novas influências. A parceria entre Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Andrew Watt prova que tradição e renovação podem coexistir, mantendo viva uma das maiores instituições da história do rock.

Para a história dos Rolling Stones, Foreign Tongues poderá ser lembrado como o álbum que consolidou a surpreendente revitalização artística iniciada com Hackney Diamonds, mostrando que a criatividade da banda permanece intacta mesmo no século XXI. Com Foreign Tongues os Rolling Stones conquistaram seu 15º álbum Nº 1 no Reino Unido e igualam a marca dos Beatles.

Juarez Vieira

Quando Juarezito nasceu no Hospital Santo Antônio de Peçanha, o rádio da enfermeira tocava “Rock Around the Clock”. Ouviu com atenção e nunca mais parou, incluindo o Blues nesta convivência. Vive intensamente, o bastante para se transformar em Enciclopédia, preparado para escrever artigos que irão deliciar. 

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *