Neste número, abordamos as telas sob diversos ângulos. Chris Hunt no seu artigo “A Economia da Atenção” examina a fisiologia das telas e como capturam nossa mente e produzem viciados, inclusive ele próprio. De quebra, rendem bilhões de dólares às Big Techs. E Aluisio Rassilan Baga fala sobre as consequências das redes na política e em outros segmentos, favorecidas pelo vácuo que se instalou no mundo. Abriram a Caixa de Pandora dando margem ao oportunismo e à instrumentalização da fé para faturar. Possibilidade muito bem aproveitada pelos predadores que conhecemos bem – “Os Predadores do Vácuo”. Falando neles, Ana Karenina Berutti nos honra com sua análise do momento atual em que “O Brasil odeia o Brasil” e o vizinho que habita o mesmo prédio mas em outra bolha deseja matar o vizinho da outra bolha. E mata, muitas vezes. Por fim, Francisco França constata que a pulverização do poder e a consequente liberdade individual podem ser motivo de infelicidade das pessoas que perderam o rumo quando as certezas começaram a se desmanchar. Afinal, no modus operandi das redes, “Tudo que é sólido desmancha no ar”.
Ainda no âmbito das dificuldades criadas por nós, Wilson Oliveira entrevista Luiz Morando, expoente do movimento LGBTQ+, fundamental na luta para firmar a identidade e os valores deste grupo tão discriminado. E Marcos Fontoura, de forma muito bem humorada, trata do incômodo imposto pelas roletas a todos os usuários de ônibus. “É terraplanismo dizer que um roletão nos ônibus é bom” transforma o incômodo em deliciosa leitura.
A apresentação musical deste mês começa com Odette Castro e Emicida, o rapper combativo que dá voz à periferia. E continua com Juarez Vieira tocando Sticky Fingers, também muito combatido, apesar de ser um dos melhores álbuns dos Stones, guitarra do Mick Taylor no auge. No terceiro item do programa, Luísa França apresenta o livro “Daisy Jones & The Six” sobre uma banda fictícia, que teria feito sucesso na década de 70, e o pacote de sempre: drama, conflitos, drogas e tensões permanentes.
Wilson Oliveira convida para assistir o filme “Minha Melhor Amiga” com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli, amigas na vida real que sabem fazer um boa comédia. E, passeando pelos Lugares de Peçanha, Odette faz um belíssimo relato da visita à Mãe Vina, sua bisavó e tetra avó da Laura.
Poesia do Mês resgata Konstantinos Kaváfis, um clássico que parece falar sobre o momento atual: “O que esperamos na ágora reunidos? É que os bárbaros chegam hoje…” Faz sentido?
Nas Pílulas, em meio a vários assuntos, pinçamos a frase também atual: “Cultive o seu intelecto enquanto o mundo acaba.”
E aproveite mais da sabedoria. E da esperança. E do Echo.





