Democracia, do grego demokratía, é formada pela união dos termos: demos (povo) e kratos (poder) e o significado etimológico literal é “poder do povo” ou “governo do povo”. A palavra, no entanto, é ampla bastante para abrigar grande número de sentimentos humanos. Neste mês das eleições constituídas por batalhas épicas (mais grego: épica – do grego epikós, atualmente significa acontecimento extraordinário) examinamos algumas das suas nuances para entender (ou tentar) o nosso momento, como indivíduos e país.
Começamos com Edésio Fernandes e sua análise brilhante do mais recente processo de eleições no Brasil, oferecendo gentilmente “Algumas Idéias sobre o Processo Eleitoral Brasileiro”. No seu enorme currículo consta professor universitário em várias instituições de ensino da Holanda, Inglaterra, Estados Unidos, dentre outras. A sua presença aqui é motivo de honra e alegria pela oportunidade de oferecermos ideias de tamanha envergadura. Em seguida, reproduzimos o artigo “Democracia Sempre” assinado pelos presidentes que participaram da reunião no Chile, em 2025, visando o fortalecimento da democracia na América Latina. Na seção Livro, Francisco França nos indica o best seller “Como as Democracias Morrem”, um trabalho didático e circunstanciado das manobras usadas pelos governantes para transformarem seus regimes em ditaduras. E na crônica “A Verdade dos Atos e a Nossa”, Francisco França, percebe que a verdade não é única, pois a vemos conforme nossos desejos. Época de eleição mostra claramente como há uma verdade para cada indivíduo. Finalizamos com transcrição de dois poemas de Bertolt Brecht – “Nada é Impossível de Mudar e Aos Que Virão Depois de Nós”. Escritos em 1930 e 1934 respectivamente, se mostram atualíssimos, como o povo brasileiro acabou de provar.
Depois das emoções eleitorais, queríamos acompanhar Chris Hunt na sua literalmente deliciosa estadia em Berlim, narrada com a competência e verve de sempre. É tanta iguaria boa que bem poderíamos ir lá, se fosse mais perto… Ficando por aqui, excelente programa é encontrar com Paula e Álvaro na Ramalhete. Wilson Oliveira mostra que mais do que livraria ela é um hub de idéias, disseminadas nos livros, pinturas objetos de arte e, principalmente, nas conversas com o casal, entremeadas de café e o melhor pão de queijo da cidade. Ainda curtindo as variações das delícias, Silmara Franco, também nos honra com texto de alta qualidade, ao mostrar em “RG” porque é cronista famosa. Em outra viagem de altíssimo nível, Inácio Cunha começa a vadiar pelos subterfúgios das pessoas pela boca, talvez o verdadeiro espelho da alma.
Wilson Oliveira se equilibra muito bem para contar a vida extraordinária de “Gustavo Parreiras – Um Bacharel do Circo na Europa”. Sua rica experiência pode ser inspiradora para quem busca ampliar seus horizontes, como diz Wilson.
Ainda há tempo para ouvir as músicas políticas de Milton Nascimento apresentadas pela Odette Castro e alguns álbuns de rock e blues gravados ao vivo, selecionados pela competência de Juarez Vieira. E ver “O Declínio do Império americano” na sessão de cinema. Last but not least no Pílulas, Djalma França fala sobre Dom Pedro Casaldáliga, outro assunto atualíssimo, como bem mostra a frase “Eu não acredito em movimentos políticos. Acredito em movimentos pessoais, ao movimento da alma, quando um homem olha para si mesmo e está tão envergonhado que tenta fazer algum tipo de mudança dentro de si mesmo, não do lado de fora.” (Joseph Brodsky). Vamos pensar nisso?





