A ECONOMIA DA ATENÇÃO

Publicado em: 30/09/2026 às 06:50

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Olá. Meu nome é Chris e sou um viciado. Sou viciado em rolar a tela. Rolo a tela quando deveria estar lendo um livro, indo à academia, recolhendo galhos caídos no quintal ou escrevendo este artigo. Penso: “Vou rolar só um pouquinho”, e então rolo mais um pouco e, de repente, já se passaram algumas horas. Adoro assistir aos cachorros que cantam canções de amor, ao sujeito que explica como falar “mineirês”, aos clipes de “Game of Thrones” e “O Poderoso Chefão”, aos bebês que dão entrevistas na maternidade e depois viajam pelo mundo visitando monumentos famosos, aos vídeos falsos de Donald Trump de fraldas e salto alto, aos debates entre criacionistas e evolucionistas, às opiniões dos meus analistas políticos favoritos e aos replays de grandes jogadas de tênis de Roger Federer ou gols do Liverpool Football Club.

Isso não é por acaso. Meu feed do Instagram foi projetado para descobrir do que gosto e me oferecer cada vez mais desse conteúdo; assim, se eu não tomasse cuidado (ou se minha esposa não me chamasse a atenção), poderia passar o dia inteiro rolando a tela. O algoritmo que torna isso possível equivale a um traficante de drogas a serviço de um cartel — neste caso, a Meta, proprietária não apenas do Instagram, mas também do Facebook e de outros sites “entorpecentes”. Existem outros cartéis também. O TikTok é um deles — imagine a Meta como o cartel de Medellín e o TikTok como o cartel de Cali. Há também outros sites viciantes, como YouTube, X e Snapchat. Você provavelmente visita um deles diariamente. Talvez vários.

O que há de errado nisso? Muita coisa. Em 2024, durante a gestão do presidente Joe Biden, o Departamento de Justiça dos EUA processou o TikTok por supostamente permitir que crianças menores de 13 anos criassem contas sem a permissão dos pais, por coletar ilegalmente informações sobre essas crianças e por não atender às solicitações dos pais para excluir as contas. Em 21 de agosto, o TikTok firmou um acordo para encerrar o processo.

Não importa quão peculiares sejam seus interesses, um desses sites irá atendê-los. Chris Hayes, o jornalista político americano cujas ideias embasam grande parte deste ensaio, diz ficar hipnotizado por vídeos mudos de profissionais de limpeza de carpetes que, “paciente, minuciosa e carinhosamente, lavam tapetes velhos e sujos até que fiquem brilhantes e coloridos”. Ele também confessa assistir a vídeos em que pessoas preparam sanduíches de aparência deliciosa e a outros em que restauram meticulosamente campainhas antigas e enferrujadas. Hayes não está sozinho nessa. Um vídeo de restauração de campainha, segundo ele, teve 4,4 milhões de visualizações em apenas três meses. Talvez o seu gosto pessoal se incline mais para vídeos de Vladimir Putin e Kim Jong-un vestidos de mulher e dançando ao som de ABBA. Não importa. Seja qual for a sua preferência, existe um site pronto para transformar essa paixão em uma obsessão que consome o seu tempo — tudo em nome do lucro. Como Hayes escreve em seu livro “The Sirens’ Call: How Attention Became the World’s Most Endangered Resource” (“O Canto das Sereias: Como a Atenção se Tornou o Recurso Mais Ameaçado do Mundo”): “Algumas das maiores corporações da história da humanidade gastam bilhões para descobrir o que desejamos e quanto disso podem nos vender”.

BEM-VINDO À ECONOMIA DA ATENÇÃO 

“Cada aspecto da vida humana está sendo reorientado em torno da busca por atenção”, escreve Hayes. Não apenas a vida comercial, mas também a vida social, pública e política. O que torna esta era diferente de qualquer outra é que seu principal recurso, ao contrário de ativos tangíveis como terra, carvão e petróleo, está embutido em nossa psique. Extraí-lo exige invadir nossas mentes”. Esse “rearranjo das condições sociais e econômicas em torno da busca por atenção”, declara Hayes, representa “uma transformação tão profunda quanto o surgimento do capitalismo industrial e a criação do trabalho assalariado como a forma central de atividade humana”.

O grande desafio para os capitalistas da atenção não é apenas capturar nossa atenção, mas mantê-la pelo maior tempo possível. Isso não é fácil. Veja os filmes e programas de televisão, que precisam prender nossa atenção por duas ou três horas ou durante uma série de 10 episódios. Nenhum produtor tem uma fórmula comprovada para o sucesso. Alguns filmes ou programas de TV fazem enorme sucesso, enquanto outros fracassam. Ninguém sabe ao certo o motivo. “Os seres humanos são imprevisíveis, e os apetites humanos são vastos e estranhos”, escreve Hayes. Para contornar esse problema, empresas como a Meta utilizam o que Hayes chama de “modelo de caça-níqueis”.

Nos cassinos, as máquinas caça-níqueis são mais lucrativas do que jogos não mecanizados, como blackjack e roleta. Isso ocorre porque as máquinas caça-níqueis são mais eficazes em reter nossa atenção. Elas a capturam com seus símbolos giratórios nos poucos segundos necessários para completar uma jogada e a mantêm ao repetir o processo incessantemente. Os jogadores ficam viciados nelas. “Não é necessariamente o jogo em si — a possibilidade de ganhar dinheiro — que os mantém ali”, escreve Hayes. É “o transe atencional único que a dinâmica do jogo da máquina induz”.

