PÍLULAS DE VIDA DO DR. ENOC (*)

Publicado em: 30/06/2026 às 07:00

Atualizado em: 30/06/2026 às 11:10

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O Pensador - Rodin

1 – SABEDORIA

-Tudo passa, nem que seja por cima de você. (Luiz Schuchter Gatti)
-Há duas maneiras de viver: acreditando que milagres não existem ou que tudo é milagre. (Albert Einstein)
-O mundo é um lugar perigoso para se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer. (Atribuída a Albert Einstein)
-Nenhuma sociedade pode ser feliz se a maioria de seus membros for pobre . (Adam Smith)
-O que os outros pensam a meu respeito é de uma importância tão absoluta quanto a cor do tapete que não pretendo comprar. (Fiódor Dostoiévski)
-O homem pode suportar quase tudo, exceto a falta de sentido (Viktor Frankl)
-No infortúnio dos nossos melhores amigos sempre encontramos algo que não nos desagrada. (La Rochefoucauld) 
-Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caça sempre glorificarão o caçador. (Provérbio Agricano)
-A saúde é a vida no silêncio dos órgãos. (René Lariche)
-Se você fosse meu marido, Winston , eu envenenaria o seu chá. – E se eu fosse seu marido Nancy eu tomaria esse chá. (Winston Churchill e Lady Astor)
-A reputação de um médico se faz pelo número de pessoas famosas que morrem sob os seus cuidados (Bernard Shaw)
-Nada traz de volta tão bem os bons velhos tempos quanto uma memória fraca. (Franklin Adams)
-Nunca me esqueço de um rosto, meu amigo. Mas, no seu caso, vou fazer uma exceção. (Groucho Marx)
-Há três coisas de que sempre me esqueço: rostos, nomes, e a terceira não me lembro. (Italo Svevo)
-Confiança é dançar sem que ninguém estivesse vendo. (Anônimo)
-Tentar é o primeiro passo para o fracasso. (Homer Simpson)
-Sobre responsabilidade: A culpa é minha e eu a boto em quem eu quiser. (Idem)
-Meu ouvido é seletivo. A maioria das conversas nem chegam às Trompas de Eustáquio. (Anônimo)
-Um pássaro não deixa rastros ao partir. (Provérbio japonês)

2 – CENAS DA VIDA REAL (*)

2.1 – “MAIS FEL, UAI!”

Paixão de Cristo-Nova Jerusalém PE

Os quadros ao vivo da Semana Santa eram encenados por voluntários que faziam fila para todos os papéis, exceto o de Jesus Cristo. Com efeito, ficar pendurado durante horas no sol  não atraía nem aqueles que tinham feito promessas. Sem alternativa, o diretor concordava que o Garrafinha fizesse o papel, bem como aceitava algumas condições, dentre as quais fornecer-lhe cachaça, de tempos em tempos.

Pelo acordo, quando o Garrafinha pedisse  água, o guarda pretoriano levava à sua boca um pano embebido de cachaça, dizendo:

-Você quer água? Pois tome fel.

Certa vez, o soldado saiu do posto e se esqueceu da tarefa. Garrafinha evidentemente não gostou e passou a reclamar em altos brados. Alguém lhe perguntou o motivo da encrenca e qual era o seu desejo. Respondeu, prontamente:

-Mais fel, uai…

2.2 – CARCEREIRO RIGOROSO

A cadeia era uma espécie de anexo, ocupando o térreo do antigo Fórum, que ficava na parte de cima, com acesso por uma escada externa, delimitada por  uma grade de ferro e corrimão de madeira e se localizavam no lado norte da Pracinha de Baixo. Ao leste,  o Posto de Gasolina do seu Cristóvão e a parede lateral do Cine Flórida. O muro do Internato, onde subíamos para conversar com as internas, e algumas casas, ao sul. A oeste, a venda do Seu Ramos e a casa da Dona Nem. 

Virgulino – o carcereiro –  carregava  várias chaves na cintura de couro cru. Era exigente quanto às normas  e não aceitava qualquer deslize dos presos, que saíam pela manhã para trabalhar nas obras da Prefeitura e deveriam voltar até às 18:00  horas, em ponto. 

Na construção do Campo foi realizada uma grande terraplenagem, como se diria hoje, mas àquela época a terra era transportada por carros de bois. Cada junta de boi, conduzida por um preso, puxava um carro durante todo expediente. Na volta para a cadeia, os presos passavam nos botecos do caminho e tomavam quantas cachaças fosse possível. E muitas vezes se atrasavam, fato que irritava o exigente Seu Virgulino. Para encerrar a baderna adotou  decisão radical: avisou que todas as celas seriam fechadas no horário, impreterivelmente. Prometeu e cumpriu. Na noite seguinte vários ficaram de fora e dormiram na rua. 

