BERLIM (*)

Publicado em: 30/10/2026 às 17:34

Atualizado em: 30/10/2026 às 17:35

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Bode Museum e o Rio Spree
Rua típica do Bairro Mitte

Visitar uma cidade estrangeira pela segunda ou terceira vez pode ser libertador. Não é preciso correr de uma atração turística para outra; você já fez isso pela primeira vez. É possível relaxar e aproveitar a cidade como um morador que está de folga do trabalho — passear sem um roteiro turístico, demorar-se nas refeições em restaurantes, dormir até mais tarde sem culpa, caminhar sem pressa por um museu que você não conseguiu visitar na primeira vez, ou ir a uma ópera ou concerto de que todos estão falando. Independentemente de você ficar em um hotel, na casa de um amigo ou em um Airbnb, é possível sentir-se em casa no bairro e eleger um supermercado, uma confeitaria ou um café como seus favoritos. Ao final da viagem, talvez você não chegue a sentir que mora lá, mas saberá como os moradores locais aproveitam o seu tempo livre.

Essa foi a experiência que minha esposa e eu tivemos há algumas semanas em Berlim — minha segunda visita à cidade, e a terceira dela. E tudo ficou ainda mais agradável graças à nossa filha, Sophia, que mora na capital alemã e atuou como nossa guia e intérprete — na verdade, como a companhia ideal.

Na minha primeira visita a Berlim, há cerca de 15 anos, corri para conhecer o maior número possível de pontos turísticos: o imponente Portão de Brandemburgo, símbolo da divisão da cidade durante a Guerra Fria e, hoje, um símbolo da unidade alemã. O Checkpoint Charlie, antigo posto de fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental — cenário que, em romances de espionagem, via personagens atravessarem a barreira em fuga, perseguidos de perto por agentes soviéticos. Os vestígios do Muro de Berlim, agora adornados com pinturas vibrantes e criativas feitas por artistas locais. O Bundestag, o parlamento alemão, com sua enorme cúpula de vidro acoplada ao Reichstag — edifício restaurado que abrigou o legislativo, outrora controlado pelos nazistas e parcialmente destruído na Segunda Guerra Mundial. A Ilha dos Museus, Patrimônio Mundial da UNESCO, que abriga cinco museus históricos magníficos. E o Palácio de Sanssouci, do século XVIII — residência de verão de Frederico, o Grande, com seus jardins em Potsdam, a uma curta viagem de trem de Berlim.

 Antes dessa visita, eu tinha pouco interesse em conhecer a Alemanha. Sua história sombria no século XX — duas guerras mundiais, o Holocausto, a inimizade fratricida entre a Alemanha Ocidental capitalista e a Alemanha Oriental comunista — fazia com que o país parecesse um lugar pouco acolhedor. Além disso, meu pai fora copiloto na Força Aérea dos Estados Unidos e participou de missões sobre a Alemanha em 1944 e bombardeou tropas alemãs no Dia D. Mas era um novo século e uma nova Alemanha; por isso, quando uma colega alemã da minha esposa nos convidou para ficar em seu apartamento em Berlim, deixei de lado meus preconceitos e fui. O que encontrei foi uma cidade linda e culturalmente vibrante, que não tentou esconder os pecados do passado. Pelo contrário, assumiu total responsabilidade por eles, erguendo inúmeros memoriais às vítimas judaicas do Holocausto e criando, inclusive, um museu que detalha os abusos da Stasi, a temida polícia secreta da Alemanha Oriental. Na nossa primeira noite na cidade, essa amiga alemã  nos levou para assistir a uma apresentação de “Cabaret”, o brilhante musical sobre Berlim da década de 1930, época em que os nazistas estavam chegando ao poder. Que espetáculo poderia simbolizar melhor o reconhecimento, por parte da Alemanha, de sua história complexa?