Agora, pense na rolagem de tela (“scrolling”). Sites como o Instagram não retêm nossa atenção tanto quanto a capturam repetidamente — o que, no fundo, dá no mesmo. Assim como as máquinas caça-níqueis, seus “feeds” rolam verticalmente e nunca param: guepardos perseguindo gazelas, o Príncipe Harry e Meghan discutindo, a Mona Lisa saindo da tela de Leonardo e cantando uma música de Taylor Swift, o Cristo Redentor descendo de seu pedestal sob a chuva e abrindo um guarda-chuva, Dolly Parton cantando um dueto com o Caco, o Sapo. “Esses aplicativos retém nossa atenção por meio de uma forma estruturada de estímulo constante”, escreve Hayes. Eles “nos bombardeiam com um milhão de pequenas interrupções, monitoram quais delas capturam nossa atenção e, então, as repetem”. A melhor parte disso para seus proprietários? Nós, viciados, não precisamos ir a Las Vegas e usar um caça-níqueis. Podemos alimentar nosso vício com algo portátil que cabe no bolso: nossos celulares.

A rolagem infinita, criada por um engenheiro do Vale do Silício chamado Aza Raskin, satisfaz nosso desejo por entretenimento interminável. Mas de onde vem esse desejo? Blaise Pascal, matemático e filósofo francês do século XVII, atribuía-o à ansiedade em relação à nossa mortalidade. Certamente ainda sentimos isso, mas o século XXI oferece inúmeros outros motivos para buscar distração. Há, por exemplo, a monotonia das tarefas repetitivas em tantos empregos industriais e de escritório, assumidos pelas pessoas principalmente para pagar as contas. Soma-se a isso a ansiedade de perder esses empregos em economias em constante transformação e a angústia causada pela impossibilidade de processar a quantidade avassaladora de informações geradas pela mídia moderna e pela complexidade da vida contemporânea. Por fim, há o simples tédio, uma condição que, paradoxalmente, parece mais comum hoje do que em épocas mais simples, remontando até mesmo às sociedades primitivas de caçadores-coletores.

Assim como dependentes químicos, nunca nos satisfazemos com a quantidade de entretenimento que encontramos; queremos sempre mais. Raskin, o “Dr. Frankenstein” da rolagem infinita, reconheceu com pesar as consequências de sua criação. “Um total combinado de mais de 200.000 vidas humanas — cada momento do nascimento à morte — é agora gasto rolando telas”, disse ele. “Simplesmente perdido por completo.”

A Meta e o TikTok acumularam fortunas imensas graças à nossa atenção, mas a que custo para o restante de nós? Comecemos pelo que foi tirado de nossas crianças por essas duas gigantes corporativas — pelas quais foram justamente punidas (embora de forma alguma paralisadas) pelas autoridades dos EUA. Em 18 de agosto, o TikTok concordou em pagar US$ 400 milhões para encerrar um processo movido pelo Departamento de Justiça dos EUA, que acusava a gigante chinesa de coletar ilegalmente informações sobre crianças menores de 13 anos sem a permissão dos pais. Segundo a ação judicial, aberta em 2024 durante a presidência de Joe Biden, o TikTok permitia que crianças criassem contas e não atendia às solicitações dos pais para excluí-las. Tal conduta violou a legislação de privacidade dos EUA e um acordo anterior firmado pelo TikTok para proteger a privacidade infantil. Quatrocentos milhões de dólares é muito dinheiro, mas não para o TikTok, que está avaliado em cerca de US$ 500 bilhões. Em outras palavras, o TikTok se safou facilmente. Na verdade, segundo o “The New York Times”,  esse acordo refletiu a “abordagem mais branda” do governo Trump em relação a litígios governamentais em curso contra várias grandes empresas. (Chupa essa, Joe Biden!)

Oito dias depois, a Meta concordou em pagar até US$ 17,1 bilhões em multas e fazer alterações em seus produtos para encerrar ações judiciais movidas por 47 estados dos EUA, pelo Distrito de Colúmbia (o distrito federal americano) e por territórios dos EUA, que alegavam que a empresa colocava crianças em risco com plataformas de rede social viciantes. A Meta foi acusada de violar leis federais de privacidade infantil e leis de defesa do consumidor de vários estados. A empresa concordou em limitar o tempo que adolescentes podem passar em suas plataformas e em banir recursos que poderiam agravar problemas de saúde mental. O acordo, segundo o “Times”, atingiu o cerne do modelo de negócios da empresa, baseado no engajamento para fins publicitários”. O objetivo do processo contra a Meta, segundo o procurador-geral do estado do Colorado, Phil Weiser, era “proteger nossas crianças: interrompendo notificações e alertas à noite e durante o horário escolar, incentivando-as a fazer pausas nas redes sociais e protegendo-as contra recursos prejudiciais”. Separadamente, a Meta concordou em pagar ao estado do Texas cerca de US$ 1 bilhão para encerrar um processo semelhante. Mas o proprietário da Meta, Mark Zuckerberg, ainda não está livre de problemas. “A empresa ainda enfrenta inúmeros outros processos movidos por distritos escolares e indivíduos”, relatou o “Times”, “alguns dos quais têm julgamentos marcados para os próximos meses”. Mesmo que esses casos resultem em mais penalidades financeiras para a Meta, eles não causarão um impacto significativo no valor de mercado da empresa, estimado em US$ 1,47 trilhão.

