PÍLULAS DE VIDA DO DR. ENOC

Publicado em: 30/10/2026 às 16:46

Atualizado em: 30/10/2026 às 17:36

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O Pensador - Rodin

– Eu não acredito em movimentos políticos. Acredito em movimentos pessoais, ao movimento da alma, quando um homem olha para si mesmo e está tão envergonhado que tenta fazer algum tipo de mudança dentro de si mesmo, não do lado de fora. (Joseph Brodsky) 

– A vida não vivida pelos pais fica penhorada aos filhos. (C. A. Jung)

– Cuide dos minutos. As horas cuidarão de si sozinhas. (Lord Chesterfield – Letters to His Son – livro das cartas que escreveu para o filho.)

– Não há nada mais contraproducente do que dizer que o presente poderia ser diferente daquilo que é. (Matthieu Ricard)

– Cultive seu intelecto enquanto o mundo acaba. (Piradgmas)

– Só compreendemos os outros quando conseguimos ter os mesmos sentimentos deles ou delas. (Anônimo)

-Os cães ladram e a caravana passa. (Provérbio árabe, citado por Ibrahim Sued)

– A mente é um oceano. Quantos mundos estão ali girando, misteriosos, apenas vislumbrados. (Jalal ud-Din Rumi “Poemas Místicos”

– É a desgraça destes tempos que os loucos guiem os cegos. (Shakespeare – Rei Lear)

– Eu cometi os erros errados. (Thelonius Monk) 

– Grilo é um ser imprestável para o silêncio. (Manoel de Barros)

– Se você está atravessando o inferno, continue atravessando.  (Winston Churchill)

– Eu estou bem. A vida é que está ruim. Mas vai passar. (Filme: “Pessoas, lugares e Coisas”)

– Peguei a cultura da minha terra como um elemento tão forte da minha personalidade que ficou indissociável. (Pedro Tourinho) 

– O passado vem nos buscar, onde quer que a gente esteja. (Ignácio Loyola Brandão)

– E se este mundo for o inferno de outro planeta? (Aldous Huxley)

– O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror. (Oscar Wilde)

– A força da música vagabunda é extraordinária. (Noel Coward)

-Meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente.

(João Pinto, jogador de futebol português.)

-Ofereça um ovo ao preguiçoso e ele ainda vai querer que você o descasque. (Provérbio lituano)

– O homem não queria acreditar que todos os crimes surgem de si mesmo, então criou o diabo para se libertar da culpa. (Carl Jung)

– O fanatismo e a inteligência nunca habitam a mesma casa. (Ariano Suassuna)

2 – DOM PEDRO CASALDÁLIGA, ALAIR FAULA E OS QUADROS CONCÊNTRICOS

Djalma França

     Criador: Dimitri66 – Getty Images                                      Wassily Kandinsky

Os quadros concêntricos  foram se formando aos poucos, à medida que a leitura da entrevista de Alair Faula, publicada em abril neste ECHO, me remetia a outras leituras.

Experiências admiráveis essas de Alair (*) e que ocupam o centro desses meus quadros abstraídos. Gostaria de pintá-los do meu jeito, é claro, mas jeito não há,  pois desde criança os lápis de cor só formam borroēs e é com dificuldade que surge, talvez, muito talvez,  uma casa mal enjambrada com  um triângulo sobre um retângulo. Mas a experiência pressupõe variedade, como de fato ocorreu. Xingu parece névoa das névoas. Tocantins insinua algo já de contaminação. Os do Xingu na pureza da nudez e do comunismo real, nada utópico, onde tudo é de todos na aldeia. Já em Tocantins, nossos irmãozinhos já se mostram desnorteados pela aculturação desajeitada e exploratória.

                         Alair Faula tomando banho no Xingu e com uma indígena Xerente.

Xingu lembra os irmãos Villas Boas, mas lembra também um monumento literário de nome Quarup, escrito por Antônio Callado.

Um exemplar deste livro me foi repassado em fins dos anos 70 por Osvaldo, meu irmão. Lançado em 1967, ganhou o prêmio Jabuti de 1968. O protagonista é o padre Nando, enviado como missionário ao alto Xingu. Aí já temos a segunda camada do meu quadro, envolvendo e abraçando a entrevista de Alair. Quarup significa muitas coisas, mas tem um arco principal de significado que é o de morte e renascimento, como uma troca de pele espiritual. Padre Nando chega inocente ao Xingu. A inocência é até bela, mas a infantilidade, não. Ao se deparar com tanta maldade, miséria e autenticidade da sacanagem humana, ele se transforma e renasce. De um padre lido, intelectual e limpinho, vivencia a sujeira que a ambição material desmesurada pode causar.

