STICKY FINGERS – ROLLING STONES

Publicado em: 30/09/2026 às 06:25

Atualizado em: 30/09/2026 às 13:42

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Zito, João Bosco, Zé Ciríaco, Chico França, Claudio, Aluísio, Juarez, Carlos, Celso

Para a Turma da Saracura, incluindo os que já partiram: Carlos, Evandro, João Bosco e Jurandir.

Escolher o melhor disco (LP) de uma banda ou cantor solo de Rock não é uma tarefa fácil. As preferências variam muito para cada um. Tomando como exemplo os  Beatles, pode-se dizer que Revolver, Sgt.Pepper ‘s Lonely Heart Club Band e Abbey Road estão nas discussões, revezando eternamente no pódio. Talvez a exceção fique com o Pink Floyd, pois todos concordam com o primeiro lugar do The Dark Side of the Moon.  

Em relação aos Rolling Stones é quase unanimidade  que os melhores são os gravados na era clássica: Beggars Banquet (1968), Let it Bleed(1969), Sticky Fingers(1971) e Exile on Main St.(1972). Mantenho relação amistosa com eles há mais de 50 anos e talvez pelo envolvimento nunca consegui definir qual é o melhor. Não posso deixar de citar que no período dos lançamentos destas  precocidades ainda apareceu o Get Yers Ya-Ya’as Out!(1970), talvez  o melhor disco ao vivo de Rock que conheço.   

Tenho um apreço especial pelo Sticky Fingers. Foi o primeiro LP dos Stones que tive contato, aos 16 anos e, desde então, aprofundei a relação com a banda. Anteriormente só ouvira singles e a espetacular coletânea Thourgh The Past Darkly (Big Hists Vol.2)(1969) US. Além de tudo, ele funcionou como amálgama que ajudou a relação de  amizade e companheirismo que se iniciou adolescência e continua até hoje. Certamente as infindáveis discussões sobre os aspectos do Sticky Fingers contribuíram para fortalecer as conexões entre amigos e a manutenção dos vínculos que, como disse, ainda se mantêm atuais.                   

O lançamento de Sticky Fingers no Brasil, em abril de 1971, foi particularmente importante porque aconteceu justamente quando o rock internacional estava passando por importante  transformação e os Rolling Stones deixavam de ser apenas uma grande banda britânica para se transformar em uma das principais referências do rock dos anos 1970. 

Os Beatles haviam encerrado suas atividades no ano anterior e os Stones, por sua vez, ocupavam o  lugar deles na indústria fonográfica em todo o mundo.  No princípio da década de 70, só lojas mais seletivas em BH vendiam seus discos. Pop Rock na rua Tupis, ao lado da Faculdade de Economia da UFMG era uma delas (hoje o imóvel está ocupado por igreja evangélica). Com as boas vendas de Sticky Fingers não demorou muito para  que todo catálogo da banda fosse relançado e estivesse à disposição em todas lojas. Antes disso, porém, a “turma “ (assim denominada pelos amigos referidos acima) foi até a Pop Rock saindo com: Their Satanic Majesties Request, Beggars Banquet, Let it Bleed e Get Yer Ya -Ya’s Out! debaixo dos braços. A partir deste dia começaram as reuniões de audições, como se fossem concertos ao vivo, embora acontecessem na Fazenda Saracura, de meu pai, onde passávamos férias memoráveis, na pensão da  D. Efigênia Reis, na rua Curvelo, no bairro Floresta, onde moravam alguns de nós, ou no alpendre da casa do Carlos Caldeira, dentre outros lugares.                     

Sticky Fingers é uma grande seleção composta de  blues, rock, country-rock, soul, gospel e R&B, mostrando os Stones em plena maturidade musical. O guitarrista Mick Taylor entrou para banda no lugar de Brian Jones que havia falecido, e foi o primeiro álbum de estúdio em que participou de todo o processo criativo, no auge de sua forma técnica. Antes ele tivera pequenas participações no Let it Bleed, no single “Honky Tonk Women” e no Get Yer Ya -Ya’s Out. Sua presença foi especialmente importante. A guitarra, mais melódica e ligada ao blues, complementava os riffs de Keith Richards. O resultado aparece claramente em “Sway” e “Can’t You Hear Me Knocking”. 