Como esses casos envolvem crianças em idade escolar, eles nos dão a oportunidade de examinar os danos que a economia da atenção está causando à educação e, especificamente, à alfabetização. No mês passado, a revista americana “The Atlantic” publicou uma matéria de capa intitulada “A Era da Leitura Chegou ao Fim”. O artigo, da jornalista Rose Horowitch, citou pesquisas indicando que, “ao chegar à oitava série, a criança média passa quatro horas e meia por dia nas redes sociais. Durante grande parte desse tempo, ao que parece, elas assistem a vídeos, muitas vezes em velocidade dobrada”. As redes sociais eram, antigamente, baseadas principalmente em texto, mas hoje os usuários jovens trocam sobretudo vídeos ou gravações de voz. Em outras palavras, a economia da atenção está ajudando a inaugurar a sociedade pós-letrada. As escolas nos EUA adaptaram-se à redução do tempo de atenção e à diminuição da compreensão de leitura provocadas pela rolagem infinita, pelos hiperlinks e pelas notificações constantes. Uma pesquisa de 2025, citada por Horowitch, revelou que a maioria dos professores de literatura em inglês do ensino fundamental II e do ensino médio não passava mais do que quatro livros por ano aos alunos — e, às vezes, nenhum livro sequer. Em vez disso, eles atribuem trechos de livros ou passagens curtas. Não surpreende que as habilidades básicas de leitura dos alunos americanos estejam em declínio. “Em 2024, em um teste nacional, apenas 35% dos alunos do último ano do ensino médio demonstraram proficiência em habilidades como analisar temas ficcionais complexos e avaliar a eficácia do argumento de um autor”, relatou Horowitch. Cada vez menos jovens americanos dizem gostar de ler. No ano passado, 29% dos jovens de 13 anos entrevistados afirmaram que raramente ou nunca liam por prazer. E a situação piora à medida que envelhecem. “Quanto mais velha a criança fica, menos ela gosta de ler”, constatou Horowitch. Um grupo focal composto por alunos do último ano do ensino médio foi questionado sobre a leitura por prazer, e “a maioria a via como uma prática estranha à sua realidade”.

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E quanto aos pais? Segundo uma pesquisa do “National Endowment for the Arts”, menos da metade de todos os adultos nos EUA leu um livro de qualquer tipo em 2022. Um estudo da “American Time Use Survey” constatou que “a proporção de americanos que leem por prazer em um determinado dia caiu de 28% em 2004 para 16% em 2023”, de acordo com Horowitch.

Essa é uma perda terrível. Pense na leitura como ir à academia. “Ler livros é um treino para a capacidade de atenção”, escreve Horowitch. “Quanto mais você lê, mais fácil se torna e mais você é recompensado com novos entendimentos.” Por outro lado, “quanto menos você lê, mais difícil fica e mais árduo é o caminho para adquirir conhecimento”. Assistir vídeos passando a tela é uma atividade mais passiva do que ler; exige menos imaginação e concentração. Estudos citados por Horowitch constataram que os cérebros de “crianças que passavam mais tempo diante de telas e menos tempo lendo apresentavam uma substância branca menos desenvolvida em áreas associadas à função executiva e à linguagem”. Na escola, essas crianças têm dificuldade em manter o foco e realizar esforços mentais. Quando chegam à faculdade, relata Horowitch, seus professores “precisam ensiná-las a compreender um texto — ou seja, a pensar”.

Fora dos campi universitários, as notícias são igualmente ruins. “A capacidade dos adultos americanos de responder a questões de lógica, raciocinar de forma eficaz e analisar padrões diminuiu entre 2006 e 2018”, observa Horowitch. “Os adultos americanos tendem a ter um vocabulário mais restrito do que pessoas com nível de escolaridade equivalente tinham meio século atrás”, e estudos recentes indicam que, nos últimos 20 anos, as pontuações médias de QI caíram “cerca de três pontos por década”. Horowitch conclui que o declínio da leitura — que, reconhecidamente, começou muito antes das redes sociais, com o advento da televisão — “parece estar inaugurando um modo de pensar menos racional, analítico e sofisticado”.

O que nos leva à política. Há dois mil anos, todos os caminhos levavam a Roma. Hoje, todos os caminhos levam a Donald Trump. O falecido padre jesuíta, historiador e filósofo Walter J. Ong teorizou que a civilização moderna estava entrando em uma fase de “oralidade secundária”, na qual “uma sociedade anteriormente letrada retorna a algumas das convenções de culturas ágrafas”. Nas antigas sociedades orais, as histórias não eram impressas nem lidas. Elas eram recitadas por bardos, que recorriam à repetição, a frases feitas e a epítetos para narrar contos épicos como “A Ilíada” e “A Odisseia”, sem jamais se preocupar em cometer erros ou se contradizer, pois o público não se lembraria do que havia sido dito anteriormente. “O estilo de comunicação de Trump é perfeitamente adequado a uma sociedade oral”, escreve Horowitch. Ele utiliza epítetos como “Sleepy Joe” (Joe Sonolento) e “lunáticos da esquerda radical”, que são fáceis de memorizar e repetir. Ele se contradiz sabendo, assim como os antigos bardos, que seus seguidores não estavam fazendo anotações na última vez que ele falou. De fato, diz Horowitch, Trump é “nosso primeiro presidente pós-letrado”. É difícil imaginá-lo sendo eleito líder de um país onde a informação é disseminada principalmente por meio de textos”.