Nos dias que se seguiram, minha família e eu percorremos a capital alemã de ponta a ponta. Lembro-me de uma feira gastronômica com uma variedade infinita de cervejas e salsichas temperadas; de um almoço delicioso em um restaurante turco, onde comi mais do que a minha cota de baklava; de um concerto de violão clássico em uma igrejinha linda, situada em uma praça encantadora; e de um sério projeto de pesquisa no qual Sophia e eu nos empenhamos em descobrir quem fazia o melhor *Berliner* — o tradicional donut recheado com geleia —, provando a iguaria em todos os lugares onde era vendida, desde confeitarias e supermercados até estações de metrô.

Por isso, quando Sophia se mudou para Berlim, no ano passado, para seguir carreira como cantora de ópera, aproveitamos a oportunidade para rever a cidade, sob a orientação dela. Toda viagem bem-sucedida exige um pouco de sorte, e nós tivemos de sobra. Primeiro, durante quase toda a nossa estadia, o tempo permaneceu ensolarado e quente — algo muito incomum, segundo nos disseram, para o final de setembro e início de outubro. Segundo, conseguimos um Airbnb em Mitte, um bairro elegante na região centro-oeste de Berlim que abriga alguns dos melhores restaurantes, lojas e museus da cidade. E, terceiro, Sophia fala um alemão que melhora rapidamente e conhece bem o sistema de metrôs, ônibus e bondes da cidade. Isso significou que nunca nos perdemos e que contávamos com uma intérprete da própria família nos raros locais onde ninguém falava inglês.

O apartamento em Mitte tinha dois quartos, então Sophia ficou hospedada conosco durante todo o período da nossa estadia. (Ela mora em uma espécie de república com outros jovens músicos, bem ao norte de Berlim — um local com preços acessíveis, mas que, na verdade, é mais adequado para pessoas mais velhas ou aposentadas.) Logo de cara, ela nos levou para almoçar. Isso definiu o tom do que seriam cinco dias de uma alegre comilança em uma cidade famosa pela sua excelente gastronomia. Bem perto do nosso apartamento, na Oranienburger-Strasse, ficava o Amrit, um restaurante indiano amplo e iluminado, que serve curries punjabis e pratos tandoori preparados com especiarias moídas na hora, tudo isso ao lado de paredes de vidro que deixavam a luz do sol entrar. Comemos tanto que a única saída foi voltar para o apartamento e tirar uma soneca — mas não sem antes parar para tomar um café no The Barn, um estabelecimento na Auguststrasse. (Afinal, minha esposa é mineira, e nossa filha é meio mineira.) No caminho, exploramos o bairro de Mitte, cujas ruas tranquilas são ladeadas por belos prédios de apartamentos, de tons claros e com cinco ou seis andares.

Depois de descansar, era hora de comer novamente: jantar no Schnitzelei Mitte, na

Chausseestrasse — um restaurante animado que, como se pode imaginar, é

especializado em schnitzels (inclusive na versão sem glúten, se solicitado). Meu schnitzel de vitela estava finíssimo e perfeito. Fiquei distraído, no entanto, ao notar um grupo de clientes perto de nós que

parecia incluir Pep Guardiola, o ex-técnico dos clubes de futebol Barcelona, ​​Bayern

de Munique e Manchester City. Seria ele mesmo? Ou será que ele tem um

gêmeo idêntico? E o que Pep Guardiola estaria fazendo em Berlim? Nunca saberei, pois é falta de educação interromper alguém que está desfrutando de um schnitzel. De qualquer forma, sou torcedor do Liverpool, e torcedores do Liverpool detestam o Manchester City; então, por que me preocupar?

Na manhã seguinte, Sophia e eu calçamos nossos tênis e saímos — ela para correr, eu para caminhar — ao longo do rio Spree, que serpenteia pelo coração de Berlim. Há caminhos arborizados à beira da água. Barcos de passeio passam com frequência, e a bela cúpula do Museu Bode destaca-se ao longo do rio. Quando cheguei à Ilha dos Museus, cerca de meia hora depois de começar a caminhada, atravessei a ponte e circulei pelo local, familiarizando-me com a área para uma futura visita. Depois, voltei ao encontro da minha filha — a corredora —, pois era hora de ir para casa, tomar um banho e começar a comer de novo.