Também foi importante para o resultado a amizade de Keith Richards com Gram Parsons (The Byrds, The Flying Burrito Brothers) e a consequente  aproximação dos Stones com a música country americana. Parsons foi um dos principais nomes do country-rock e ajudou a aproximação com country, blues e rock. “Wild Horses” é uma das grandes baladas dos Stones e típico resultado desta aproximação.        

Dentre os convidados que participaram da gravação do disco feras como Billy Preston (Órgão), Bobby Keys (saxofone), Nicky Hopkins (piano), Ian Stewart (piano), Jim Price (trompete), Jack Nitzsche (piano) e outros.                                                       

AS MÚSICAS

“Brown Sugar” — abre o álbum com um dos riffs mais famosos de Keith Richards.

“Sway” — poderoso blues-rock, com grande destaque para Mick Taylor.

“Wild Horses” — linda balada influenciada pelo country e folk.

“Can’t You Hear Me Knocking” — uma das obras-primas do disco, transformando blues-rock em uma longa jam instrumental.

“You Gotta Move” — aproximação direta com o blues tradicional.

“Bitch” — rock pesado e explosivo.

“I Got the Blues” — forte influência de soul e gospel.

“Sister Morphine” — uma das faixas mais sombrias do álbum.

“Dead Flowers” — country-rock com humor ácido.

“Moonlight Mile” — encerramento melancólico e sofisticado.                                        

 A CAPA

Uma das mais famosas da história do rock, a capa foi criada como arte conceitual pelo artista Andy Warhol. A edição original mostrava em close uma calça jeans masculina real com ziper que funcionava. Durante muito tempo imaginou-se que a foto era de Mick Jagger, mas posteriormente esta versão foi desfeita e a identidade do figurino nunca foi revelada. Em alguns países ela foi proibida, como na Espanha franquista,  trocada por uma lata de conservas de onde saíam dedos.  

O álbum também marcou a utilização do famoso símbolo da boca com a língua, criado por John Pasche, que se tornou a imagem mais conhecida dos Rolling Stones. 

CURIOSIDADES

O primeiro lote da  edição brasileira continha a canção Sister Morphine, eliminada nos lotes subsequentes, devido ao seu conteúdo, que aborda de maneira sombria a dependência de drogas, tornando esta prensagem uma particularidade histórica muito procurada nos sebos.                                         

 Ela foi escrita por Marianne Faithfull, Mick Jagger e Keith Richards e Faithfull lançara sua própria versão em 1969. Ela voltou ao álbum brasileiro em relançamento de 1976.                                

O grande mérito do álbum está na maneira como os Rolling Stones transformaram suas influências em uma linguagem própria. Sticky Fingers representa o momento em que encontraram um equilíbrio quase perfeito entre o blues americano, rock britânico, country, soul e gospel. É um álbum fundamental para compreender a evolução do blues-rock e do country-rock

Também pavimentou o caminho para Exile on Main St., lançado em 1972. Se Sticky Fingers estabeleceu essa linguagem, Exile a levou a uma dimensão ainda maior.  

The Rolling Stones – Dead Flowers – From The Vault – The Marquee – Live In 1971

Juarez Vieira

Quando Juarezito nasceu no Hospital Santo Antônio de Peçanha, o rádio da enfermeira tocava “Rock Around the Clock”. Ouviu com atenção e nunca mais parou, incluindo o Blues nesta convivência. Vive intensamente, o bastante para se transformar em Enciclopédia, preparado para escrever artigos que irão deliciar. 

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Uma resposta

  1. Juarezito, que lembrança boa você nos devolveu! Ler esse texto foi como voltar à Saracura, aos LPs, às audições e às intermináveis conversas sobre música. Mais do que Sticky Fingers, você resgatou um pedaço lindo da nossa juventude e da amizade que atravessou mais de 50 anos. E os que já partiram continuam presentes na nossa memória e na nossa música. Grande abraço, meu primo, meu amigo!

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