Trump compreende intuitivamente a economia da atenção. Pense em seus discursos como um fluxo infinito de conteúdo — máquinas caça-níqueis orais que giram de um tópico para outro, misturando mentiras e exageros absurdos, evocando imagens sinistras de imigrantes violentos e democratas que roubam votos, tudo para continuar capturando a atenção do público. Desde o momento em que começou a concorrer à presidência, em 2015, a abordagem de Trump em relação à política foi “o equivalente a correr nu pelo bairro: repulsiva, mas hipnotizante”, escreve Chris Hayes. Não importava se suas declarações eram ultrajantes ou sem sentido; elas mantinham o público focado nele e nas questões em alta que os eleitores associavam favoravelmente aos republicanos — impostos, criminalidade e imigração. Até mesmo os ataques de oponentes de ambos os partidos políticos mantinham a atenção do público onde ele queria: em Donald Trump.

Já que estamos falando de política, nem é preciso dizer que as redes sociais são o lugar errado para se informar. Os algoritmos identificam sua orientação política e o alimentarão constantemente com aquilo em que você já acredita, afastando-o de informações que poderiam — às vezes corretamente — desafiar sua visão de mundo. Muitos de seus amigos provavelmente compartilham suas opiniões políticas e as reforçam nas redes sociais. A maioria das pessoas vive em uma bolha de informação que é reconfortante, mas não propicia uma mente aberta. E, muitas vezes, a informação dentro dessa bolha é desinformação, pois as redes sociais recompensam a mentira que atrai atenção em detrimento da verdade comum, além de disseminarem teorias da conspiração elaboradas que dão aos adeptos a falsa sensação de possuir um conhecimento secreto que ninguém mais tem. É dever de todos buscar fontes de notícias — sejam jornais, revistas, livros ou podcasts — que não sigam uma linha partidária rígida e que se esforcem para embasar cada opinião com reportagens e verificação de fatos; quanto mais detalhadas, melhor.

Enquanto isso, a economia da atenção aprofunda um mal social que se tornou endêmico na sociedade contemporânea: o isolamento. Chris Hayes observa que, à medida que os países enriquecem, eles geram mais solidão. Mais de 25% dos domicílios nos EUA são compostos por apenas uma pessoa, e na Europa essa proporção é ainda maior, chegando a impressionantes 60% em Estocolmo, na Suécia. Em 2023, o Cirurgião-Geral dos EUA afirmou que o país sofria de uma epidemia de solidão. Isso é, entre outras coisas, prejudicial à nossa saúde. Segundo um estudo citado por Hayes, os efeitos da solidão persistente equivalem aos de fumar 15 cigarros por dia. As redes sociais tanto isolam as pessoas, ao torná-las dependentes das telas de seus celulares, quanto lhes oferecem a falsa promessa da interação social significativa que tanto desejam. É possível comunicar-se com estranhos online, reagindo às suas postagens de forma positiva ou negativa — mas, como observa Hayes, não há reciprocidade nem relacionamento envolvido. “O reconhecimento social vindo de estranhos é o equivalente psicológico de calorias vazias”, escreve ele. No ambiente online, “estamos saciados disso e, ao mesmo tempo, famintos por isso”.

O que intensifica nossa sensação de isolamento é a maneira como a tecnologia digital pegou uma das alegrias da conexão social — o espetáculo de massa, no qual assistimos juntos a uma peça, um filme ou um show — e a fragmentou em algo que vivenciamos sozinhos em nossas telas. Podemos até compartilhar a experiência com outras pessoas por meio de aplicativos, mas isso continua sendo um processo solitário. Isso, lamenta Hayes, é “uma versão sintética de uma força vital essencial”, e não chega nem perto de substituir a experiência real. Até mesmo a televisão — que, embora tenha afastado as pessoas dos espetáculos de massa, ainda reunia pequenos grupos de amigos ou familiares para assistir aos seus programas favoritos — foi reduzida a uma experiência solitária devido às opções de streaming em nossos celulares, computadores e telas planas.

Existem outros subprodutos desagradáveis ​​da economia da atenção, como a praga do spam, que desperdiça nosso tempo. Mas talvez o pior subproduto seja o “trolling” (a prática de provocar ou ofender deliberadamente na internet). Protegidas pela segurança de seus celulares ou computadores, algumas pessoas dizem as coisas mais cruéis e ofensivas que se possa imaginar. Isso gera lucro para os aplicativos, por isso eles têm pouco interesse em coibir tal comportamento. “Quanto mais um determinado usuário de uma plataforma atrai atenção e incita o ‘engajamento’, mais atenção a plataforma tem para monetizar”, escreve Hayes. Pode-se pensar que a melhor maneira de lidar com “trolls” é não lhes dar palco, mas isso nem sempre funciona. Muitos repórteres que cobrem a cultura digital constataram que ignorar os “trolls” “pode ​​dar-lhes liberdade total para escalar constantemente suas ações, transformando-as em campanhas de ameaças, assédio e terror na vida real, levando pessoas a precisar de segurança ou a mudar de casa”, relata Hayes. Não há uma solução fácil para esse problema. O “trolling”, lamenta Hayes, é “uma forma de discurso perfeitamente adaptada a um ambiente no qual a atenção não é mais um meio para algum outro fim comunicativo, mas o próprio fim”.