O almoço foi memorável no NENI Berlin, um restaurante na cobertura, todo envidraçado, do hotel de nome peculiar 25Hours Hotel Bikini, na Budapester-Strasse, no bairro de Charlottenburg. As mesas oferecem vistas panorâmicas da cidade, com o arborizado Zoológico de Berlim logo abaixo. O cardápio mistura pratos do Mediterrâneo Oriental, do Oriente Médio, de Israel e da Áustria — tudo excelente. Comemos baba ghanoush, falafel, espetinho de carne Wagyu  um prato esplêndido chamado Jerusalém Teller — frango grelhado temperado, cebolas e pimentões salteados sobre uma cama de homus, finalizado com tahine e molho de picles de manga, e servido com pão sírio quentinho.

Depois de um almoço como aquele, era preciso caminhar um pouco, e minha esposa e minha filha aproveitaram para fazer umas compras. Não tive escolha a não ser acompanhá-las; levei um livro para ler sempre que encontrasse um lugar para sentar perto das lojas. Por sorte, muitos dos estabelecimentos em Mitte ficam em pátios internos, que são abundantes entre as avenidas principais. Alguns contam com bancos sob as árvores, onde pude ler tranquilamente enquanto as duas faziam um estrago no cartão de crédito da família. O mais encantador desses pátios, pelo menos na minha opinião, fica entre a Sophienstrasse e a Rosenthalerstrasse. A entrada se dá por uma passagem no número 39 da Rosenthalerstrasse, ao lado do famoso Café Cinema — um bistrô boêmio de iluminação suave, com cartazes de filmes nas paredes e uma mistura eclética de móveis antigos espalhados pelo ambiente. A área externa do café marca o início de um longo e rústico corredor, repleto de lojas e pequenos museus, cujas fachadas são cobertas por uma profusão de grafites vibrantes, desenhos e retratos — de Anne Frank e Leonardo DiCaprio a Popeye e Batwoman. Por mais que eu tenha apreciado os grandes museus e monumentos de Berlim, esse foi o lugar de que mais gostei na cidade.

Bairro Mitte: Pátio interior de prédio rodeado por lojas chiques e entrada do famoso Café Cinema

Em algum momento daquela tarde, Sophia nos levou à sua padaria favorita que, por coincidência (ou não?), chama-se Sofi e fica na Sophienstrasse. Provei uma de suas especialidades, o morning bun — uma massa enrolada em espiral, feita com a técnica de laminação usada em croissants, recheada com canela, açúcar, raspas de laranja e cardamomo. Foi uma experiência quase religiosa. Se um dia eu voltar a Berlim, esse será um dos principais motivos.

Na noite seguinte, como minha esposa saiu para jantar com alguns colegas, Sophia e eu planejamos uma noite na antiga Berlim Oriental fazendo o que mais gostamos: comer e visitar uma livraria. O jantar foi no Osmans Töchter, um restaurante turco espaçoso e elegante, localizado na Prenzlauer Allee. Nos deliciamos com lulas, folhas de uva, favas,

chips de abobrinha e meu prato turco favorito, imam bayildi — berinjela recheada com

cebola, alho e tomates. Imam bayildi significa “o imam desmaiou”, e é tão

bom que consigo imaginar o homem sagrado perdendo os sentidos de tanto prazer ao prová-lo pela primeira vez. Depois, conforme o planejado, fomos caminhando até a Dussmann das KulturKaufhaus, uma livraria de cinco andares com obras em alemão, inglês e muitos outros idiomas. Ela

fica aberta até a meia-noite, então aproveitamos o tempo com calma para escolher livros e

tomar uma sobremesa no café da própria livraria. Em um dos andares superiores havia um piano, e um cliente sentou-se para tocar música clássica, dando o toque final perfeito à nossa noite.