Funcionou. A partir daquela noite não houve mais atrasos. 

(*) Fatos que aconteceram em Peçanha, acredite se quiser!

3 – RESISTÊNCIA AO NOVO

Impressão, Nascer do Sol – Claude Monet – Eugene Manet e sas fille – Berthe Morisot

Há 150 anos, alguns  artistas que haviam sido recusados por todas as galerias de arte de Paris, expuseram no ateliê de um fotógrafo. Pouca gente foi lá e um crítico fez, em um  jornal da época, o comentário que ora transcrevemos: 

“Acaba de ser inaugurada uma exposição que alega conter quadros. Ao visitá-la, deparei estarrecido com algo terrível. Cinco ou seis loucos, entre os quais uma mulher, juntaram-se para expor suas obras. Vi pessoas rolando de rir diante dos quadros. Fiquei condoído diante da cena. Tais artistas proclamam-se revolucionários e impressionistas. Tomam um pedaço de tela, tintas e pincéis, fazem alguns borrões aleatoriamente e assinam seu nome embaixo. É uma cegueira tal qual a de internos de um manicômio que apanham pedregulhos e acreditam ter encontrado diamantes.” (O Espelho Infiel – José Roberto de Castro Neves – pág. 330).

Os artistas: Claude Monet, Paul Cézanne, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Camille Pissarro, Alfred Sisley e Berthe Morisot, a única mulher do grupo, denominado “Impressionista”, nome inspirado no quadro “Impressão, Nascer do Sol”, de Monet, . Posteriormente o  Impressionismo foi reconhecido como um dos mais importantes movimentos na arte em todos os tempos e seus quadros valem milhões de dólares. 

Ainda bem que a alma do artista não é limitada pelas convenções estéreis e crenças opressoras. O artista é o farol do mundo. 

4 – SETE QUEDAS

Colaboração: Petrônio Victor

Em 1982 a Cachoeira de Sete Quedas, maior cachoeira em volume de água do mundo, foi submersa para formação do lago da Hidrelétrica de Itaipu. Havia problemas no fornecimento de energia durante as décadas de 60 e 70 e, em 1973, o Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu para a construção da usina do mesmo nome, que fatalmente inundaria toda a área onde situava a Sete Quedas. 

O imenso reservatório começou a ser preenchido em 13 de outubro de 1982 e, quinze dias depois, todo o complexo das Sete Quedas – 19 quedas d’água e os paredões que formavam belos canyons – estavam sob as águas. 

Além de ser uma das mais importantes manifestações ambientais do mundo, juntamente com o  Parque Nacional das Sete Quedas, constituíam importantes atrações turísticas e a inundação causou um impacto ambiental devastador, a realocação de mais de 42.000 pessoas e o desterro de mais de 20 aldeias indígenas. Sempre foi muito criticada a postura impositiva e a falta de diálogo com as comunidades e suas populações. 

Em 9/9/1982 o Jornal do Brasil publicou em página inteira o poema de Carlos Drummond de Andrade, do qual reproduzimos os últimos versos: 

……..
E patati patati patatá… Sete
quedas por nós passaram, e não
soubemos, ah, não soubemos 
amá-las, e todas sete foram 
mortas, e todas sete somem no
ar, sete fantasmas, sete crimes 
dos vivos golpeando a vida que 
nunca mais renascerá.

Veja através dos dois links abaixo, a poderosa Sete Quedas e sua história.
https://youtube.com/shorts/co52CDRu3K4?is=McLdz5YuFumFUabm
7 QUEDAS – 42 ANOS

* A  alfaiataria do Enoc, mais do que no  consultório médico, era onde cuidavamos da saúde. Não com remédio, mas com muitas risadas e seu humor irreverente e espirituoso. Segundo Fernando Simões, esta era sua agenda semanal: segunda-feira: receber o pano, terça-feira: molhar o pano, quarta-feira: o pano seca, quinta-feira: passar o pano, sexta-feira: riscar  o pano, sábado: “no sétimo dia, o homem descansou”,  domingo: ressaca e futebol. 
Boêmio, gostava das coisas boas, incluindo as biritas. 
Preocupado com sua vida, certa vez o Monsenhor lhe disse que  deveria frequentar a igreja. Ele respondeu:

 – “Mas lá só o senhor é quem bebe!”

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

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