Perto do final de “The Sirens’ Call”, Hayes enumera os efeitos sociais da era da atenção, quase todos negativos: um aumento acentuado nos casos de depressão e suicídio entre crianças e adolescentes; queda nos níveis de felicidade autorrelatada em todas as faixas etárias nos EUA, mas especialmente entre os adolescentes; declínio no desempenho dos alunos em testes padronizados ao redor do mundo; e pessoas interagindo menos pessoalmente e mais por meio de seus dispositivos. “A vida na era da atenção é mais ansiosa e deprimida, mais isolada e menos social”, resume Hayes. “Temos menos amigos e os vemos com menos frequência. Temos dificuldade em manter a atenção, em ler com profundidade e em aprender coisas novas. A esfera política está cada vez mais fragmentada e polarizada; a atmosfera informativa, mais poluída.”

     A questão a que isso nos conduz — a pergunta que Hayes faz e que todos nós deveríamos fazer a nós mesmos — é esta: a que queremos dedicar nossa atenção? Se pudéssemos resistir às fartas porções de distração oferecidas por tecnologias e corporações que buscam explorar nossa atenção, em que encontraremos o foco? Hayes acredita que a maioria das pessoas daria respostas semelhantes: família e amigos, hobbies, interesses e projetos pessoais que trazem alegria ou satisfação. No entanto, libertar-se das garras do capitalismo da atenção exigirá tanta força e comprometimento quanto largar o cigarro ou abandonar drogas pesadas.

Uma exceção feliz à mercantilização da atenção na internet são os chats em grupo — um oásis de comunicação entre amigos, parentes e outras pessoas queridas que compartilham textos, memes, fotos, piadas, novidades pessoais, conselhos, fofocas e tudo o mais que ateste laços de afeto ou interesse mútuos. Chats em grupo não possuem algoritmos nem anúncios. Se alguém tenta chamar sua atenção em um chat em grupo, observa Hayes, não se trata de um estranho fazendo “trollagem”, mas de alguém com quem você realmente mantém um relacionamento. Eu me surpreenderia se você não participasse de pelo menos um chat em grupo. Minha esposa participa de vários, incluindo alguns com suas irmãs, diversos amigos e colegas de profissão. Eu participo de um com minha filha e de outro com colegas de um clube de cinema que se reúne às quintas-feiras. Essa é a internet como ela surgiu: não comercial e caracterizada por interações positivas e pela construção de comunidades. Com sorte, encontraremos ou criaremos mais opções desse tipo, como o aplicativo de mensagens criptografadas Signal — que cresce rapidamente e rejeita explicitamente tentativas de explorar a atenção de seus usuários. 

Em outras palavras, o passado da internet — antes dela cair nas garras do capitalismo da atenção — deve servir de guia para o seu futuro.

THE ATTENTION ECONOMY

Hello. My name is Chris, and I am an addict. I’m hooked on scrolling. I scroll when I should be reading a book, or going to the gym, or picking up fallen tree branches in the yard, or writing this article. I think, “I’ll scroll just a little,” and then I scroll a bit more, and suddenly it’s been a few hours. I love watching the dogs who sing love songs, the guy who explains how to speak mineirês, the film clips from Game of Thrones and The Godfather, the babies who give interviews in the maternity ward and then travel around the world visiting famous monuments, the fake videos of Donald Trump in diapers and high heels, the debates between creationists and evolutionists, the opinions of my favorite political analysts, and the replays of great tennis shots by Roger Federer or goals by Liverpool Football Club.

     This is not an accident. My Instagram feed is designed to find out what I like and give me ever more of it, so that if I weren’t careful (or my wife didn’t chide me), I might spend the entire day scrolling. The algorithm that makes this possible is the equivalent of a drug dealer working for a cartel—in this case Meta, which owns not only Instagram but Facebook and other narcotic sites. There are other cartels, too. TikTok is one—think of Meta as the Medellín cocaine syndicate and TikTok as the Cali syndicate. There are also other addictive sites such as YouTube, X and Snapchat. You’re probably a daily visitor to one of them. Maybe several.

What is wrong with this? Plenty. In 2024, under the administration of President Joe Biden, the U.S. Justice Department sued TikTok for allegedly allowing children under the age of 13 to create accounts without their parents’ permission; illegally gathering information about the children; and failing to honor parents’ requests to delete the accounts. On August 21 TikTok settled the suit.