Na primeira vez em que viajei para a Turquia, na década de 1980, visitei as ruínas de Pérgamo, a antiga cidade grega que atingiu o auge de seu poder nos três séculos que antecederam o nascimento de Cristo. Entre os monumentos da antiga cidade estava o magnífico Altar de Zeus, com uma colunata jônica e mais de 100 metros de frisos contendo esculturas em alto-relevo que retratavam batalhas míticas envolvendo Zeus e Atena, gigantes alados, o deus do sol Hélios em sua carruagem puxada por quatro cavalos, as Fúrias, as Moiras e as deusas da noite, da aurora e da lua. Do altar original, restavam na Turquia apenas algumas colunas quando o visitei. O restante do altar havia sido escavado por arqueólogos alemães no século XIX e levado para Berlim, onde foi reconstruído como a peça central do Museu de Pérgamo, erguido na Ilha dos Museus entre 1910 e 1930. Essa obra-prima da arte helênica me deixou sem fôlego quando a vi em minha primeira visita a Berlim e, até hoje, é a lembrança mais marcante que guardo do meu contato inicial com a cidade.

Quase tão impressionante quanto o Altar de Zeus era outro tesouro do Museu de Pérgamo: o Portão de Ishtar, uma construção deslumbrante feita de tijolos esmaltados em tons de azul-cobalto e verde-mar, erguida na Babilônia no século VI a.C. Encomendado pelo rei Nabucodonosor II, o portão servia como a entrada fortificada da antiga cidade e era dedicado à deusa babilônica Ishtar. Os tijolos são decorados com baixos-relevos de leões, touros e outros animais sagrados. O portão foi escavado por arqueólogos alemães no Iraque, no início do século XX, e transportado para Berlim. Assim como o Altar de Zeus, ele não foi exatamente roubado pela Alemanha — ambos os monumentos foram adquiridos do Império Otomano, um por meio de compra (o Altar de Zeus) e o outro por meio de um acordo diplomático (o Portão de Ishtar) —, mas sua presença na Alemanha é controversa, e tanto a Turquia quanto o Iraque solicitaram, repetidas vezes, a sua repatriação.

Salões de antiguidades egípcias e romanas e mosaico bizantino no Bode Museum

Eu queria muito revisitar o Museu de Pérgamo nesta última viagem a Berlim (durante um dia em que minha esposa e minha filha passaram no Vabali Spa, aproveitando saunas, banhos a vapor e mergulhos em piscinas frias, em meio a alemães completamente nus e sem qualquer constrangimento), mas o local estava fechado para uma ampla reforma. (O espaço expositivo que abriga o Altar de Zeus será reaberto em junho próximo, juntamente com o Museu de Arte Islâmica, que fica ao lado.)

Em vez disso, contentei-me em conhecer duas outras joias da Ilha dos Museus que eu ainda não havia visitado: o Museu Bode e o Neues Museum. O Museu Bode, instalado em um edifício com cúpula projetado para emular um palácio e uma basílica renascentistas, abriga um acervo de pinturas e esculturas europeias que vão da Idade Média ao século XVIII, além de uma coleção igualmente impressionante de arte bizantina, incluindo ícones e mosaicos de valor inestimável. O Neues Museum, situado a uma curta distância na ilha, guarda uma coleção surpreendente de arte e artefatos do Antigo Egito, incluindo o famoso busto de Nefertiti — que permanece tão gracioso e colorido quanto no momento em que foi criado, há mais de 3.000 anos. Assim como o Altar de Zeus e o Portão de Ishtar, o busto é objeto de disputa entre a Alemanha e seu país de origem (o Egito), que exige sua repatriação.