A última camada do quadro surge de uma confusão minha. 

                                                Dom Pedro abençoa  índigena – Foto: Fundo Brasil 

Imaginei que Callado quisesse homenagear Dom Pedro Casaldáliga e o criasse na pele de padre Nando. Ocorre que Dom Pedro chegou ao Brasil em 1968, um ano após o lançamento de Quarup. Anos mais tarde, ao ler sobre Casaldáliga, percebi meu equívoco, induzido pelas evidentes semelhanças. 

Pedro Casaldáliga nasceu em 1928 na cidade de Balsareny, Catalunha, na Espanha, e faleceu em Batatais/SP, em 2020.

 Por certo, a guerra civil espanhola o marcou muito. Ordenado padre em 1952, preferia pastorear com os periféricos, os marginalizados, daí as alcunhas de “padre dos malandros” e “padre dos desvalidos“. 

Tudo isso bem antes do Concílio Vaticano II (1962-65) em que a Igreja dá uma guinada histórica e tenta abraçar novamente Cristo e o Novo Testamento. (Esta interpretação é minha). Oficialmente, a Igreja dizia querer buscar aproximar-se do mundo moderno e de seus fiéis.

Já no final do Concílio, em 1965, surge o “Pacto pela Igreja Servidora e Pobre” assumido pelos 500 bispos presentes. Dom Helder Câmara é o proponente do pacto.

Em 1971 Dom Pedro foi consagrado bispo de São Félix do Araguaia, Mato Grosso, bem perto do Tocantins.

Não diria que Casaldáliga foi influenciado pelo espírito do Concílio. Ele já o possuía. Foi o Concílio que tentou voltar aos valores originais de uma Igreja nascida de Cristo e por Cristo.

Dom Pedro encontrou a região de Araguaia absolutamente isolada, terra sem lei, violentíssima, com posseiros e índios assassinados ou  expulsos de suas terras, algo inimaginável até por quem vivera as agruras perpetradas por Franco e suas milícias na Espanha. 

Nada fazer era, de alguma forma, uma opção pela omissão criminosa, ou, pior que isso, opção pelo pecado.

Foi ameaçado de morte várias vezes, confrontado, viu pessoas serem mortas ao seu lado, mas nunca perdeu a coragem e a veia poética:

“Não ter nada,

Não levar nada,

Não poder nada,

Não pedir nada.

E, de passagem, 

Não matar nada, 

Não calar nada”.

(Casaldáliga, 1978)

Como não voltar 2 mil anos no tempo e ouvir de João Batista, citado por Lucas: “quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem…”.

Passou a ser conhecido como Monsenhor Chinelo e Foice. Só usava chinelo de dedo e chapéu de palha.

Eu tomei conhecimento de sua existência e trabalho missionário lendo, provavelmente, os jornais “O Pasquim” ou “Movimento”, em fins da década de 70.

Em 1999 tive acesso ao discurso de posse da senadora Heloísa Helena que cita o bispo Dom Pedro, o qual teria dito: “Ética na política é Vergonha na cara e Amor no coração.”

Um verdadeiro aforismo: curto e bombástico. Gostei e gosto muito dele. Pesquisei e não o encontrei nos poemas ou cartas escritas por Dom Pedro. Mas faz todo o sentido. 

Retiremos do aforismo o locus sugerido, a política e fiquemos com ética, apenas ética.

AMOR NO CORAÇÃO: Jesus já pregava e, com isso, mudou o mundo.

VERGONHA NA CARA – eu apenas deduzo e  imagino a cena:

Jesus entrando no templo de Jerusalém e dizendo: “tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio.”

Ele deve ter falado logo a seguir ” tenham vergonha na cara”. 

Aposto que falou.