     No matter how peculiar your interests are, one of these sites will cater to them. Chris Hayes, the U.S. political journalist whose ideas inform much of this essay, says he is mesmerized by silent videos of carpet cleaners “patiently, thoroughly, lovingly shampooing old dirty rugs until they are bright and colorful.” He also confesses to watching videos in which people make delicious-looking sandwiches and others in which they meticulously repair old, rust-covered doorbells. Hayes is not alone. One doorbell-restoration video, he says, had 4.4 million views in just three months. Perhaps your own taste runs more toward videos of Vladimir Putin and Kim Jong-un in women’s clothing, dancing to ABBA tunes. No matter. Whatever floats your boat, there’s a site ready to turn your passion into a time-sucking obsession—for profit. As Hayes writes in in his book The Sirens’ Call: How Attention Became the World’s Most Endangered Resource, “Some of the largest corporations in the history of humanity spend billions to find out what we crave and how much of that they can sell us.”

     Welcome to the attention economy.

     “Every single aspect of human life … is being reoriented around the pursuit of attention,” Hayes writes. Not just commercial life—social, public and political life, too. What makes this age unlike any other is that its chief resource, unlike tangible assets such as land, coal and petroleum, “is embedded in our psyches. Extracting it requires cracking into our minds.” This “rearrangement of social and economic conditions around the pursuit of attention,” Hayes declares, represents “a transformation as profound as the dawn of industrial capitalism and the creation of wage labor as the central form of human toil.”

     The great challenge for attention capitalists is not just capturing our attention but holding it for as long as possible. That is not easy. Take movies and television shows, which must hold our attention for two or three hours or for a 10-episode series. No producer has a proven formula for success. Some movies or TV shows are huge hits, and others flop. No one is sure why. “Humans are unpredictable, and human appetites are vast and strange,” Hayes writes. To get around this problem, corporations like Meta use what Hayes calls “the slot machine model.”

     In casinos, slot machines are more profitable than non-mechanized games such as blackjack and roulette. That’s because slot machines are better at retaining our attention. They grab it with their spinning symbols in the few seconds it takes to complete a play, and they hold it by endlessly repeating the process. Players become addicted to it. “It’s not necessarily the gambling—the possibility of winning money—that keeps them there,” Hayes writes. It’s “the unique attentional trance the machine’s gameplay induces.”

     Now think about scrolling. Sites like Instagram don’t so much hold our attention as repeatedly grab it, which is roughly the same thing. Like slot machines, their “feeds” scroll vertically and never stop: cheetahs chasing down gazelles, Prince Harry and Meghan arguing, the Mona Lisa slipping out of Leonardo’s canvas and singing a Taylor Swift song, Christ the Redeemer stepping off his pedestal in the rain and opening an umbrella, Dolly Parton singing a duet with the Kermit the Frog. “These apps retain our attention via a structured form of constant stimulus,” Hayes writes. They “throw a million little interruptions at us, track which ones grab our attention, and then repeat those.” The best thing about this for their owners? We addicts don’t have to go to Las Vegas and use a slot machine. We can feed our habit with something portable that fits in our pockets. Our phones.

     The infinite scroll, designed by a Silicon Valley engineer named Aza Raskin, satisfies our craving for endless diversion. But where does this craving come from? Blaise Pascal, the 17th-century French mathematician and philosopher, attributed it to anxiety over our mortality. We surely still feel that, but the 21st century provides numerous other reasons to seek out diversion. There is, for instance, the monotony of the repetitive tasks involved in so many industrial and office jobs that people take mostly to pay their bills. Then there’s the anxiety about losing those jobs in ever-changing economies, and the angst caused by the impossibility of processing the overwhelming amount of information produced by modern media and by the sheer complexity of contemporary life. Finally, there’s simple boredom, a condition that, paradoxically, seems more common today than it was in simpler eras going all the way back to primitive hunter-gatherer societies.

     Like drug addicts, we aren’t satisfied with whatever amount of diversion we find. We always want more. Raskin, the Dr. Frankenstein of the infinite scroll, ruefully conceded what his creation had wrought. “The combined total of 200,000 more human lifetimes—every moment from birth to death—is now spent scrolling through a screen,” he said. “Just completely gone.”

     Meta and TikTok have made massive fortunes from our attention, but at what cost to the rest of us? Let’s start with what has been taken from our children by these two corporate behemoths—for which they have been justly punished (but by no means crippled) by U.S. authorities. On August 18, TikTok agreed to pay $400 million to settle a lawsuit filed by the U.S. Justice Department, which accused the Chinese giant of illegally gathering information about children under the age of 13 without their parents’ permission. According to the suit, filed in 2024, while Joe Biden was President, TikTok allowed children to create accounts and did not honor their parents’ requests to delete them. This violated U.S. privacy law and an earlier agreement by TikTok to protect children’s privacy. Four hundred million dollars is a lot of money, but not to TikTok, which is valued at about $500 billion. In other words, TikTok got off easy. In fact, according to The New York Times, this settlement reflected the Trump Administration’s “softer approach toward ongoing government litigation against several major companies.” (Take that, Joe Biden!)