Como sempre, Sophia estava por dentro das últimas novidades do mundo da ópera; por isso, certa noite, conseguiu ingressos para o espetáculo mais badalado da cidade: uma montagem ousada de Lear — ópera de 1978 de Albert Reimann, baseada na tragédia “Rei Lear”, de Shakespeare. A apresentação não ocorreu em um teatro, mas sim em um hangar de aviões no Aeroporto de Tempelhof, na zona sul de Berlim. O antigo aeródromo, construído durante a era nazista e desativado em 2008, hoje funciona como parque público, museu e espaço de entretenimento. No antigo Hangar 4, foi montado um enorme palco retangular, ladeado por arquibancadas; em uma das extremidades ficava a orquestra, enquanto na outra erguiam-se duas torres metálicas que abrigavam um grupo de seis percussionistas. Não havia cenografia. Os cantores circulavam pelo palco vazio — ora correndo de um lado para o outro, ora gritando tanto quanto cantando —, ao passo que os tímpanos e outros instrumentos de percussão intensificavam o drama e os momentos de violência. Tudo culminava na tempestade furiosa pela qual o delirante Lear vagava, após ser expulso das casas de duas de suas filhas. (Uma delas, aliás, não se contentou em cegar outro personagem: arrancou-lhe o olho com uma mordida e cuspiu-o no palco.) Foi tudo extremamente barulhento, insano e inesquecível. Ao final, fez todo o sentido que a apresentação tivesse ocorrido em um local de onde, outrora, aviões de guerra decolavam e aterrissavam.

Em nossa última noite em Berlim, jantamos no Katz Orange, um restaurante no bairro de Mitte — adepto do conceito farm-to-table (da fazenda à mesa) — famoso por suas carnes de porco e peito bovino assadas lentamente (bem lentamente: 12 horas). A carne fez jus à fama; os acompanhamentos (batatas gratinadas, couve-lombarda assada) estavam deliciosos; e a sobremesa — um sticky toffee pudding — foi uma verdadeira revelação. Após cinco dias explorando a gastronomia de Berlim, estávamos plenamente satisfeitos. Voltamos a pé para casa, atravessando Mitte como se estivéssemos em nosso próprio bairro.

BERLIN (*)

Visiting a foreign city for the second or third time can be liberating. You don’t have
to rush from one tourist attraction to the next; you did that the first time around.
You can relax and enjoy the city like a resident with a few days off from
work—strolling without a sightseeing agenda, lingering over meals in restaurants,
sleeping late without guilt, wandering unhurriedly through a museum you missed
on the first visit, or going to an opera or concert that everyone is talking about.
Whether you stay in a hotel, a friend’s place or an Airbnb, you can make yourself
at home in its neighborhood and adopt a favorite grocery store, pastry shop or café.
By the end of the trip you might not feel as if you live there, but you’ll know how
those who do live there enjoy themselves at leisure.

That’s the experience my wife and I had a few weeks ago in Berlin, on my
second visit to the city and her third. And it was made all the more enjoyable by
our daughter, Sophia, who lives in the German capital and served as our guide and
interpreter—in fact, as the ideal companion.

My first time in Berlin, about 15 years ago, I raced to as many tourist sites as I
could: The imposing Brandenburg Gate, a symbol of the city’s division during the
Cold War and now a symbol of German unity. Checkpoint Charlie, the old border
crossing between East and West Berlin, where characters in spy novels once
crashed through the barrier with Soviet agents in hot pursuit. The remnants of the
Berlin Wall, now painted brightly and ingeniously by local artists. The Bundestag,
or German parliament, with its huge glass dome attached to the repaired and
restored Reichstag, the legislature once controlled by Nazis and partly destroyed in
World War II. Museum Island, the UNESCO World Heritage Site that contains five
magnificent historic museums. And the 18 th -century Sanssouci Palace, Frederick
the Great’s summer home and gardens in Potsdam, a short train ride from Berlin.