(*) Djalma se refere ao artigo “Alair Faula – Uma Vida entre os Indígenas” de abril de 2026 – 


3 – A GERAÇÃO Z NÃO CONHECE

FITA CASSETE

             Fita TDK, das mais populares                                           Primeiro Walkman da Sony

A fita cassete foi um grande avanço devido a praticidade e portabilidade, além de permitir   gravar as músicas preferidas, como  uma edição, impossível nos discos. Cada pessoa poderia fazer sua própria seleção de músicas e gravá-las dos discos de vinil ou das rádios. Paralelamente apareceram os conjuntos integrados, denominados 3 em 1, que tocavam rádios, discos e fitas. Com o  3 em 1 as gravações eram feitas diretamente. As fitas também poderiam tocar nos carros e no walkman, e fizeram grande sucesso nas décadas de 70 e 80.  

Eram de três tipos: Ferro, Cromo e Metal. A qualidade do som das  últimas era bem melhor, menos chiados, mas  eram mais caras. Por isso, quase todo mundo, inclusive nós, comprava a de Ferro. 

A caneta Bic era um acessório muito útil, com seu formato oitavado. Quando a fita ficava frouxa ou fora do trilho, deveria encaixar a caneta numa das roldanas e rebobinar cuidadosamente até ajustá-la. Outro cuidado seria não quebrar a travinha de plástico no lado superior da caixa da fita. Se quebrasse, não seria possível gravar por cima de outra gravação, a não ser que se fizesse a gambiarra de colar fita durex no buraco.

As fitas cassete embalaram grandes momentos até a chegada dos CDs. Que, por sua vez, foram substituídos pelos meios digitais. Assim é a vida. Assim é a vida. Agora é a vez do Spotify.. 

4 – DICIONÁRIO DAS PALAVRAS E EXPRESSÕES APOSENTADAS

                                       Sote                                                                       Ajantarado de domingo

– Sote – espaço entre o forro e o telhado. Usado para colocar objetos e, na cozinha, linguiças e carnes para defumar com a fumaça. 

– Asseado – menino que tomava banho todos os dias. 

– Ajantarado – almoço de domingo, com frango frito, farofa, maionese e macarronada assada. 

– Birosca – bola de gude e também comercinho, hoje denominado mercadinho. 

– Cacareco – coisas velhas ou estragadas, que as pessoas teimam manter. 

– Chumbrega – má qualidade, de gosto duvidoso.

– Estribado – algo de muito boa qualidade. 

– Janota – quem vestia bem e se achava. 

– Ósculo – beijo em linguagem formal. Você me concede a honra de lhe depositar um ósculo?  

– Tutu – dinheiro. Fulano estava com o bolso cheio de tutu. 

– “Te dô, ladrão!” –  expressão usada por alguém que não queria atender pedido indecoroso.

– “Tem procê não, Chupim!” – Idem

– “Que isso, Washington? Te dou pão, cê quer biscoito!” –  Idem

– “É bebé, mamar na gata você não quer!” -Idem

– “Quem é você, quati?” – usada para avisar a pessoa que ela está sendo inconveniente. 

– “Sai de mim, abacaxi que eu já tomei leite.” – Idem.

– “Você, deveras?”- pergunta das mães ao filho(a) que fez alguma coisa indevida. Acompanhada do nome e sobrenome era certeza de encrenca.   

– “Deus ajuda a quem cedo madruga ficar com sono o resto do dia.” – Usado geralmente por adolescente em resposta aos conselhos dos mais velhos. 

– “Diga-me com quem anda e lhe direi quem o acompanha.” –  Idem

– “Há males que vêm para o bem dos médicos.” – Usada em conversas nas salas de espera.  

– “Puxar o carro.” – Aviso de que chegou a hora de ir. A prosa está boa, mas vou puxar o carro.

– “Lelé da cuca.” – Pessoa que não bate bem da cabeça. 

– “De lascar o cano!” – Algo que está muito ruim. 

 – “Na boca de espera.” – Aguardando alguma coisa para breve. A nomeação está na boca de espera. 

– “Boa pinta.”- Pessoa bonita, que geralmente despertava inveja. 

– “Chuchu beleza!” – Algo de qualidade. Tudo chuchu beleza com você?

Francisco França

Francisco França casado com Suzana Magalhães. Dois filhos - Luísa e Vitor. É advogado, atleticano e nasceu em Peçanha/MG de onde nunca saiu totalmente. Gosta de se reunir com parentes e amigos para um café e outros líquidos, falar de livros e das muitas coisas que fazem a vida ficar boa, como apreciar músicas e leituras.

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