     Eight days later, Meta agreed to pay up to $17.1 billion in fines and to make changes to its products to settle lawsuits brought by 47 U.S. states, the District of Columbia (the U.S. federal district) and U.S. territories, which claimed that the company endangered children with addictive social media platforms. Meta was alleged to have violated federal child-privacy laws and the various states’ consumer-protection laws. The company agreed to limit how long teenagers can spend on its platforms and to ban features that might exacerbate mental-health problems. The settlement, the Times reported, “struck at the heart of the company’s business of engagement for advertising.” The purpose of the case against Meta, according to Colorado state attorney general Phil Weiser, was “to protect our kids: stopping notifications and alerts at night and when they are in school, encouraging them to take breaks from social media, protecting them against harmful features.” Separately, Meta agreed to pay the state of Texas about $1 billion to settle a similar lawsuit. But Meta owner Mark Zuckerberg is not out of the woods yet. “The company still faces numerous other lawsuits from school districts and individuals,” the Times reported, “some of which are scheduled for trial in the coming months.” Even if those cases result in more financial penalties for Meta, they won’t put much of a dent in the company’s valuation, which is reportedly $1.47 trillion.

     Since these cases involve school-age children, they give us a chance to look at the damage the attention economy is doing to education, and specifically to literacy. Last month, the U.S. magazine The Atlantic ran a cover story titled “The Age of Reading Is Over.” The article, by staff writer Rose Horowitch, cited research indicating that “by eighth grade, the average kid spends four and a half hours a day on social media. For much of this time, it appears, they are watching videos, often at 2x speed.” Social media was once mainly text-based, but now young users mostly send each other videos or voice recordings. In other words, the attention economy is helping to usher in the postliterate society.

     Schools in the U.S. have adapted to the shortened attention spans and diminished reading comprehension induced by the endless scroll, by hyperlinks and by constant notifications. A 2025 survey cited by Horowitch found that most middle-school and high-school English literature teachers assigned no more than four books a year to their students, and sometimes no books at all. Instead they assign book excerpts or short passages. Not surprisingly, the basic reading skills of American students are declining. “In 2024, in a national test, just 35 percent of high-school seniors were ‘proficient’ at skills such as analyzing complex fictional themes and evaluating the effectiveness of an author’s argument,” Horowitch reported. Fewer and fewer American kids say they even like to read. Last year, 29% of surveyed 13-year-olds said they rarely or never read for fun. And it only gets worse as they age. “Every year older a child gets, the less they like to read,” Horowitch found. One focus group of high-school seniors was asked about reading for pleasure, and “most thought of it as an alien practice.”

     What about their parents? According to a survey by the National Endowment for the Arts, fewer than half of all adults in the U.S. read a book of any kind in 2022. A study by the American Time Use Survey found that “the proportion of Americans who read for pleasure on any given day fell from 28% in 2004 to 16% in 2023,” according to Horowitch.

     This is a terrible loss. Think of reading as going to the gym. “Reading books is a workout for the attention span,” Horowitch writes. “The more you read, the easier it is, and the more you’re rewarded with new understanding.” Conversely, “the less you read, the more difficult it is, and the rockier the path to acquiring knowledge.” Scrolling through videos is more passive than reading; it demands less imagination and concentration. Studies cited by Horowitch found that the brains of “children who had more screen time and spent less time reading had less well-developed white matter in areas associated with executive function and language.” In school, these children find it hard to focus and exert themselves mentally. By the time they get to college, Horowitch reports, their professors “have to teach them how to comprehend a text—in other words, how to think.”

     Beyond college campuses, the news is just as bad. “American adults’ ability to answer logic questions, reason effectively, and analyze patterns declined from 2006 to 2018,” Horowitch notes. “American adults tend to have a smaller vocabulary than those with an equivalent education did half a century ago,” and recent studies indicate that over the last 20 years, average IQ scores have declined “by about three points a decade.” Horowitch concludes that the decline of reading—which, admittedly, began long before social media, with the advent of television—“seems to be ushering in a less rational, analytical, and sophisticated mode of thinking.”

     Which brings us to politics. Two thousand years ago, all roads led to Rome. Today, all roads lead to Donald Trump. The late Jesuit priest, historian and philosopher Walter J. Ong theorized that modern civilization was entering a phase of “secondary orality,” in which “a once-literate society reverts back to some of the conventions of preliterate cultures.” In ancient oral societies, stories were not printed and read. They were recited by bards, who relied on repetition, stock phrases and epithets to tell epic tales like The Iliad and The Odyssey, never worrying about making mistakes or contradicting themselves, because audiences would not remember what they said earlier. “Trump’s communication style is perfectly suited to an oral society,” Horowitch writes. He uses epithets like “Sleepy Joe” and “radical-left lunatics” that are easy to remember and repeat. He contradicts himself knowing, like the ancient bards, that his followers weren’t taking notes the last time he spoke. In fact, Horowitch says, Trump is “our first postliterate president. It is difficult to imagine him being elected leader of a country where information is primarily spread through text.”

     Trump intuitively understands the attention economy. Think of his speeches as infinite scrolls—oral slot machines spinning from topic to topic, mixing lies and wild exaggerations, conjuring ominous images of violent immigrants and vote-stealing Democrats, all to keep grabbing the public’s attention. From the moment he began running for President, in 2015, Trump’s approach to politics was “the equivalent of running naked through the neighborhood: repellent but transfixing,” Chris Hayes writes. It didn’t matter if his statements were outrageous or nonsensical; they kept the public focused on him and on the hot-topic issues that voters favorably associated with Republicans—taxes, crime and immigration. Even attacks on him by opponents in both political parties kept the public’s attention where he wanted it: on Donald Trump.