Before that visit, I’d had little interest in going to Germany. Its dark 20th -century
history—two world wars, the Holocaust, the fratricidal enmity between capitalist
West Germany and Communist East Germany—made it seem forbidden. On top
of that, my father had been a copilot in the U.S. Air Force who flew missions over
Germany in 1944 and bombed German troops on D-Day. But this was a new
century and a new Germany, so when a German colleague of my wife’s invited us
to stay in her apartment in Berlin, I set aside my prejudice and went. What we
found was a beautiful, culturally vibrant city that made no effort to sweep the sins
of the past under the rug. On the contrary, it took full responsibility for them,
building countless memorials to Jewish victims of the Holocaust and even creating
a museum that detailed the abuses of the Stasi, the dreaded East German secret
police. On our first night in the city, my wife’s friend took us to a performance of
Cabaret, the brilliant musical about Berlin in the 1930s, when the Nazis were
rising to power. What show could better symbolize Germany’s acknowledgment of
its complicated history?

In the days that followed, my family and I roamed the German capital from one
end to the other. I remember a food fair with an endless variety of beers and spiced
sausages; a delicious lunch at a Turkish restaurant where I ate more than my share
of baklava; a classical guitar concert in a lovely little church on a charming square;
and a serious research project in which Sophia and I set out to determine who made
the best berliner—the local jelly donut—by taste-testing it everywhere it was sold,
from pastry shops to supermarkets to subway stations.

So when Sophia moved to Berlin last year to pursue her career as an opera
singer, we jumped at the chance to see the city again, under her guidance. Every
successful trip requires some luck, and we had it in abundance. First, for almost all
of our visit, the weather was sunny and warm—very unusual, everyone told us, for
late September and early October. Second, we found an Airbnb in Mitte, the
elegant neighborhood in west-central Berlin that has some of the city’s best
restaurants, shops and museums. And third, Sophia speaks rapidly improving
German and knows the city’s subways, buses and trams. That meant we never got
lost, and we had a family interpreter in the rare places where no one spoke English.

The apartment in Mitte had two bedrooms, so Sophia moved in with us for the
duration of our stay. (She lives in a república of young musicians in the far north of
Berlin, which is affordable but more suited to older people and retirees.) She
immediately took us out for lunch. That set the tone for what would be five days of
happy gluttony in a city celebrated for fine food. A brief walk from our apartment
was a large, bright Indian restaurant on Oranienburger-Strasse called Amrit, which
serves Punjabi curries and tandoori dishes with freshly ground spices beside glass
walls that let in the sunlight. We ate so much that our only recourse was to go back
to the apartment and take a nap—but only after stopping for coffee at The Barn, a
café on Auguststrasse. (My wife, after all, is mineira, and our daughter is half
mineira.) Along the way there we explored Mitte, whose quiet streets are lined
with handsome, light-colored apartment buildings five or six stories high.

After resting it was time to eat again: dinner at Schnitzelei Mitte, on
Chausseestrasse—a boisterous restaurant that, as you might guess, specializes in
schnitzels (even gluten-free if requested). My veal schnitzel was paper-thin and
perfect. I was distracted, though, by the sight of a group of diners near us who
seemed to include Pep Guardiola, the former manager of the Barcelona, Bayern
Munich and Manchester City football clubs. Was it really him? Or does he have an
identical twin? And what would Pep Guardiola be doing in Berlin? I’ll never know,
because it’s bad manners to interrupt a man enjoying a schnitzel dinner. Anyway,
I’m a Liverpool fan, and Liverpool fans hate Manchester City, so why bother?

The next morning, Sophia and I put on our sneakers and went out for a run
(Sophia) and walk (me) along the Spree River, which winds through the heart of
Berlin. There are tree-shaded walking paths beside the water. Sightseeing boats
pass at frequent intervals, and the beautiful dome of the Bode-Museum looms
down the river. When I reached Museum Island, about a half-hour into the walk, I
crossed the bridge and walked around the grounds, getting the lay of the land for a
return visit another day. Then I headed back to my rendezvous with my daughter,
the runner, for it was time to go home, take a shower and start eating again.

Lunch was a memorable affair at NENI Berlin, a glass-enclosed rooftop
restaurant in the bizarrely named 25Hours Hotel Bikini, on Budapester-Strasse in
the Charlottenburg district. The tables have panoramic views of the city, with the
wooded Berlin Zoo immediately below. The menu mixes foods from the Eastern
Mediterranean, the Middle East, Israel and Austria, all superb. We had baba
ghanoush, falafel, Wagyu beef kebab and a splendid dish called Jerusalem
Teller—spiced grilled chicken, sautéed onions and peppers on a bed of hummus,
garnished with tahine and mango pickle sauce and served with warm pita.

A lunch like that has to be walked off, and my wife and daughter took
advantage of that to do some shopping. I had no choice tagged along, having
brought a book to read wherever I could find a place to sit near the stores. Luckily
many of the shops in Mitte are located in courtyards, which abound between the
main avenues. Some have benches beneath trees, where I could read happily while
the girls did damage to the family credit card. The most delightful of the
courtyards, for me at least, is between Sophienstrasse and Rosenthalerstrasse. You
enter through a passageway at 39 Rosenthalerstrasse next to the famous Café
Cinema, a darkly lit bohemian bistro with film posters on the wall and a
hodgepodge of old furniture scattered about. The café’s outdoor seating area is at
the beginning of a long, gritty alley of shops and little museums whose outer walls
are painted in a riot of bright graffiti, cartoons and portraits—Anne Frank,
Leonardo Di Caprio, Popeye, Batwoman. Much as I enjoyed Berlin’s bigger
museums and monuments, this was my favorite sight in the city.

At some point that afternoon Sophia took us to her favorite bakery, which,
coincidentally (or not?), is called Sofi and is located on Sophienstrasse. I ate one of
its specialties, the morning bun—a rolled spiral pastry made from laminated
croissant dough and filled with cinnamon, sugar, orange zest and cardamom. It was
a religious experience. If I ever go back to Berlin, that will be a big reason.

The next evening my wife went to dinner with some colleagues, so Sophia and I
planned a night in the former East Berlin doing what we like to do best: eat and go
to a bookstore. Dinner was at the spacious, elegant Turkish restaurant Osmans
Töchter, on Prenzlauer Allee. We feasted on calamari, grape leaves, fava beans,
zucchini chips and my favorite Turkish dish, imam bayildi—eggplant stuffed with
onion, garlic and tomatoes. Imam bayildi means “the imam fainted,” and it’s so
good that I can imagine the holy man passing out from pleasure at his first taste of
it. Then, according to plan, we strolled to Dussmann das KulturKaufhaus, a five-
story bookstore with books in German, English and many other languages. It’s
open until midnight, so we took our time choosing books to buy and having dessert
at the store’s coffee shop. On one of the upper floors was a piano, and a patron sat
down to play classical music, putting the perfect finishing touch on our evening.

The first time I traveled to Turkey, in the 1980s, I visited the ruins of Pergamon,
the ancient Greek city that reached the height of its power in the three centuries
before the birth of Christ. Among the old city’s monuments was the magnificent
Altar of Zeus, with Ionic colonnade and more than 100 meters of friezes containing
high-relief sculptures depicting mythical battles involving Zeus and Athena,
winged giants, the sun god Helios on his four-horse chariot, the Furies, the Fates
and the goddesses of night, dawn and the moon. Of the original altar, only a few
columns remained in Turkey when I visited. The rest of the altar had been
excavated by German archeologists in the 19 th century and moved to Berlin, where
it was reconstructed as the heart of the Pergamon Museum, built on Museum Island
from 1910 to 1930. This masterpiece of Hellenic art took my breath away when I
saw it on my first visit to Berlin, and to this day it’s the thing I remember most
about my introduction to the city.