     While we’re on the subject of politics, it should go without saying that social media is the wrong place to get your news. The algorithms will figure out your political orientation and feed you a steady diet of what you already believe, steering you away from information that might—sometimes correctly—challenge your view of the world. Many of your friends probably share your political views and reinforce them on social media. Most people live in an information bubble that is comforting but not conducive to keeping an open mind. And often the information in the bubble is misinformation, because social media rewards the attention-grabbing lie over the mundane truth, and it spreads intricate conspiracy theories that give believers the false sense of possessing secret knowledge no one else has. It’s everyone’s duty to seek out sources of news—whether newspapers, magazines, books or podcasts—that don’t toe a political line and that strive to back up every opinion with reporting and fact-checking, the more detailed the better.

     Meanwhile, the attention economy is deepening a social ill that has become endemic to contemporary society: isolation. Chris Hayes notes that as countries get richer, they foster more solitude. More than 25% of U.S. households consist of only one person, and in Europe the proportion is even higher, rising to an astonishing 60% in Stockholm, Sweden. In 2023 the U.S. Surgeon General said the country was suffering an epidemic of loneliness. This is, among other things, bad for our health. According to one study cited by Hayes, the effects of persistent loneliness are equivalent to those of smoking 15 cigarettes a day. Social media both isolates people by addicting them to their phone screens and gives them a false promise of the meaningful social interaction they crave. People can communicate with strangers online, responding to their posts either positively or negatively—but, as Hayes notes, there’s no reciprocity and no relationship involved. “Social recognition from strangers is the psychological equivalent of empty calories,” he writes. Online, “we are stuffed with it and starved of it all at once.”

     Adding to our sense of isolation is the way digital technology has taken one of the joys of social connection—the mass spectacle, in which we attend a play or movie or concert together—and broken it down into something we experience alone on our screens. We might share it with others on apps, but that’s still a solitary process. This, Hayes laments, is “a synthetic version of a vital life force,” and it doesn’t come close to replacing the real thing. Even television, which drew people away from mass spectacles but still brought together smaller groups of friends or relatives to watch their favorite shows, has been reduced to a solitary experience by the streaming options on our phones, computers and flat screens.

     There are other unsavory byproducts of the attention economy, such as the time-wasting plague of spam. But perhaps the worst byproduct is trolling. From the safety of their phones or computers, some people will say the cruelest, most offensive things imaginable. This is profitable for the apps, so they have little interest in curbing it. “The more a given user on a platform grabs attention and incites ‘engagement,’ the more attention there is for the platform to monetize,” Hayes writes. You might think the best way to deal with trolls is to deny them oxygen, but that doesn’t necessarily work. Many reporters who cover digital culture have found that ignoring trolls “can allow them free reign to constantly escalate into campaigns of threats, harassment, and real-life terror that cause people to need security or to move homes,” Hayes reports. There is no easy way out of this problem. Trolling, Hayes laments, is “a form of discourse adapted perfectly for an environment in which attention is no longer a means to some other communicative end, but the end itself.”

     Toward the end of The Sirens’ Call, Hayes enumerates the social effects of the attention age, nearly all of them bad: sharp increases in depression and suicide among children and teenagers; declines in self-reported happiness across all ages in the U.S., but especially among teens; declines in students’ performance on standardized tests across the globe; people interacting less in person and more through their devices. “Life in the attention age is more anxious and depressed, more isolated and less social,” Haye summarizes. “We have fewer friends and see them less. We struggle to sustain attention and to read in depth, to learn new things. The political sphere is increasingly fractured, polarized, the information atmosphere more polluted.”

     The question this leads to, the question that Hayes asks and we should all ask ourselves, is this: What do we want to pay attention to? If we could resist the heaping platters of distraction offered by technologies and corporations working to exploit our attention, what would we focus on? Hayes thinks most people would give similar answers: family and friends, hobbies, interests, personal projects that bring joy or satisfaction. But breaking away from the grip of attention capitalism will take as much strength and commitment as quitting smoking or hard drugs. 

     One happy exception to the commercialization of attention on the internet is the group chat—an oasis of communication among friends, relatives and other loved ones sharing texts, memes, photos, jokes, personal news, advice, gossip and whatever else attests to bonds of mutual affection or interest. Group chats have no algorithm or advertisements. If someone is trying to get your attention on a group chat, Hayes notes, he or she is not a stranger trolling you but someone with whom you actually have a relationship. I’d be surprised if you were not part of at least one group chat. My wife is part of several, including ones with her sisters, various friends and professional colleagues. I’m part of one with my daughter and another with fellow members of a Thursday-night movie club. This is the internet as it started out—noncommercial and characterized by positive interactions and community-building. With luck we will find or create more such options, like the fast-growing encrypted messaging app Signal, which explicitly rejects attempts to exploit its users’ attention.

     In other words, the internet’s past—before it fell prey to attention capitalism—should be our guide to its future. 

Chris Hunt

Chris Hunt nasceu em Dallas, Texas, e cresceu em Caracas, Venezuela. Depois de formado em História em Nova Iorque, ficou nesta cidade e trabalhou como editor nas revistas Travel & Leisure e Sports Illustrated do Grupo Time Warner. Casado com Andréa, mineira de BH, curte a vida de aposentado viajando, lendo e tocando violão.

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