Almost as impressive as the Altar of Zeus was another treasure of the Pergamon
Museum: the Ishtar Gate, a dazzling construction of cobalt-blue and sea-green
glazed bricks erected in Babylon in the sixth century BCE. Commissioned by King
Nebuchadnezzar II, it was the fortified entrance to the ancient city and was
dedicated to the Babylonian goddess Ishtar. The bricks are decorated with bas
reliefs of lions, bulls and other sacred animals. The gate was excavated by German
archeologists in Iraq in the early 20 th century and transported to Berlin. Like the
Altar of Zeus, it wasn’t precisely stolen by Germany—the two monuments were
acquired from the Ottoman Empire by purchase (the Altar of Zeus) and diplomatic
arrangement (the Ishtar Gate)—but their presence in Germany is controversial, and
both Turkey and Iraq have repeatedly requested their repatriation.

I badly wanted to revisit the Pergamon Museum on this last trip to Berlin
(during a day that my wife and daughter spent at the Vabali Spa, taking saunas,
steam baths and cold pool plunges among unabashedly naked Germans), but it was
closed for an extensive renovation. (The exhibition space that contains the Altar of
Zeus will reopen next June, along with the adjacent Museum of Islamic Art.)
Instead, I settled for seeing two other jewels of Museum Island I hadn’t visited
before: the Bode Museum and the Neues Museum. The Bode Museum, in a domed
building meant to emulate a Renaissance palace and basilica, contains a treasury of
European paintings and sculpture from the Middle Ages to the 18 th century and an
equally impressive collection of Byzantine art, including priceless icons and
mosaics. The Neues Museum, a short walk down the island, houses an astonishing
collection of ancient Egyptian art and artifacts, including the famed Bust of
Nefertiti, still as graceful and colorful as when it was created more than 3,000
years ago. Like the Altar of Zeus and the Ishtar Gate, the bust is contested between
Germany and its country of origin (Egypt), which is demanding its repatriation.

As always, Sophia was on top of the latest opera news, so one evening she got
us tickets to the hottest show in town, a daring production of Albert Reimann’s
1978 opera Lear, based on Shakespeare’s tragedy King Lear. The performance took
place not in a theater—how boring would that have been?—but in an airplane
hangar at Tempelhof Airport, on the southern outskirts of Berlin. The airfield, built
in the Nazi era but closed in 2008, is now a public park, museum and entertainment
venue. In the old Hangar 4, a huge rectangular stage was laid out, with grandstand
seats on the two sides, an orchestra platform at one end and two metal towers on
the other end containing a six-person percussion section. There was no scenery.
The singers prowled the bare stage, sometimes racing about, sometimes yelling as
much as singing, and the timpani and other percussion instruments amplified the
intense drama and moments of violence, culminating in the raging storm through
which the delirious Lear wandered after two of his daughters locked him out of
their homes. (One of the daughters didn’t just blind another character; she bit his
eye out and spat it on the stage.) It was all extremely loud, crazy and unforgettable.
By the end it made perfect sense that the performance had taken place in a field
where warplanes had once taken off and landed.

Our last night in Berlin, we dined at Katz Orange, a farm-to-table restaurant on
Bergstrasse in Mitte that is famous for its slow-roasted (very slow—12 hours) pork
and beef brisket. The meat lived up to its reputation, the accompaniments (potato
gratin, roasted Savoy cabbage) were delicious, and the dessert—sticky toffee
pudding—was a revelation. After five days of eating our way through Berlin, we
were thoroughly satisfied. We walked home through Mitte as if it were our own
neighborhood.

Chris Hunt

Chris Hunt nasceu em Dallas, Texas, e cresceu em Caracas, Venezuela. Depois de formado em História em Nova Iorque, ficou nesta cidade e trabalhou como editor nas revistas Travel & Leisure e Sports Illustrated do Grupo Time Warner. Casado com Andréa, mineira de BH, curte a vida de aposentado viajando, lendo e tocando violão.

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